Publicação
Resiliência familiar e risco psicossocial: estudo das percepções das famílias e dos profissionais que as acompanham
| Resumo: | Este estudo descritivo pretende contribuir, no plano conceptual e empírico, para aprofundar o constructo da resiliência familiar. Para tal, baseámo-nos nas descrições do funcionamento familiar resiliente fazendo uso do método Q-sort, metodologia que permitiu a padronização das perceções das famílias em risco psicossocial e dos profissionais que as acompanhavam no sistema de proteção, e delas extrair as configurações de risco e proteção segundo as perspetivas de cada grupo. Concomitantemente, realizámos um estudo de validação de constructo por peritos que efetuaram descrições protótipo da resiliência familiar, possibilitando à posteriori comparar os Q-sorts das famílias e dos profissionais com esta medida de critério. Para a concretização deste estudo construímos, de raiz, o Q-set da Resiliência Familiar, uma medida ipsativa assente no método Q-sort (Block, 2008) e no modelo de resiliência familiar de Walsh (1998, 2005). Este instrumento de avaliação psicológica foi aplicado junto de 16 peritos na área e de uma amostra constituída por 30 famílias de menores com medida de promoção e de proteção em vigor, e pelos respetivos gestores de caso (n=17 profissionais). A análise e o tratamento dos dados recorreu a estatísticas descritivas, análises correlacionais e testes de diferença de médias, seguidas de uma análise conceptual conforme as dimensões propostas por Walsh (1998, 2005). As correlações positivas e significativas obtidas entre as descrições protótipo dos peritos para um nível de significância de p < .01 e coeficiente de consistência interna de α = .98 conferem ao Q-set suficiente fiabilidade e rigor empírico para a avaliação da resiliência familiar. Nas suas avaliações, famílias e profissionais combinam os traços de risco e de proteção que efetivamente caracterizam o funcionamento familiar resiliente no risco psicossocial. As diferenças não significativas entre médias e as correlações estatisticamente positivas obtidas entre as suas classificações para níveis de significância entre p ≤ .10 e p ≤ .001 demonstram uma semelhança entre perspetivas. As famílias relativizam, porém, a perceção do risco a favor de competências e forças, o que as aproxima mais da medida protótipo. Os profissionais atenuam a proteção a favor da valorização de indicadores de risco. Destas análises conceptual e empírica extraem-se importantes contributos para as práticas de apoio à família, dos quais se destacam os indicadores de proteção imprescindíveis para a avaliação do funcionamento resiliente e prevenção de uma visão centrada no risco. A valorização das crenças positivas, da flexibilidade, da mobilização da rede social de suporte e da resolução colaborativa dos problemas estão entre esses indicadores que mais e melhor contribuem para a configuração da resiliência familiar. |
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| Autores principais: | Miranda, Cláudia Sofia Sampaio |
| Assunto: | Resiliência familiar Risco psicossocial Q-set da resiliência familiar Perceções dos profissionais e das famílias Protótipo Family resilience Psychosocial risk Family resilience Q-set Perceptions of professionals and families Prototype Ciências Sociais::Ciências da Educação |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Este estudo descritivo pretende contribuir, no plano conceptual e empírico, para aprofundar o constructo da resiliência familiar. Para tal, baseámo-nos nas descrições do funcionamento familiar resiliente fazendo uso do método Q-sort, metodologia que permitiu a padronização das perceções das famílias em risco psicossocial e dos profissionais que as acompanhavam no sistema de proteção, e delas extrair as configurações de risco e proteção segundo as perspetivas de cada grupo. Concomitantemente, realizámos um estudo de validação de constructo por peritos que efetuaram descrições protótipo da resiliência familiar, possibilitando à posteriori comparar os Q-sorts das famílias e dos profissionais com esta medida de critério. Para a concretização deste estudo construímos, de raiz, o Q-set da Resiliência Familiar, uma medida ipsativa assente no método Q-sort (Block, 2008) e no modelo de resiliência familiar de Walsh (1998, 2005). Este instrumento de avaliação psicológica foi aplicado junto de 16 peritos na área e de uma amostra constituída por 30 famílias de menores com medida de promoção e de proteção em vigor, e pelos respetivos gestores de caso (n=17 profissionais). A análise e o tratamento dos dados recorreu a estatísticas descritivas, análises correlacionais e testes de diferença de médias, seguidas de uma análise conceptual conforme as dimensões propostas por Walsh (1998, 2005). As correlações positivas e significativas obtidas entre as descrições protótipo dos peritos para um nível de significância de p < .01 e coeficiente de consistência interna de α = .98 conferem ao Q-set suficiente fiabilidade e rigor empírico para a avaliação da resiliência familiar. Nas suas avaliações, famílias e profissionais combinam os traços de risco e de proteção que efetivamente caracterizam o funcionamento familiar resiliente no risco psicossocial. As diferenças não significativas entre médias e as correlações estatisticamente positivas obtidas entre as suas classificações para níveis de significância entre p ≤ .10 e p ≤ .001 demonstram uma semelhança entre perspetivas. As famílias relativizam, porém, a perceção do risco a favor de competências e forças, o que as aproxima mais da medida protótipo. Os profissionais atenuam a proteção a favor da valorização de indicadores de risco. Destas análises conceptual e empírica extraem-se importantes contributos para as práticas de apoio à família, dos quais se destacam os indicadores de proteção imprescindíveis para a avaliação do funcionamento resiliente e prevenção de uma visão centrada no risco. A valorização das crenças positivas, da flexibilidade, da mobilização da rede social de suporte e da resolução colaborativa dos problemas estão entre esses indicadores que mais e melhor contribuem para a configuração da resiliência familiar. |
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