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Efeito de antifúngicos em suspensões e biofilmes de Candida albicans e Candida dubliniensis

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Resumo:As leveduras são fungos oportunistas responsáveis pela maior parte das infecções fúngicas nos seres humanos. Este tipo de infecções é mais comum em indivíduos com o sistema imunitário comprometido e tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Candida albicans é a espécie mais frequentemente identificada como sendo responsável por este tipo de infecções, no entanto, o número de infecções provocadas por outras espécies de Candida ocorre cada vez com mais frequência. Uma das espécies recentemente identificadas, Candida dubliniensis, tem estado cada vez mais associada a infecções em doentes infectados com sida. Uma grande parte das infecções provocadas por Candida está relacionada com a formação de biofilmes na superfície de dispositivos médicos. As células que constituem os biofilmes apresentam características fenotípicas diferentes das células em suspensão, tais como um aumento de resistência aos antifúngicos e às defesas do hospedeiro. O principal objectivo deste trabalho foi a avaliação do efeito de dois dos antifúngicos mais utilizados em medicina (anfotericina B e fluconazol) em suspensões celulares e biofilmes de Candida albicans e Candida dubliniensis. Este estudo foi dividido em três partes. Numa primeira fase, foram desenvolvidas metodologias experimentais para a determinação da susceptibilidade de biofilme a antifúngicos aplicadas a biofilmes. As duas metodologias desenvolvidas basearam-se na avaliação da susceptibilidade através da determinação da inibição de crescimento celular por turbidimetria e por colorimetria, com a utilização de um sal de “tetrazolium” que reage com células activas. Numa segunda fase foram avaliados os efeitos da anfotericina B e do fluconazol em células suspensas e biofilmes, crescidos no meio indicado pelas normas do National Committee for Clinical Laboratory Standards (NCCLS), o RPMI, e num meio de saliva que representa uma aproximação das condições reais de crescimento das células na boca. Os resultados obtidos revelaram que comparativamente com as suspensões celulares, os biofilmes são mais resistentes aos antifúngicos e que o meio de cultura onde os microrganismos se desenvolvem influencia a sua susceptibilidade. Estes resultados reforçam a ideia de que os estudos realizados na avaliação da susceptibilidade de microrganismos a agentes antimicrobianos deverá ser efectuado tendo em conta o meio e a forma como as células se desenvolvem quando colonizam os seres vivos. Numa fase final do trabalho avaliou-se o efeito que as terapias antifúngicas de longa duração teriam sobre as espécies de Candida em estudo, nomeadamente no que respeita às propriedades superficiais e à capacidade de adesão. As células de Candida foram crescidas em meios com concentrações subinibitórias de itraconazol e anfotericina B e foi determinada a capacidade de adesão a superfícies orais – hidroxiapatite (que mimetiza o esmalte dos dentes) e acrílico. Este estudo permitiu concluir que embora a hidrofobicidade das células não seja alterada quando estas crescem na presença de antifúngicos, a sua capacidade de adesão é modificada.
Autores principais:Cardoso, Bárbara Cachada
Ano:2004
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As leveduras são fungos oportunistas responsáveis pela maior parte das infecções fúngicas nos seres humanos. Este tipo de infecções é mais comum em indivíduos com o sistema imunitário comprometido e tem vindo a aumentar ao longo dos anos. Candida albicans é a espécie mais frequentemente identificada como sendo responsável por este tipo de infecções, no entanto, o número de infecções provocadas por outras espécies de Candida ocorre cada vez com mais frequência. Uma das espécies recentemente identificadas, Candida dubliniensis, tem estado cada vez mais associada a infecções em doentes infectados com sida. Uma grande parte das infecções provocadas por Candida está relacionada com a formação de biofilmes na superfície de dispositivos médicos. As células que constituem os biofilmes apresentam características fenotípicas diferentes das células em suspensão, tais como um aumento de resistência aos antifúngicos e às defesas do hospedeiro. O principal objectivo deste trabalho foi a avaliação do efeito de dois dos antifúngicos mais utilizados em medicina (anfotericina B e fluconazol) em suspensões celulares e biofilmes de Candida albicans e Candida dubliniensis. Este estudo foi dividido em três partes. Numa primeira fase, foram desenvolvidas metodologias experimentais para a determinação da susceptibilidade de biofilme a antifúngicos aplicadas a biofilmes. As duas metodologias desenvolvidas basearam-se na avaliação da susceptibilidade através da determinação da inibição de crescimento celular por turbidimetria e por colorimetria, com a utilização de um sal de “tetrazolium” que reage com células activas. Numa segunda fase foram avaliados os efeitos da anfotericina B e do fluconazol em células suspensas e biofilmes, crescidos no meio indicado pelas normas do National Committee for Clinical Laboratory Standards (NCCLS), o RPMI, e num meio de saliva que representa uma aproximação das condições reais de crescimento das células na boca. Os resultados obtidos revelaram que comparativamente com as suspensões celulares, os biofilmes são mais resistentes aos antifúngicos e que o meio de cultura onde os microrganismos se desenvolvem influencia a sua susceptibilidade. Estes resultados reforçam a ideia de que os estudos realizados na avaliação da susceptibilidade de microrganismos a agentes antimicrobianos deverá ser efectuado tendo em conta o meio e a forma como as células se desenvolvem quando colonizam os seres vivos. Numa fase final do trabalho avaliou-se o efeito que as terapias antifúngicas de longa duração teriam sobre as espécies de Candida em estudo, nomeadamente no que respeita às propriedades superficiais e à capacidade de adesão. As células de Candida foram crescidas em meios com concentrações subinibitórias de itraconazol e anfotericina B e foi determinada a capacidade de adesão a superfícies orais – hidroxiapatite (que mimetiza o esmalte dos dentes) e acrílico. Este estudo permitiu concluir que embora a hidrofobicidade das células não seja alterada quando estas crescem na presença de antifúngicos, a sua capacidade de adesão é modificada.