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Avaliação externa de escolas: efeitos no desenvolvimento de projetos de educação para a saúde

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Resumo:A avaliação é hoje uma componente fundamental no funcionamento das escolas, sobretudo se fornecer informação sustentada e rigorosa que permita interrogar práticas e fundamentar decisões. Assim se compreende a importância que, em Portugal, tem sido consignada à Avaliação Externa das Escolas (AEE), entendida quer como meio de prestação de contas quer como catalisador de dinâmicas de mudança e melhoria das práticas. Todavia, a avaliação pode também utilizar-se como instrumento de regulação e controlo, numa lógica em que a conformidade prevalece sobre a inovação. Embora a promoção da saúde tenha surgido em 1986, com a Carta de Otawa, acordo internacional que determinou a obrigatoriedade da implementação da EpS em todos os países, nos níveis de ensino, só em 2005 os Projetos de Educação para a Saúde (EpS) emergem como um dispositivo educativo, tendo ganho, a partir daí, destaque nas políticas educativas nacionais. Com este estudo, pretendemos avaliar o impacto da AEE no desenvolvimento de projetos EpS. Para dar cumprimento a este estudo delineámos os seguintes objetivos: averiguar como é valorizado o desenvolvimento de projetos de EpS ao nível dos relatórios de AEE e dos planos de melhoria das escolas; averiguar se os projetos surgem numa perspetiva emergente ou se, pelo contrário, aparecem por via normativa; verificar qual o impacto da AEE na implementação e desenvolvimento dos projetos de EpS na perspetiva dos diferentes atores escolares; e, averiguar como é que os diretores percepcionam a implementação e o desenvolvimento dos projetos EpS nas escolas. Para a concretização destes objetivos foi utilizada uma metodologia qualitativa, realizando um estudo exploratório sobre a problemática em questão. Os dados foram recolhidos através da análise documental e de entrevistas semiestruturadas a diretores, coordenadores EpS e professores de quatro escolas do distrito do Porto. A análise de conteúdo foi a técnica utilizada para realizar a análise e a interpretação de dados. Os resultados desta investigação evidenciaram que os diferentes atores, nas escolas em estudo, consideram que o impacto da AEE no desenvolvimento de projetos EpS é praticamente inexistente, pois as equipas que realizam a AEE não valorizam a implementação de projetos EpS, nem as atividades desenvolvidas nesse domínio, nem tão pouco a articulação com outras áreas curriculares ou as práticas colaborativas entre docentes. Para esses atores, a implementação e o desenvolvimento de projetos EpS nas escolas resultou, numa fase inicial, mais de uma imposição normativa, embora, atualmente, esses projetos estejam a ser elaborados em função das necessidades do seu público, com o intuito de contribuir para uma efetiva Educação para Cidadania dos alunos. Importa reter que, na perspetiva dos atores escolares inquiridos, os resultados obtidos interpelam-nos acerca das razões pelas quais a AEE não está a valorizar os projetos que se desenvolvem em cada instituição, sobre a perspetiva dos discentes acerca da sua participação na implementação e desenvolvimento de projetos de EpS e, ainda, sobre a forma como esses projetos contribuem para a sua formação enquanto cidadãos.
Autores principais:Moreira, Cláudia Maria Pinto de Barros
Assunto:Ciências Sociais::Ciências da Educação
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A avaliação é hoje uma componente fundamental no funcionamento das escolas, sobretudo se fornecer informação sustentada e rigorosa que permita interrogar práticas e fundamentar decisões. Assim se compreende a importância que, em Portugal, tem sido consignada à Avaliação Externa das Escolas (AEE), entendida quer como meio de prestação de contas quer como catalisador de dinâmicas de mudança e melhoria das práticas. Todavia, a avaliação pode também utilizar-se como instrumento de regulação e controlo, numa lógica em que a conformidade prevalece sobre a inovação. Embora a promoção da saúde tenha surgido em 1986, com a Carta de Otawa, acordo internacional que determinou a obrigatoriedade da implementação da EpS em todos os países, nos níveis de ensino, só em 2005 os Projetos de Educação para a Saúde (EpS) emergem como um dispositivo educativo, tendo ganho, a partir daí, destaque nas políticas educativas nacionais. Com este estudo, pretendemos avaliar o impacto da AEE no desenvolvimento de projetos EpS. Para dar cumprimento a este estudo delineámos os seguintes objetivos: averiguar como é valorizado o desenvolvimento de projetos de EpS ao nível dos relatórios de AEE e dos planos de melhoria das escolas; averiguar se os projetos surgem numa perspetiva emergente ou se, pelo contrário, aparecem por via normativa; verificar qual o impacto da AEE na implementação e desenvolvimento dos projetos de EpS na perspetiva dos diferentes atores escolares; e, averiguar como é que os diretores percepcionam a implementação e o desenvolvimento dos projetos EpS nas escolas. Para a concretização destes objetivos foi utilizada uma metodologia qualitativa, realizando um estudo exploratório sobre a problemática em questão. Os dados foram recolhidos através da análise documental e de entrevistas semiestruturadas a diretores, coordenadores EpS e professores de quatro escolas do distrito do Porto. A análise de conteúdo foi a técnica utilizada para realizar a análise e a interpretação de dados. Os resultados desta investigação evidenciaram que os diferentes atores, nas escolas em estudo, consideram que o impacto da AEE no desenvolvimento de projetos EpS é praticamente inexistente, pois as equipas que realizam a AEE não valorizam a implementação de projetos EpS, nem as atividades desenvolvidas nesse domínio, nem tão pouco a articulação com outras áreas curriculares ou as práticas colaborativas entre docentes. Para esses atores, a implementação e o desenvolvimento de projetos EpS nas escolas resultou, numa fase inicial, mais de uma imposição normativa, embora, atualmente, esses projetos estejam a ser elaborados em função das necessidades do seu público, com o intuito de contribuir para uma efetiva Educação para Cidadania dos alunos. Importa reter que, na perspetiva dos atores escolares inquiridos, os resultados obtidos interpelam-nos acerca das razões pelas quais a AEE não está a valorizar os projetos que se desenvolvem em cada instituição, sobre a perspetiva dos discentes acerca da sua participação na implementação e desenvolvimento de projetos de EpS e, ainda, sobre a forma como esses projetos contribuem para a sua formação enquanto cidadãos.