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A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA): do conhecimento dos professores às práticas educativas no 1.º ciclo do ensino básico

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Resumo:A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA) é atualmente vista como uma lifespan disorder, isto é, uma perturbação de caráter permanente, cuja génese é multifatorial, com forte predisposição genética e desregulação neurobiológica (Schmidt & Petermann, 2009). Estima-se que afete cerca de 5% das crianças (APA, 2014) e conhece-se o risco elevado da existência de outras comorbilidades de natureza internalizante e externalizante (e.g., perturbação de ansiedade – PA; perturbação depressiva – PD; perturbação desafiante de oposição – PDO; perturbação do comportamento - PC, perturbação da aprendizagem específica – PAE), assim como outros problemas associados (e.g., académicos, comportamentais e sociais), que agravam o prognóstico e que poderão manter-se na idade adulta (Faraone et al., 2015). Em simultâneo, a literatura da especialidade revela que um sistema de sinalização eficiente, associado à implementação de estratégias educativas adequadas, produz alterações significativas no desempenho escolar e ajustamento social (DuPaul, Weyandt, & Janusis, 2011). Neste âmbito, importa dotar as escolas e os professores de um conjunto de ferramentas que lhes permitam operar uma sinalização eficiente e atempada, capacitando-os, simultaneamente, para o exercício de uma prática pedagógica eficaz. O âmago desta investigação passa pela convergência da análise do conhecimento dos professores acerca da PHDA (i.e., informação geral/mitos, epidemiologia/etiologia, comorbilidades/problemas associados, sinalização/diagnóstico/encaminhamento e intervenção), os principais problemas que esta perturbação causa em contexto escolar (i.e., ao nível académico, comportamental e social) e as práticas educativas adotadas com estes alunos (i.e., colaboração multidisciplinar na sinalização, diagnóstico e intervenção; estratégias de ensino diferenciadas em sala de aula; envolvimento parental; medidas de apoio educativo/educação especial). Tratou-se de uma investigação mista (quantitativa e qualitativa). O estudo 1 (quantitativo) pretendeu analisar o conhecimento de uma amostra de professores (n = 419) acerca da PHDA com recurso a um questionário construído e validado para o efeito (Questionário de Avaliação do Conhecimento da PHDA – QACP). A análise dos dados foi efetuada através do IBM –Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) – Versão 21 e recorremos aos Testes Wilcoxon-Mann-Whitney, Qui-Quadrado e Fisher para o estudo das variáveis selecionadas (i.e., formação em PHDA, experiência de ensino a alunos com PHDA e o setor de escola). O estudo 2 (qualitativo – estudo de caso múltiplo) visou uma compreensão mais aprofundada de dois fenómenos do estudo (i.e., analisar o impacto da PHDA em contexto escolar e o atendimento que é disponibilizado a estes alunos). Utilizou-se o método de triangulação de dados para validação empírica, com a aplicação de uma escala de avaliação comportamental (Vanderbilt ADHD Diagnostic Teacher Rating Scale – VADTRS) a alunos diagnosticados (ou em avaliação) com PHDA (n = 105); da entrevista semiestruturada, a uma amostra intencional de cinco docentes do 1.º Ciclo do ensino público e privado (cada qual com um aluno diagnosticado com PHDA); e da análise documental aos Processos Individuais (PIA) destes mesmos cinco alunos (um dos critérios de inclusão foi terem relatório clínico/psicopedagógico da PHDA). O tratamento estatístico foi efetuado através do teste Kruskal-Wallis e do Coeficiente de Correlação de Spearman, e a organização e análise dos dados qualitativos com o recurso ao programa informático Maxqda e ao método da análise documental (técnica da análise categorial). Os resultados deste estudo salientam a heterogeneidade e gravidade da PHDA (i.e., relativamente aos problemas académicos, comportamentais e sociais) e, por isso, a necessidade imperiosa de uma intervenção escolar de acordo com o caráter idiossincrático de cada caso. No entanto, é por demais evidente a falta de preparação dos docentes ao longo do seu percurso académico/formativo para o ensino destes estudantes (e.g., apenas 19.1% confirmou ter adquirido formação), que se traduz em algumas lacunas no conhecimento desta matéria (e.g., da etiologia e do diagnóstico), mas principalmente em insuficiências na implementação de metodologias que garantam melhorias no sucesso académico e comportamental destes alunos (e.g., estratégias comportamentais e cognitivo-comportamentais). Por outro lado, verificaram-se ainda falta de recursos humanos qualificados; pouca articulação entre os diferentes intervenientes/entidades; escassez de documentação de suporte ao diagnóstico; e inexistência de programas de colaboração casa-escola, que em nada abonam ao desenvolvimento das proclamadas escolas inclusivas.
