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As sanções impostas à Rússia em 2022 e as transformações no comércio de energia entre a União Europeia e a Rússia e nos fluxos do comércio internacional

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que levou à guerra entre os dois países, trouxe impactos e transformações geopolíticas decisivas nas relações internacionais. No entanto, estas alterações não se ficaram só pelo âmbito militar, sendo a dimensão económica, em particular o setor energético, dois domínios de análise imprescindíveis para compreender as implicações desta implementação das sanções. A dependência energética da UE relativamente a Rússia sempre foi uma matéria controversa, visto que desde a segunda metade do século XX até aos dias de hoje, os países europeus convergem numa lógica de integração europeia, tendo por base os valores da atual União Europeia, e estão energeticamente dependentes da Rússia, que não comunga dos mesmos valores. Esta situação, já antes do conflito, mostrava ser uma ameaça para o bem-estar dos países membros da eu, assim como dos seus cidadãos, visto que a Rússia detinha uma forte vantagem política e energética, que poderia ser usada a seu favor na prossecução de interesses nacionais e em detrimento dos seus parceiros comerciais. A imposição das sanções à Rússia provocou uma queda nas trocas energéticas entre o bloco europeu e a Rússia face às sanções impostas à Rússia no setor energético , que teve impacto em três tipos de atores: i) os países que, antes da eclosão do conflito, não exportavam ou exportavam pouco para a UE e que, após fevereiro de 2022, se tornaram-se em fornecedores habituais de energia para a UE; ii) Estados que, anteriormente ao início do conflito, já comercializavam energia com a UE e que, com a implementação das sanções aceleram as suas exportações para o bloco europeu; iii) os estados que, com a adoção das sanções, aumentaram as importações de energia russa. Apesar do conflito e das sanções da União Europeia terem provocado repercussões, nomeadamente, nos preços dos bens e no poder de compra dos cidadãos e na sua qualidade de vida, houve Estados que emergiram como grandes beneficiários da adoção destas sanções de diferentes formas. Alguns exportaram diretamente mais energia para a UE, outros importaram mais da Rússia a preços reduzidos, e outros ainda conseguiram assegurar acordos para o desenvolvimento de infraestruturas que permitissem uma maior exportação para a UE ou acordos que garantem quantidades de energia para a UE de forma a corresponder à sua procura. Ao estudar o setor energético, é crucial focar nos principais tipos de energia que a Rússia exporta para a UE e que contribuem para manter a dependência europeia - o petróleo bruto (transportado por mar ou por oleoduto), o gás natural e o gás natural liquidificado. Todavia, a Rússia, mesmo após a imposição das sanções, continua a estar presente na lista dos países de onde a UE importa energia. A dissertação procura, pois, explicar a razão da manutenção de fluxos de importação de energia da Rússia por parte da UE, e a aceitação da UE desta situação. O estudo mostra que certos membros da UE ainda importam fontes de energias russas, pois um corte imediato de todas as importações poderia implicar um colapso energético e, por conseguinte, económico, político e social nos seus países, nomeadamente aqueles mais próximos geograficamente da Rússia. Identificamos também como fator explicativo o facto de a UE ainda não ter tomado iniciativas para aplicar sanções em certos tipos de energia, como o gás natural liquidificado. Por outro lado, analisa-se, ainda, a entrada de petróleo russo na União Europeia, sem a possibilidade de rastrear a sua origem, bem como o seu o transporte e comercialização. Para além da proibição da importação por via marítima de petróleo e produtos petrolíferos russos e da fixação dos tetos (consultar capítulo 3) estabelecidos para ambos os bens, empresas ocidentais foram impedidas de transportar petróleo e produtos petrolíferos russos, caso estes sejam vendidos acima do teto estabelecido e, também, de fornecer serviços de cobertura para o transporte de petróleo e produtos petrolíferos russos vendidos acima dos tetos de preço. Contudo, o objetivo central deste estudo centra-se em descobrir que países foram os verdadeiros beneficiários da aplicação das sanções da UE e dos seus aliados à Rússia, pois não fora as sanções e a necessidade simultânea de satisfazer a procura energética da EU , e a existência de um país com recursos energéticos abundantes e que necessita de os escoar, possivelmente não ocorreriam alterações tão significativas na direção dos fluxos de comércio de produtos energéticos como os que se verificaram. Assim, serão analisados em detalhe os países que aumentaram, as suas exportações de energia para a UE, e os países que aumentaram as suas importações de fontes de energia russas a um preço mais acessível, e que permitiram à Rússia escoar a sua produção.
