Publicação
Validation of a novel intervention based on digital biofeedback for home-based rehabilitation after hip or knee replacement
| Resumo: | A artroplastia total da anca (ATA) e do joelho (ATJ) é a abordagem terapêutica indicada em doentes com osteoartrose da anca/joelho com sintomas e incapacidade não controláveis com tratamento conservador. A fisioterapia permite maximizar os resultados clínicos após ATA/ATJ. Contudo, as abordagens convencionais obrigam a uma logística pesada por parte dos prestadores e/ou utentes. Soluções de tele-reabilitação têm demonstrado resultados clínicos semelhantes a fisioterapia convencional, mas continuam a depender de forma muito direta da disponibilidade de fisioterapeutas. São, por isso, necessárias soluções que permitam a realização de programas de reabilitação domiciliários controlados remota e assincronamente pelas equipas clínicos, mas a maioria está numa fase embrionária e a validação clínica é escassa. O SWORD Phoenix® é um dispositivo de biofeedback digital, baseado em sensores de movimento inercial, que pretende responder a esta necessidade. O objetivo desta tese foi o de comparar os resultados clínicos de ATA/ATJ seguida de um programa de reabilitação digital, realizado através do sistema SWORD Phoenix, com os de cirurgia seguida de fisioterapia convencional. Adicionalmente, pretendeu-se também avaliar a usabilidade do sistema, e comparar os custos do um programa digital com os da fisioterapia convencional. Nesta tese são apresentados dois ensaios clínicos, prospetivos, uni-cêntricos, não randomizados, de grupo paralelo, com um desenho semelhante. Os doentes foram recrutados antes da cirurgia, seguindo-se cirurgia eletiva e alocação a um de dois grupos aquando da alta hospitalar: doentes que residiam fora dos limites administrativos da cidade foram alocados ao programa digital; os outros foram alocados a fisioterapia convencional. Ambos os grupos tiveram 8 semanas de reabilitação após cirurgia. Os doentes foram avaliados antes da cirurgia, 4 e 8 semanas após cirurgia, e depois 3 e 6 meses após cirurgia. O outcome primário foi a evolução do teste Timed up and Go (TUG) entre a avaliação inicial e a das 8 semanas. Foram adicionalmente considerados os scores TUG, bem como as amplitudes articulares da anca/joelho e ainda escalas auto-reportadas – Hip Osteoarthritis Outcome Score (HOOS) e Knee Osteoarthritis Otucome Score (KOOS)- nos vários pontos de avaliação (e evolução desde a avaliação inicial). Foram ainda avaliados parâmetros de aceitação e usabilidade, assim como os eventos adversos. No ensaio clínico focado na ATA, foram incluídos 66 doentes: 35 foram alocados ao grupo cirurgia seguida de programa digital (grupo digital) e 31 ao grupo cirurgia seguida de fisioterapia convencional (grupo convencional). Na avaliação inicial, o grupo digital tinha pontuações mais baixas na subescala de qualidade de vida da HOOS. Não foram constatadas outras diferenças entre os grupos nesta avaliação. No total, 59 doentes terminaram o programa (30 grupo digital vs 29 grupo convencional) e 57 a avaliação dos 6 meses (30 vs 27). Foram observados resultados superiores – particularmente na análise “per protocol” (PP)- no grupo digital não só para o outcome primário (p<0.001) mas também para os valores de TUG em todos os pontos de avaliação, bem como na variação desde a avaliação inicial. Observamos, contudo, tendência para convergência entre os dois grupos após a avaliação das 8 semanas, com diferença não clinicamente significativa aos 6 meses para o TUG. Em relação às amplitudes articulares, os resultados foram também superiores no grupo digital em todos os pontos de avaliação, excetuando para a flexão da anca em pé. Foi também notada convergência nestes parâmetros após as 8 semanas. Relativamente à escala HOOS, na análise PP foram observados resultados favorecendo o grupo digital nae variação desde a avaliação inicial até às 8 semanas, 3 e 6 meses, bem como melhores resultados nas avaliações das 8 semanas, 3 e 6 meses. Na análise “intent-to-treat” (ITT), as diferenças foram menos evidentes, mas os scores às 8 semanas e 6 meses ns subescalas de Actividades da vida diária (ADL) e Qualidade de vida (QoL) também favorecem o grupo digital. Não houve diferenças na taxa de eventos adversos – 14.3% digital e 22.6% convencional (p=0.525). Em termos de usabilidade, no grupo digital, 91.4% classificaram a satisfação com 10/10. Os doentes deste grupo tiveram uma média de 0.6 (intervalo 0-2) visitas e de uma mediana de 4 chamadas adicionais (intervalo 0-7), e 37.1% necessitaram