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Alteridade e identidade na ficção cinematográfica em Portugal e em Moçambique

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Resumo:A presente tese visa compreender as representações identitárias veiculadas pelo cinema ficcional, em Portugal e em Moçambique, e como são negociadas por públicos de ambos os países. Mais especificamente, trata-se de perceber os modelos dominantes de representação de “nós” e do “outro” em longas-metragens de ficção de ambos os países, e posteriormente perceber como são discutidos por públicos portugueses e moçambicanos, filmes estreados entre 2006 e 2015. Durante este processo, descortina-se também a capacidade que o cinema contemporâneo revela, ou não, de propor imagens alternativas (aos referidos modelos dominantes) do “outro” africano/europeu. É levada a cabo uma aproximação ao Filme, nos dois países, em três etapas: analisa-se a construção das cinematografias, a circulação de Poder entre ambas e, mais especificamente, as formas de representação do “nós” na relação com um “outro”, sobretudo depois de 1975, porém considerando os legados anteriores. Depois, analisa-se o percurso e o discurso de autores específicos, sobre o cinema, os meios de produção, os regimes políticos e contextos internacionais, privilegiando o contributo dos cineastas, mas também o da crítica especializada e a legislação. Nesta fase, além de considerada globalmente a obra de cada autor, aprofundase a reflexão sobre um filme particular. Por fim, tendo como base discussões promovidas especificamente para esta investigação, analisa-se o discurso de públicos não especializados, em ambos os países, sobre o corpo fílmico selecionado. A reflexão que este trabalho constitui encontra uma profunda e pesada herança discursiva do passado colonial – ainda que por oposição, ou negação - tanto nos discursos fílmicos ao longo do tempo e no momento presente, como nas relações entre as culturas cinematográficas Portugal/Moçambique, ou Norte/Sul, como ainda nos diálogos que espectadores, de ambos os países, estabelecem com as obras e com um “outro” africano ou europeu. O cinema que ensaia contrapor discursos alternativos aos modelos hegemónicos comunica dificilmente com públicos não especializados e esta dificuldade é agravada pelo desinteresse mútuo (Portugal/Moçambique) a que ambas as cinematografias são votadas.
Autores principais:Pereira, Ana Cristina
Assunto:Alteridade cinema moçambicano cinema português identidade memória Identity memory Mozambican cinema otherness Portuguese cinema
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A presente tese visa compreender as representações identitárias veiculadas pelo cinema ficcional, em Portugal e em Moçambique, e como são negociadas por públicos de ambos os países. Mais especificamente, trata-se de perceber os modelos dominantes de representação de “nós” e do “outro” em longas-metragens de ficção de ambos os países, e posteriormente perceber como são discutidos por públicos portugueses e moçambicanos, filmes estreados entre 2006 e 2015. Durante este processo, descortina-se também a capacidade que o cinema contemporâneo revela, ou não, de propor imagens alternativas (aos referidos modelos dominantes) do “outro” africano/europeu. É levada a cabo uma aproximação ao Filme, nos dois países, em três etapas: analisa-se a construção das cinematografias, a circulação de Poder entre ambas e, mais especificamente, as formas de representação do “nós” na relação com um “outro”, sobretudo depois de 1975, porém considerando os legados anteriores. Depois, analisa-se o percurso e o discurso de autores específicos, sobre o cinema, os meios de produção, os regimes políticos e contextos internacionais, privilegiando o contributo dos cineastas, mas também o da crítica especializada e a legislação. Nesta fase, além de considerada globalmente a obra de cada autor, aprofundase a reflexão sobre um filme particular. Por fim, tendo como base discussões promovidas especificamente para esta investigação, analisa-se o discurso de públicos não especializados, em ambos os países, sobre o corpo fílmico selecionado. A reflexão que este trabalho constitui encontra uma profunda e pesada herança discursiva do passado colonial – ainda que por oposição, ou negação - tanto nos discursos fílmicos ao longo do tempo e no momento presente, como nas relações entre as culturas cinematográficas Portugal/Moçambique, ou Norte/Sul, como ainda nos diálogos que espectadores, de ambos os países, estabelecem com as obras e com um “outro” africano ou europeu. O cinema que ensaia contrapor discursos alternativos aos modelos hegemónicos comunica dificilmente com públicos não especializados e esta dificuldade é agravada pelo desinteresse mútuo (Portugal/Moçambique) a que ambas as cinematografias são votadas.