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O lugar da infância em tempos de crise

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Resumo:Este trabalho incide no estudo acerca das representações que as crianças têm da crise socioeconómica. A investigação organizou-se em dois momentos que envolveram de forma diferenciada as crianças que nela participaram. Num primeiro momento, desenvolveu-se uma investigação participativa com um grupo de crianças que foram responsáveis pelo design e aplicação das entrevistas previstas na investigação, realizadas posteriormente com um outro grupo de crianças, as quais foram os informantes privilegiados da pesquisa e de cujas narrativas resultou o material analisado. Assim sendo, é objetivo desta investigação compreender de que forma as crianças percecionam a crise socioeconómica e que espaço encontram para a concretização da sua cidadania, foi possível estabelecermos uma leitura heterogénea dos seus diálogos e narrativas que encontram eco nas posições adulto-centrados. Preocupamo-nos, por um lado, em tentar saber de que modo as condições socioeconómicas caracterizam e interferem na construção da identidade social das crianças, pela forma como se posicionam a si e aos outros na esfera social. Por outro lado, pretendemos perceber que estratégias e que dinâmicas definem nos seus quotidianos para fazer face às adversidades e que posições resilientes encontram nos seus mundos de vida. O trabalho empírico é apresentado ao longo de várias dimensões que retratam as representações destas crianças acerca da crise, nomeadamente: as ambivalências do retrato de um país em crise visto pelas crianças; as implicações da crise económica na vida das crianças; a infância protegida versus infância desprotegida em tempos de crise; as propostas das crianças para evitar e solucionar a crise; os mecanismos de defesa perante uma crise, e, ainda as medidas que as crianças tomariam se eu mandasse no país. Neste processo é, ainda, relevante ilustrar que tipo de estratégias as crianças usam quando se revêm como participantes ativos no exercício dos seus direitos, quer seja os direitos de proteção, de participação ou de cidadania. Os resultados da investigação vêm demostrar que as crianças não revelam atitudes de passividade ou de indiferença relativamente às questões que se prendem com o meio social e económico do país, pois ao longo do trabalho pudemos constatar que foram formando opiniões que anunciam que, estas crianças apresentam as características defendidas pela sociologia da infância, i.e. são identificadas como sujeitos de direitos e aplicam a sua voz para dar visibilidade ao exercício da sua cidadania.
Autores principais:Machado, Natália Cristina da Silva e Sá
Assunto:Globalização Crise Infância Pobreza infantil Consumo Cidadania Participação Globalization Crisis Childhood Infantile poverty Consumption Citizenship Participation
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este trabalho incide no estudo acerca das representações que as crianças têm da crise socioeconómica. A investigação organizou-se em dois momentos que envolveram de forma diferenciada as crianças que nela participaram. Num primeiro momento, desenvolveu-se uma investigação participativa com um grupo de crianças que foram responsáveis pelo design e aplicação das entrevistas previstas na investigação, realizadas posteriormente com um outro grupo de crianças, as quais foram os informantes privilegiados da pesquisa e de cujas narrativas resultou o material analisado. Assim sendo, é objetivo desta investigação compreender de que forma as crianças percecionam a crise socioeconómica e que espaço encontram para a concretização da sua cidadania, foi possível estabelecermos uma leitura heterogénea dos seus diálogos e narrativas que encontram eco nas posições adulto-centrados. Preocupamo-nos, por um lado, em tentar saber de que modo as condições socioeconómicas caracterizam e interferem na construção da identidade social das crianças, pela forma como se posicionam a si e aos outros na esfera social. Por outro lado, pretendemos perceber que estratégias e que dinâmicas definem nos seus quotidianos para fazer face às adversidades e que posições resilientes encontram nos seus mundos de vida. O trabalho empírico é apresentado ao longo de várias dimensões que retratam as representações destas crianças acerca da crise, nomeadamente: as ambivalências do retrato de um país em crise visto pelas crianças; as implicações da crise económica na vida das crianças; a infância protegida versus infância desprotegida em tempos de crise; as propostas das crianças para evitar e solucionar a crise; os mecanismos de defesa perante uma crise, e, ainda as medidas que as crianças tomariam se eu mandasse no país. Neste processo é, ainda, relevante ilustrar que tipo de estratégias as crianças usam quando se revêm como participantes ativos no exercício dos seus direitos, quer seja os direitos de proteção, de participação ou de cidadania. Os resultados da investigação vêm demostrar que as crianças não revelam atitudes de passividade ou de indiferença relativamente às questões que se prendem com o meio social e económico do país, pois ao longo do trabalho pudemos constatar que foram formando opiniões que anunciam que, estas crianças apresentam as características defendidas pela sociologia da infância, i.e. são identificadas como sujeitos de direitos e aplicam a sua voz para dar visibilidade ao exercício da sua cidadania.