de ajuda de um cuidador na interação com o sistema. No ensaio clínico focado na ATJ, foram incluídos 69 doentes: 38 grupo digital vs 31 grupo convencional. Na avaliação inicial, o grupo digital tinha pontuações mais baixas em todas as subescalas da KOOS. Não foram constatadas outras diferenças entre os grupos. No total, 59 doentes terminaram o programa e concluíram a avaliação dos 6 meses (30 vs 29). Na análise PP, foram observados resultados superiores no grupo digital não só para o outcome primário (p<0.001), mas também para o TUG em todos os pontos de avaliação e variação desde avaliação inicial. Na análise ITT, constataram-ser resultados superiores no grupo digital às 8 semanas, 3 e 6 meses mas não na variação desde avaliação inicial. Foram observados resultados superiores no grupo digital para a extensão do joelho sentado, e na análise PP também na variação desde a avaliação inicial até às 8 semanas em todas as amplitudes articulares. Foi observada tendência para convergência entre os dois grupos para TUG e ROM depois das 8 semanas. Em relação à KOOS, na análise PP, os resultados no grupo digital foram superiores em todas as subescalas, em todos os pontos de avaliação e na variação desde avaliação inicial. Na análise ITT, foram observados scores superiores na variação desde a avaliação inicial até às 8 semanas, 3 e 6 meses, em todas as subescalas excepto Sports. A taxa de eventos adversos foi superior no grupo convencional - 22-6% vs 2.6% no grupo digital (p=0.02). Em relação à usabilidade, no grupo digital, 73.7% classificaram a satisfação com 10/10. Os doentes deste grupo tiveram uma média de 0.4 (intervalo 0-2) visitas e uma mediana de 2.5 (intervalo 1-12) chamadas adicionais, e 58% necessitaram de ajuda de um cuidador na interação com o sistema. Em conjunto, estes dois ensaios clínicos demonstram que a THA/TKA seguida de reabilitação digital é uma abordagem fazível, permite maximizar os resultados clínicos em comparação com cirurgia seguida de fisioterapia convencional, oferecendo uma solução escalável que maximiza a conveniência do doente e minimiza a dependência de recursos humanos, resultando em potenciais reduções no custo da prestação de cuidados. |
|---|---|
| Autores principais: | Correia, Fernando Emanuel Dias |
| Assunto: | Artroplastia Anca Biofeedback Joelho Reabilitação Arthroplasty Hip Knee Rehabilitation Ciências Médicas::Medicina Clínica |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A artroplastia total da anca (ATA) e do joelho (ATJ) é a abordagem terapêutica indicada em doentes com osteoartrose da anca/joelho com sintomas e incapacidade não controláveis com tratamento conservador. A fisioterapia permite maximizar os resultados clínicos após ATA/ATJ. Contudo, as abordagens convencionais obrigam a uma logística pesada por parte dos prestadores e/ou utentes. Soluções de tele-reabilitação têm demonstrado resultados clínicos semelhantes a fisioterapia convencional, mas continuam a depender de forma muito direta da disponibilidade de fisioterapeutas. São, por isso, necessárias soluções que permitam a realização de programas de reabilitação domiciliários controlados remota e assincronamente pelas equipas clínicos, mas a maioria está numa fase embrionária e a validação clínica é escassa. O SWORD Phoenix® é um dispositivo de biofeedback digital, baseado em sensores de movimento inercial, que pretende responder a esta necessidade. O objetivo desta tese foi o de comparar os resultados clínicos de ATA/ATJ seguida de um programa de reabilitação digital, realizado através do sistema SWORD Phoenix, com os de cirurgia seguida de fisioterapia convencional. Adicionalmente, pretendeu-se também avaliar a usabilidade do sistema, e comparar os custos do um programa digital com os da fisioterapia convencional. Nesta tese são apresentados dois ensaios clínicos, prospetivos, uni-cêntricos, não randomizados, de grupo paralelo, com um desenho semelhante. Os doentes foram recrutados antes da cirurgia, seguindo-se cirurgia eletiva e alocação a um de dois grupos aquando da alta hospitalar: doentes que residiam fora dos limites administrativos da cidade foram alocados ao programa digital; os outros foram alocados a fisioterapia convencional. Ambos os grupos tiveram 8 semanas de reabilitação após cirurgia. Os doentes foram avaliados antes da cirurgia, 4 e 8 semanas após cirurgia, e depois 3 e 6 meses após cirurgia. O outcome primário foi a evolução do teste Timed up and Go (TUG) entre a avaliação inicial e a das 8 semanas. Foram adicionalmente considerados os scores TUG, bem como as