Publicação

Um ilustre biografado numa contingência suis generis

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A coragem, a ousadia e o empreendimento inovador para a época, respondendo a uma questão fundamental num tempo ainda de escuridão sobre cartografia, navegabilidade e prova (empírica) da “esfericidade” da Terra, colocam Fernão de Magalhães, entre outras coisas, como um dos pioneiros a pegar numa massa de conhecimentos teóricos e a colocá-los em prática, iniciando assim o caminho da investigação-ação. A circum-navegação é, de múltiplos modos, um outro modo de dizer “ciência”, uma ciência capaz de extravasar o simples diagnóstico ou a mera exposição de uma tese – a de que a Terra era circular e não plana – e de concretizar não apenas a experiência, mas também a aventura do que é obter uma tão decisiva prova científica. Para Giorgio Agamben (A Medicina como Religião, 2020), o Ocidente moderno, depois das primeiras viagens marítimas, terá ficado decisivamente marcado pela coexistência de “três principais crenças: o cristianismo, o capitalismo e a ciência”. Por este prisma, Fernão de Magalhães, ao abrir a possibilidade de novas rotas, contribuiu fortemente para maior dinamização destas três crenças: para o capitalismo, na medida em que possibilitara novas rotas comerciais e uma maior aceleração do comércio a nível global; para o cristianismo, porque permitira a criação de uma maior consistência na sua difusão, no sentido de colocar a Europa como centro de exploração e de poder comercial e assim concretizando maior dinamização nas colonizações que estavam já em marcha (colonizações, culturais, comerciais, sociais e religiosas); e para a ciência, não apenas na cartografia e na navegabilidade como também na possibilidade de acesso a territórios e na subsequente possibilidade de geração de novos conhecimentos (geográficos, geológicos, antropológicos, zoológicos, hidrográficos, orográficos, etc.).
Autores principais:Costa, Pedro Rodrigues
Assunto:Fernão Magalhães Ciência Contingência História
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A coragem, a ousadia e o empreendimento inovador para a época, respondendo a uma questão fundamental num tempo ainda de escuridão sobre cartografia, navegabilidade e prova (empírica) da “esfericidade” da Terra, colocam Fernão de Magalhães, entre outras coisas, como um dos pioneiros a pegar numa massa de conhecimentos teóricos e a colocá-los em prática, iniciando assim o caminho da investigação-ação. A circum-navegação é, de múltiplos modos, um outro modo de dizer “ciência”, uma ciência capaz de extravasar o simples diagnóstico ou a mera exposição de uma tese – a de que a Terra era circular e não plana – e de concretizar não apenas a experiência, mas também a aventura do que é obter uma tão decisiva prova científica. Para Giorgio Agamben (A Medicina como Religião, 2020), o Ocidente moderno, depois das primeiras viagens marítimas, terá ficado decisivamente marcado pela coexistência de “três principais crenças: o cristianismo, o capitalismo e a ciência”. Por este prisma, Fernão de Magalhães, ao abrir a possibilidade de novas rotas, contribuiu fortemente para maior dinamização destas três crenças: para o capitalismo, na medida em que possibilitara novas rotas comerciais e uma maior aceleração do comércio a nível global; para o cristianismo, porque permitira a criação de uma maior consistência na sua difusão, no sentido de colocar a Europa como centro de exploração e de poder comercial e assim concretizando maior dinamização nas colonizações que estavam já em marcha (colonizações, culturais, comerciais, sociais e religiosas); e para a ciência, não apenas na cartografia e na navegabilidade como também na possibilidade de acesso a territórios e na subsequente possibilidade de geração de novos conhecimentos (geográficos, geológicos, antropológicos, zoológicos, hidrográficos, orográficos, etc.).