Autores principais:Ferreira, José Luís Araújo Almendra
Assunto:Comércio Conflito Energia Rússia Sanções Ucrânia Conflict Energy Russia Sanctions Trade Ukraine
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A invasão da Ucrânia por parte da Rússia, que levou à guerra entre os dois países, trouxe impactos e transformações geopolíticas decisivas nas relações internacionais. No entanto, estas alterações não se ficaram só pelo âmbito militar, sendo a dimensão económica, em particular o setor energético, dois domínios de análise imprescindíveis para compreender as implicações desta implementação das sanções. A dependência energética da UE relativamente a Rússia sempre foi uma matéria controversa, visto que desde a segunda metade do século XX até aos dias de hoje, os países europeus convergem numa lógica de integração europeia, tendo por base os valores da atual União Europeia, e estão energeticamente dependentes da Rússia, que não comunga dos mesmos valores. Esta situação, já antes do conflito, mostrava ser uma ameaça para o bem-estar dos países membros da eu, assim como dos seus cidadãos, visto que a Rússia detinha uma forte vantagem política e energética, que poderia ser usada a seu favor na prossecução de interesses nacionais e em detrimento dos seus parceiros comerciais. A imposição das sanções à Rússia provocou uma queda nas trocas energéticas entre o bloco europeu e a Rússia face às sanções impostas à Rússia no setor energético , que teve impacto em três tipos de atores: i) os países que, antes da eclosão do conflito, não exportavam ou exportavam pouco para a UE e que, após fevereiro de 2022, se tornaram-se em fornecedores habituais de energia para a UE; ii) Estados que, anteriormente ao início do conflito, já comercializavam energia com a UE e que, com a implementação das sanções aceleram as suas exportações para o bloco europeu; iii) os estados que, com a adoção das sanções, aumentaram as importações de energia russa. Apesar do conflito e das sanções da União Europeia terem provocado repercussões, nomeadamente, nos preços dos bens e no poder de compra dos cidadãos e na sua qualidade de vida, houve Estados que emergiram como grandes beneficiários da adoção destas sanções de diferentes formas. Alguns exportaram diretamente mais energia para a UE, outros importaram mais da Rússia a preços reduzidos, e outros ainda conseguiram assegurar acordos para o desenvolvimento de infraestruturas que permitissem uma maior exportação para a UE ou acordos que garantem quantidades de energia para a UE de forma a corresponder à sua procura. Ao estudar o setor energético, é crucial focar nos principais tipos de energia que a Rússia exporta para a UE e que contribuem para manter a dependência europeia - o petróleo bruto (transportado por mar ou por oleoduto), o gás natural e o gás natural liquidificado. Todavia, a Rússia, mesmo após a imposição das sanções, continua a estar presente na lista dos países de onde a UE importa energia. A dissertação procura, pois, explicar a razão da manutenção de fluxos de importação de energia da Rússia por parte da UE, e a aceitação da UE desta situação. O estudo mostra que certos membros da UE ainda importam fontes de energias russas, pois um corte imediato de todas as importações poderia implicar um colapso energético e, por conseguinte, económico, político e social nos seus países, nomeadamente aqueles mais próximos geograficamente da Rússia. Identificamos também como fator explicativo o facto de a UE ainda não ter tomado iniciativas para aplicar sanções em certos tipos de energia, como o gás natural liquidificado. Por outro lado, analisa-se, ainda, a entrada de petróleo russo na União Europeia, sem a possibilidade de rastrear a sua origem, bem como o seu o transporte e comercialização. Para além da proibição da importação por via marítima de petróleo e produtos petrolíferos russos e da fixação dos tetos (consultar capítulo 3) estabelecidos para ambos os bens, empresas ocidentais foram impedidas de transportar petróleo e produtos petrolíferos russos, caso estes sejam vendidos acima do teto estabelecido e, também, de fornecer serviços de cobertura para o transporte de petróleo e produtos petrolíferos russos vendidos acima dos tetos de preço. Contudo, o objetivo central deste estudo centra-se em descobrir que países foram os verdadeiros beneficiários da aplicação das sanções da UE e dos seus aliados à Rússia, pois não fora as sanções e a necessidade simultânea de satisfazer a procura energética da EU , e a existência de um país com recursos energéticos abundantes e que necessita de os escoar, possivelmente não ocorreriam alterações tão significativas na direção dos fluxos de comércio de produtos energéticos como os que se verificaram. Assim, serão analisados em detalhe os países que aumentaram, as suas exportações de energia para a UE, e os países que aumentaram as suas importações de fontes de energia russas a um preço mais acessível, e que permitiram à Rússia escoar a sua produção.