amplitudes articulares da anca/joelho e ainda escalas auto-reportadas – Hip Osteoarthritis Outcome Score (HOOS) e Knee Osteoarthritis Otucome Score (KOOS)- nos vários pontos de avaliação (e evolução desde a avaliação inicial). Foram ainda avaliados parâmetros de aceitação e usabilidade, assim como os eventos adversos. No ensaio clínico focado na ATA, foram incluídos 66 doentes: 35 foram alocados ao grupo cirurgia seguida de programa digital (grupo digital) e 31 ao grupo cirurgia seguida de fisioterapia convencional (grupo convencional). Na avaliação inicial, o grupo digital tinha pontuações mais baixas na subescala de qualidade de vida da HOOS. Não foram constatadas outras diferenças entre os grupos nesta avaliação. No total, 59 doentes terminaram o programa (30 grupo digital vs 29 grupo convencional) e 57 a avaliação dos 6 meses (30 vs 27). Foram observados resultados superiores – particularmente na análise “per protocol” (PP)- no grupo digital não só para o outcome primário (p<0.001) mas também para os valores de TUG em todos os pontos de avaliação, bem como na variação desde a avaliação inicial. Observamos, contudo, tendência para convergência entre os dois grupos após a avaliação das 8 semanas, com diferença não clinicamente significativa aos 6 meses para o TUG. Em relação às amplitudes articulares, os resultados foram também superiores no grupo digital em todos os pontos de avaliação, excetuando para a flexão da anca em pé. Foi também notada convergência nestes parâmetros após as 8 semanas. Relativamente à escala HOOS, na análise PP foram observados resultados favorecendo o grupo digital nae variação desde a avaliação inicial até às 8 semanas, 3 e 6 meses, bem como melhores resultados nas avaliações das 8 semanas, 3 e 6 meses. Na análise “intent-to-treat” (ITT), as diferenças foram menos evidentes, mas os scores às 8 semanas e 6 meses ns subescalas de Actividades da vida diária (ADL) e Qualidade de vida (QoL) também favorecem o grupo digital. Não houve diferenças na taxa de eventos adversos – 14.3% digital e 22.6% convencional (p=0.525). Em termos de usabilidade, no grupo digital, 91.4% classificaram a satisfação com 10/10. Os doentes deste grupo tiveram uma média de 0.6 (intervalo 0-2) visitas e de uma mediana de 4 chamadas adicionais (intervalo 0-7), e 37.1% necessitaram de ajuda de um cuidador na interação com o sistema. No ensaio clínico focado na ATJ, foram incluídos 69 doentes: 38 grupo digital vs 31 grupo convencional. Na avaliação inicial, o grupo digital tinha pontuações mais baixas em todas as subescalas da KOOS. Não foram constatadas outras diferenças entre os grupos. No total, 59 doentes terminaram o programa e concluíram a avaliação dos 6 meses (30 vs 29). Na análise PP, foram observados resultados superiores no grupo digital não só para o outcome primário (p<0.001), mas também para o TUG em todos os pontos de avaliação e variação desde avaliação inicial. Na análise ITT, constataram-ser resultados superiores no grupo digital às 8 semanas, 3 e 6 meses mas não na variação desde avaliação inicial. Foram observados resultados superiores no grupo digital para a extensão do joelho sentado, e na análise PP também na variação desde a avaliação inicial até às 8 semanas em todas as amplitudes articulares. Foi observada tendência para convergência entre os dois grupos para TUG e ROM depois das 8 semanas. Em relação à KOOS, na análise PP, os resultados no grupo digital foram superiores em todas as subescalas, em todos os pontos de avaliação e na variação desde avaliação inicial. Na análise ITT, foram observados scores superiores na variação desde a avaliação inicial até às 8 semanas, 3 e 6 meses, em todas as subescalas excepto Sports. A taxa de eventos adversos foi superior no grupo convencional - 22-6% vs 2.6% no grupo digital (p=0.02). Em relação à usabilidade, no grupo digital, 73.7% classificaram a satisfação com 10/10. Os doentes deste grupo tiveram uma média de 0.4 (intervalo 0-2) visitas e uma mediana de 2.5 (intervalo 1-12) chamadas adicionais, e 58% necessitaram de ajuda de um cuidador na interação com o sistema. Em conjunto, estes dois ensaios clínicos demonstram que a THA/TKA seguida de reabilitação digital é uma abordagem fazível, permite maximizar os resultados clínicos em comparação com cirurgia seguida de fisioterapia convencional, oferecendo uma solução escalável que maximiza a conveniência do doente e minimiza a dependência de recursos humanos, resultando em potenciais reduções no custo da prestação de cuidados. |
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