Publicação
Contributos para a elucidação do modo de ação de própolis português: o caso do própolis do Pereiro
| Resumo: | O própolis é uma mistura complexa resinosa e balsâmica produzida pelas abelhas em suas colmeias, particularmente por Apis mellifera L.. As abelhas usam própolis para construir locais asséticos para a postura dos ovos da abelha rainha, para revestir fendas e fissuras, como barreira contra invasores e para controlar a proliferação de microrganismos. Este produto natural exibe uma vasta gama de propriedades biológicas para aplicações terapêuticas, entre as quais se destacam as propriedades antibacteriana, antifúngica e antioxidante. O espetro das bioatividades varia com a localização geográfica da colmeia, com a flora local e o clima, estando associado à presença de compostos específicos como flavonóides, ácidos aromáticos e ácidos fenólicos. Com a perspetiva de utilização de própolis em várias aplicações futuras, o objetivo deste estudo passou por avaliar e comparar as propriedades biológicas de extratos etanólicos (EE) de amostras de própolis português recolhidas num apiário da Beira Alta (Pereiro, P) nos anos de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014. Utilizando como modelo biológico a levedura Sacharomyces cerevisiae foi avaliada a influência de própolis na viabilidade destas células eucariotas, quer em meio fermentativo quer respiratório. De modo a compreender o modo de ação do própolis do Pereiro, procedeu-se ainda à avaliação da sensibilidade de mutantes aos extratos em ensaios de viabilidade e procurou-se esclarecer qual a influência dos extratos no potencial da membrana mitocondrial, recorrendo-se para o efeito à citometria de fluxo. As atividades antibacteriana e antifúngica contra um painel de bactérias e leveduras de interesse clínico e biotecnológico foram igualmente avaliadas neste trabalho, utilizando-se o método de diluição em agar. As propriedades antioxidantes dos EE foram também caracterizadas, sendo avaliadas em ensaios de viabilidade - quer em condições de co- quer de pré-incubação com o agente oxidante H2O2 - e por citometria de fluxo. Para completar o presente estudo, procedeu-se ainda à avaliação do efeito genotóxico do própolis em células de S. cerevisiae através do ensaio cometa. Os resultados mostraram que os extratos de própolis do Pereiro são citotóxicos e genotóxicos em meio fermentativo, com a exceção do extrato preparado com a amostra colhida em 2012. Todos os extratos mostraram atividade antioxidante, quer em ensaios de viabilidade quer por citometria de fluxo. Em relação ao modo de ação dos extratos, os resultados sugerem uma influência do própolis na linha de defesa oxidativa, na via da biogénese e acidificação vacuolar, nos fenómenos autofágicos e na morte celular por apoptose. As diferenças nos espetros de atividade antimicrobiana mostraram-se significativas entre os diferentes extratos. Paralelamente, os extratos de própolis do Pereiro têm um comportamento antagónico, sendo fortes antioxidantes a baixas concentrações mas tóxicos para as células a concentrações mais elevadas. Apesar das diferenças em algumas atividades biológicas, estudos preliminares de caracterização química sugerem que os cinco extratos são muito semelhantes em termos dos compostos fenólicos que os constituem, variando apenas na sua concentração, mas uma análise mais aprofundada será necessária para identificar os compostos bioativos nas diferentes amostras. Tendo em conta os resultados obtidos, uma futura aplicação na indústria farmacêutica, cosmética e alimentar pode ser ponderada para o própolis do Pereiro. |
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| Autores principais: | Marques, Rita Alexandra Cardoso |
| Assunto: | Própolis Atividade antimicrobiana Atividade antioxidante Citotoxicidade Genotoxicidade Modo de ação Antimicrobial activity Antioxidant activity Cytotoxicity Genotoxicity Mode of action |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O própolis é uma mistura complexa resinosa e balsâmica produzida pelas abelhas em suas colmeias, particularmente por Apis mellifera L.. As abelhas usam própolis para construir locais asséticos para a postura dos ovos da abelha rainha, para revestir fendas e fissuras, como barreira contra invasores e para controlar a proliferação de microrganismos. Este produto natural exibe uma vasta gama de propriedades biológicas para aplicações terapêuticas, entre as quais se destacam as propriedades antibacteriana, antifúngica e antioxidante. O espetro das bioatividades varia com a localização geográfica da colmeia, com a flora local e o clima, estando associado à presença de compostos específicos como flavonóides, ácidos aromáticos e ácidos fenólicos. Com a perspetiva de utilização de própolis em várias aplicações futuras, o objetivo deste estudo passou por avaliar e comparar as propriedades biológicas de extratos etanólicos (EE) de amostras de própolis português recolhidas num apiário da Beira Alta (Pereiro, P) nos anos de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014. Utilizando como modelo biológico a levedura Sacharomyces cerevisiae foi avaliada a influência de própolis na viabilidade destas células eucariotas, quer em meio fermentativo quer respiratório. De modo a compreender o modo de ação do própolis do Pereiro, procedeu-se ainda à avaliação da sensibilidade de mutantes aos extratos em ensaios de viabilidade e procurou-se esclarecer qual a influência dos extratos no potencial da membrana mitocondrial, recorrendo-se para o efeito à citometria de fluxo. As atividades antibacteriana e antifúngica contra um painel de bactérias e leveduras de interesse clínico e biotecnológico foram igualmente avaliadas neste trabalho, utilizando-se o método de diluição em agar. As propriedades antioxidantes dos EE foram também caracterizadas, sendo avaliadas em ensaios de viabilidade - quer em condições de co- quer de pré-incubação com o agente oxidante H2O2 - e por citometria de fluxo. Para completar o presente estudo, procedeu-se ainda à avaliação do efeito genotóxico do própolis em células de S. cerevisiae através do ensaio cometa. Os resultados mostraram que os extratos de própolis do Pereiro são citotóxicos e genotóxicos em meio fermentativo, com a exceção do extrato preparado com a amostra colhida em 2012. Todos os extratos mostraram atividade antioxidante, quer em ensaios de viabilidade quer por citometria de fluxo. Em relação ao modo de ação dos extratos, os resultados sugerem uma influência do própolis na linha de defesa oxidativa, na via da biogénese e acidificação vacuolar, nos fenómenos autofágicos e na morte celular por apoptose. As diferenças nos espetros de atividade antimicrobiana mostraram-se significativas entre os diferentes extratos. Paralelamente, os extratos de própolis do Pereiro têm um comportamento antagónico, sendo fortes antioxidantes a baixas concentrações mas tóxicos para as células a concentrações mais elevadas. Apesar das diferenças em algumas atividades biológicas, estudos preliminares de caracterização química sugerem que os cinco extratos são muito semelhantes em termos dos compostos fenólicos que os constituem, variando apenas na sua concentração, mas uma análise mais aprofundada será necessária para identificar os compostos bioativos nas diferentes amostras. Tendo em conta os resultados obtidos, uma futura aplicação na indústria farmacêutica, cosmética e alimentar pode ser ponderada para o própolis do Pereiro. |
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