Autores principais:Oliveira, Luís Carlos Martins de
Assunto:professores 1.º ciclo rendimento académico práticas educativas ADHD teachers of the 1st cycle academic achievement educational practices PHDA
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA) é atualmente vista como uma lifespan disorder, isto é, uma perturbação de caráter permanente, cuja génese é multifatorial, com forte predisposição genética e desregulação neurobiológica (Schmidt & Petermann, 2009). Estima-se que afete cerca de 5% das crianças (APA, 2014) e conhece-se o risco elevado da existência de outras comorbilidades de natureza internalizante e externalizante (e.g., perturbação de ansiedade – PA; perturbação depressiva – PD; perturbação desafiante de oposição – PDO; perturbação do comportamento - PC, perturbação da aprendizagem específica – PAE), assim como outros problemas associados (e.g., académicos, comportamentais e sociais), que agravam o prognóstico e que poderão manter-se na idade adulta (Faraone et al., 2015). Em simultâneo, a literatura da especialidade revela que um sistema de sinalização eficiente, associado à implementação de estratégias educativas adequadas, produz alterações significativas no desempenho escolar e ajustamento social (DuPaul, Weyandt, & Janusis, 2011). Neste âmbito, importa dotar as escolas e os professores de um conjunto de ferramentas que lhes permitam operar uma sinalização eficiente e atempada, capacitando-os, simultaneamente, para o exercício de uma prática pedagógica eficaz. O âmago desta investigação passa pela convergência da análise do conhecimento dos professores acerca da PHDA (i.e., informação geral/mitos, epidemiologia/etiologia, comorbilidades/problemas associados, sinalização/diagnóstico/encaminhamento e intervenção), os principais problemas que esta perturbação causa em contexto escolar (i.e., ao nível académico, comportamental e social) e as práticas educativas adotadas com estes alunos (i.e., colaboração multidisciplinar na sinalização, diagnóstico e intervenção; estratégias de ensino diferenciadas em sala de aula; envolvimento parental; medidas de apoio educativo/educação especial). Tratou-se de uma investigação mista (quantitativa e qualitativa). O estudo 1 (quantitativo) pretendeu analisar o conhecimento de uma amostra de professores (n = 419) acerca da PHDA com recurso a um questionário construído e validado para o efeito (Questionário de Avaliação do Conhecimento da PHDA – QACP). A análise dos dados foi efetuada através do IBM –Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) – Versão 21 e recorremos aos Testes Wilcoxon-Mann-Whitney, Qui-Quadrado e Fisher para o estudo das variáveis selecionadas (i.e., formação em PHDA, experiência de ensino a alunos com PHDA e o setor de escola). O estudo 2 (qualitativo – estudo de caso múltiplo) visou uma compreensão mais aprofundada de dois fenómenos do estudo (i.e., analisar o impacto da PHDA em contexto escolar e o atendimento que é disponibilizado a estes alunos). Utilizou-se o método de triangulação de dados para validação empírica, com a aplicação de uma escala de avaliação comportamental (Vanderbilt ADHD Diagnostic Teacher Rating Scale – VADTRS) a alunos diagnosticados (ou em avaliação) com PHDA (n = 105); da entrevista semiestruturada, a uma amostra intencional de cinco docentes do 1.º Ciclo do ensino público e privado (cada qual com um aluno diagnosticado com PHDA); e da análise documental aos Processos Individuais (PIA) destes mesmos cinco alunos (um dos critérios de inclusão foi terem relatório clínico/psicopedagógico da PHDA). O tratamento estatístico foi efetuado através do teste Kruskal-Wallis e do Coeficiente de Correlação de Spearman, e a organização e análise dos dados qualitativos com o recurso ao programa informático Maxqda e ao método da análise documental (técnica da análise categorial). Os resultados deste estudo salientam a heterogeneidade e gravidade da PHDA (i.e., relativamente aos problemas académicos, comportamentais e sociais) e, por isso, a necessidade imperiosa de uma intervenção escolar de acordo com o caráter idiossincrático de cada caso. No entanto, é por demais evidente a falta de preparação dos docentes ao longo do seu percurso académico/formativo para o ensino destes estudantes (e.g., apenas 19.1% confirmou ter adquirido formação), que se traduz em algumas lacunas no conhecimento desta matéria (e.g., da etiologia e do diagnóstico), mas principalmente em insuficiências na implementação de metodologias que garantam melhorias no sucesso académico e comportamental destes alunos (e.g., estratégias comportamentais e cognitivo-comportamentais). Por outro lado, verificaram-se ainda falta de recursos humanos qualificados; pouca articulação entre os diferentes intervenientes/entidades; escassez de documentação de suporte ao diagnóstico; e inexistência de programas de colaboração casa-escola, que em nada abonam ao desenvolvimento das proclamadas escolas inclusivas.