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A lusofonia como promessa e o seu equívoco lusocêntrico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A lusofonia como representação de um espaço supranacional de língua e cultura incorre num equívoco topocêntrico. Nela sempre Portugal se fixou morbidamente, gozando a diferença que o caracteriza, ou o imagina tal, no contexto de outros povos, nações e culturas {Eduardo Lourenço, 1994). Mas existem igualmente potencialidades. A afirmação de uma área cultural de influência, baseada numa língua comum, mas que transcende largamente a questão linguística, mobilizando mesmo povos inteiros, os seus governos, as suas organizações não-governamentais, a sociedade civil. Também o reconhecimento no espaço lusófono de realidades radicalmente distintas umas das outras. E ainda, o reconhecimento de uma comunidade pouco coesa e muito desigual, afectada por desiquilibrios demográficos, culturais e económicos flagrantes. Partilhando, é certo, distintas posições de vulnerabilidade, diante dos efeitos de processos transnacionais que não dominam, podem, todavia, os países lusófonos fazer uma leitura afirmativa e prospectiva da sua presença no mundo, valorizando a tensão entre o ser ou o poder ser margem e o ser ou poder ser parte inteira.
Autores principais:Martins, Moisés de Lemos
Assunto:Pós-colonialismo Lusofonia Identidade Simbolismo Área cultural
Ano:2006
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A lusofonia como representação de um espaço supranacional de língua e cultura incorre num equívoco topocêntrico. Nela sempre Portugal se fixou morbidamente, gozando a diferença que o caracteriza, ou o imagina tal, no contexto de outros povos, nações e culturas {Eduardo Lourenço, 1994). Mas existem igualmente potencialidades. A afirmação de uma área cultural de influência, baseada numa língua comum, mas que transcende largamente a questão linguística, mobilizando mesmo povos inteiros, os seus governos, as suas organizações não-governamentais, a sociedade civil. Também o reconhecimento no espaço lusófono de realidades radicalmente distintas umas das outras. E ainda, o reconhecimento de uma comunidade pouco coesa e muito desigual, afectada por desiquilibrios demográficos, culturais e económicos flagrantes. Partilhando, é certo, distintas posições de vulnerabilidade, diante dos efeitos de processos transnacionais que não dominam, podem, todavia, os países lusófonos fazer uma leitura afirmativa e prospectiva da sua presença no mundo, valorizando a tensão entre o ser ou o poder ser margem e o ser ou poder ser parte inteira.