Publicação

Nota introdutória: a modernidade e a pós-modernidade em foco

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As ciências sociais, que tinham a pretensão de antecipar os acontecimentos, mostraram-se muitas vezes em atraso sobre eles. Defraudaram a sua vocação ao pensar que deviam dirigir o mundo e dar-lhe um rumo certo, um rumo que era inerente à história do Ocidente, à maneira como este sempre se concebeu, em virtude das suas raízes judaico-cristãs: o rumo da cidade celeste (Santo Agostinho), o do controlo da natureza (Descartes), o da imposição da liberdade (Rousseau), o do reino dos fins como resultado da autonomia da vontade (Kant), o da perfectibilidade do Homem (Condorcet), o do estado positivo (Comte), o da emancipação do Homem (Marx), o dos princípios de justiça (Rawls). É como se o Ocidente não pudesse conhecer outro caminho do que aquele que a razão universal traçou para ele. A raiz judaico-cristã do Ocidente alastrou-se a todos os domínios de actividade, inclusive à especulação filosófica e científica, assim como à experiência política. É como se a teologia desembocasse necessariamente numa teleologia, e que esta contaminasse, por efeito de contágio, a filosofia, a ciência e a política. Daí que Julien Freund tenha advogado uma filosofia que fosse filosófica, ou seja, que permitisse multiplicar até ao infinito as perspectivas de apreensão do ser e de atribuição de sentido ao mundo e à existência, em vez de determinar de forma unidimensional o que deve ser e advir. É assim que Michel Maffesoli defende uma sociologia que seja compreensiva em vez de explicativa, descritiva em vez de analítica, insistindo sobre a raiz comunitária e, por conseguinte, sentimental e passional do político. O presente recupera motivos do passado que são adaptados à modernidade. O tempo do filósofo-rei ou do sociólogo-rei já passou.
Autores principais:Gonçalves, Albertino
Outros Autores:Rabot, Jean-Martin
Assunto:Modernidade Pós-modernidade Cultura Indivíduo Símbolos Modernity Post-modernity Culture Individual Symbols
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As ciências sociais, que tinham a pretensão de antecipar os acontecimentos, mostraram-se muitas vezes em atraso sobre eles. Defraudaram a sua vocação ao pensar que deviam dirigir o mundo e dar-lhe um rumo certo, um rumo que era inerente à história do Ocidente, à maneira como este sempre se concebeu, em virtude das suas raízes judaico-cristãs: o rumo da cidade celeste (Santo Agostinho), o do controlo da natureza (Descartes), o da imposição da liberdade (Rousseau), o do reino dos fins como resultado da autonomia da vontade (Kant), o da perfectibilidade do Homem (Condorcet), o do estado positivo (Comte), o da emancipação do Homem (Marx), o dos princípios de justiça (Rawls). É como se o Ocidente não pudesse conhecer outro caminho do que aquele que a razão universal traçou para ele. A raiz judaico-cristã do Ocidente alastrou-se a todos os domínios de actividade, inclusive à especulação filosófica e científica, assim como à experiência política. É como se a teologia desembocasse necessariamente numa teleologia, e que esta contaminasse, por efeito de contágio, a filosofia, a ciência e a política. Daí que Julien Freund tenha advogado uma filosofia que fosse filosófica, ou seja, que permitisse multiplicar até ao infinito as perspectivas de apreensão do ser e de atribuição de sentido ao mundo e à existência, em vez de determinar de forma unidimensional o que deve ser e advir. É assim que Michel Maffesoli defende uma sociologia que seja compreensiva em vez de explicativa, descritiva em vez de analítica, insistindo sobre a raiz comunitária e, por conseguinte, sentimental e passional do político. O presente recupera motivos do passado que são adaptados à modernidade. O tempo do filósofo-rei ou do sociólogo-rei já passou.