Publicação
Medir a sociedade da informação no contexto regional: um novo instrumento e a sua aplicação à situação actual
| Resumo: | A Sociedade da Informação encerra, em si mesmo, um conjunto de características disruptivas em relação a modelos anteriores de organização da sociedade, assumindo a informação um papel central em toda actividade humana (Castells 2004). As Tecnologias da Informação e Comunicação evoluem a ritmos alucinantes, sendo essencial, para o exercício pleno da cidadania e para a competividade das empresas, a posse de competências e condições para a sua utilização. De facto, vários estudos académicos apontam para a existência de impactos económicos e sociais bastante relevantes das TIC, pelo que ficar à margem deste fenómeno poderá cria, inevitavelmente, no caso dos cidadãos, inibições à qualidade de vida e ao exercício da cidadania e, no caso das empresas, perdas de competitividade e de oportunidades no contexto global. Por outro lado, são inúmeras as organizações que promovem tentativas de medição do estado de integração e desenvolvimento das nações em matérias de Sociedade da Informação, fazendo ressaltar assimetrias entre países, que estão em linha com comparações entre países noutros indicadores de desenvolvimento. Em Portugal, o desenvolvimento da Sociedade da Informação tem seguido de perto os padrões europeus, mesmo ao nível da definição de políticas públicas concebidas especificamente para esse fim. No entanto, o nosso fraco posicionamento relativo em indicadores estruturantes tais como o PIB per capita ou mesmo o nível de habilitações da população, inibem que Portugal beneficie das oportunidades geradas pela Sociedade da Informação a um nível idêntico aos parceiros europeus mais desenvolvidos. Num contexto mais global, as assimetrias existentes a vários níveis entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento não estão a ser atenuadas no contexto da Socedade da Informação, o que acaba por constituir um contra-senso face ao potencial reconhecido para as TIC em termos de oportunidades geradas. Uma das questões que se colocam na actualidade resulta, assim, da necessidade de se medir o grau de desenvolvimento em matéria de Sociedade da Informação das várias regiões (NUTs II) em que se divide o nosso país, no sentido de se perceber, com o maior rigor possível, as diversas realidades do todo nacional. À semelhança do que acontece noutros indicadores de desenvolvimento, em que as assimetrias regionais são já uma evidência notada há várias décadas, a compreensão da realidade da Sociedade da Informação nas sete regiões NUTs II portuguesas, comparando-as e contrastando-as, ainda necessita de ser aprofundada. Para tal, no âmbito da presente investigação, concebeu-se e implementou-se um instrumento especificamente para esse efeito, dando-se uma possível resposta a essa necessidade de se conhecer como deve ser medida, avaliada e monitorizada a Sociedade da Informação em Portugal, sem esconder assimetrias regionais que comprometem a coesão nacional. Este instrumento, que se baseia num índice compósito que congrega informação estatística decorrente de 73 indicadores arrumados em quatro classes, constitui, pois, uma ferramenta inovadora que permite ir mais ao fundo na análise do estado do nosso país em matéria de integração e desenvolvimento da Sociedade da Informação. Os resultados obtidos no seguimento da aplicação do instrumento construído à realidade portuguesa, em concreto às sete regiões NUTs II em que se divide o território nacional, confirmam, de facto, a existência de assimetrias entre as várias regiões, colocando-se a região de Lisboa numa posição de grande supremacia em relação às restantes. Este conhecimento, que está em linha com a realidade verificada noutras áreas do desenvolvimento, exige que a definição de políticas tenha em linha de conta a necessidade de esbatermos assimetrias regionais, com vista à construção de um país plenamente integrado na Sociedade da Informação. |
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| Autores principais: | Ferreira, Luís Miguel dos Santos |
| Assunto: | Engenharia e Tecnologia::Outras Engenharias e Tecnologias |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A Sociedade da Informação encerra, em si mesmo, um conjunto de características disruptivas em relação a modelos anteriores de organização da sociedade, assumindo a informação um papel central em toda actividade humana (Castells 2004). As Tecnologias da Informação e Comunicação evoluem a ritmos alucinantes, sendo essencial, para o exercício pleno da cidadania e para a competividade das empresas, a posse de competências e condições para a sua utilização. De facto, vários estudos académicos apontam para a existência de impactos económicos e sociais bastante relevantes das TIC, pelo que ficar à margem deste fenómeno poderá cria, inevitavelmente, no caso dos cidadãos, inibições à qualidade de vida e ao exercício da cidadania e, no caso das empresas, perdas de competitividade e de oportunidades no contexto global. Por outro lado, são inúmeras as organizações que promovem tentativas de medição do estado de integração e desenvolvimento das nações em matérias de Sociedade da Informação, fazendo ressaltar assimetrias entre países, que estão em linha com comparações entre países noutros indicadores de desenvolvimento. Em Portugal, o desenvolvimento da Sociedade da Informação tem seguido de perto os padrões europeus, mesmo ao nível da definição de políticas públicas concebidas especificamente para esse fim. No entanto, o nosso fraco posicionamento relativo em indicadores estruturantes tais como o PIB per capita ou mesmo o nível de habilitações da população, inibem que Portugal beneficie das oportunidades geradas pela Sociedade da Informação a um nível idêntico aos parceiros europeus mais desenvolvidos. Num contexto mais global, as assimetrias existentes a vários níveis entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento não estão a ser atenuadas no contexto da Socedade da Informação, o que acaba por constituir um contra-senso face ao potencial reconhecido para as TIC em termos de oportunidades geradas. Uma das questões que se colocam na actualidade resulta, assim, da necessidade de se medir o grau de desenvolvimento em matéria de Sociedade da Informação das várias regiões (NUTs II) em que se divide o nosso país, no sentido de se perceber, com o maior rigor possível, as diversas realidades do todo nacional. À semelhança do que acontece noutros indicadores de desenvolvimento, em que as assimetrias regionais são já uma evidência notada há várias décadas, a compreensão da realidade da Sociedade da Informação nas sete regiões NUTs II portuguesas, comparando-as e contrastando-as, ainda necessita de ser aprofundada. Para tal, no âmbito da presente investigação, concebeu-se e implementou-se um instrumento especificamente para esse efeito, dando-se uma possível resposta a essa necessidade de se conhecer como deve ser medida, avaliada e monitorizada a Sociedade da Informação em Portugal, sem esconder assimetrias regionais que comprometem a coesão nacional. Este instrumento, que se baseia num índice compósito que congrega informação estatística decorrente de 73 indicadores arrumados em quatro classes, constitui, pois, uma ferramenta inovadora que permite ir mais ao fundo na análise do estado do nosso país em matéria de integração e desenvolvimento da Sociedade da Informação. Os resultados obtidos no seguimento da aplicação do instrumento construído à realidade portuguesa, em concreto às sete regiões NUTs II em que se divide o território nacional, confirmam, de facto, a existência de assimetrias entre as várias regiões, colocando-se a região de Lisboa numa posição de grande supremacia em relação às restantes. Este conhecimento, que está em linha com a realidade verificada noutras áreas do desenvolvimento, exige que a definição de políticas tenha em linha de conta a necessidade de esbatermos assimetrias regionais, com vista à construção de um país plenamente integrado na Sociedade da Informação. |
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