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Patrimonialização, processos identitários e turismo na Ilha de Santa Catarina

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Resumo:O património cultural assume-se como um fenómeno social, determinado pelas relações sociais, e a sua democratização implica considerar o património como algo além das heranças e do passado. Implica relacioná-lo com as necessidades contemporâneas e efetivar esta relação em termos de políticas patrimoniais, para além da cultura dos segmentos sociais privilegiados e preservando também a cultura popular. A presente investigação analisa os processos identitários e o Turismo de Base Comunitária, no contexto do reconhecimento da pesca artesanal da tainha no Campeche (Florianópolis, Santa Catarina, Brasil) como património cultural. As fontes que permitiram a realização do estudo foram primárias e secundárias. Entre as fontes primárias destacam-se entrevistas realizadas a nativos da Ilha de Santa Catarina e observação no terreno. No que diz respeito às fontes secundárias foram utilizados documentos relativos ao processo de patrimonialização. A investigação empírica confirmou pressupostos teóricos relacionados com a construção identitária que se realiza nos processos de patrimonialização, verificando o predomínio da metacultura entre os líderes comunitários e da cultura vernácula entre os nativos mais idosos, não envolvidos em ações preservacionistas, o que implica necessidades sociais diferentes para ambos os sujeitos. Os principais contributos da investigação estão relacionados com a verificação da convergência dos pressupostos do campo patrimonial e do Turismo de Base Comunitária, uma vez que esta oferta não se configura como um segmento do mercado turístico, mas está ancorada na organização comunitária, na preservação ambiental e cultural, na produção de sentido e na comunicação. Os resultados revelaram ainda a relevância da articulação interinstitucional no apoio do Estado às comunidades detentoras dos bens culturais imateriais e indicaram a necessidade de planeamento e inserção a médio e longo prazo na relação entre o Estado e a Sociedade Civil Organizada. Estas ilações devem ser concretizadas na perspectiva intercultural, contemplando ações educacionais alicerçadas em valores éticos e de apoio técnico para o fortalecimento das organizações coletivas preservacionistas.
Autores principais:Hickenbick, Claudia
Assunto:Florianópolis Identidade Património Cultural Imaterial Turismo de Base Comunitária Community-Based Tourism Identity Intangible Cultural Heritage
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O património cultural assume-se como um fenómeno social, determinado pelas relações sociais, e a sua democratização implica considerar o património como algo além das heranças e do passado. Implica relacioná-lo com as necessidades contemporâneas e efetivar esta relação em termos de políticas patrimoniais, para além da cultura dos segmentos sociais privilegiados e preservando também a cultura popular. A presente investigação analisa os processos identitários e o Turismo de Base Comunitária, no contexto do reconhecimento da pesca artesanal da tainha no Campeche (Florianópolis, Santa Catarina, Brasil) como património cultural. As fontes que permitiram a realização do estudo foram primárias e secundárias. Entre as fontes primárias destacam-se entrevistas realizadas a nativos da Ilha de Santa Catarina e observação no terreno. No que diz respeito às fontes secundárias foram utilizados documentos relativos ao processo de patrimonialização. A investigação empírica confirmou pressupostos teóricos relacionados com a construção identitária que se realiza nos processos de patrimonialização, verificando o predomínio da metacultura entre os líderes comunitários e da cultura vernácula entre os nativos mais idosos, não envolvidos em ações preservacionistas, o que implica necessidades sociais diferentes para ambos os sujeitos. Os principais contributos da investigação estão relacionados com a verificação da convergência dos pressupostos do campo patrimonial e do Turismo de Base Comunitária, uma vez que esta oferta não se configura como um segmento do mercado turístico, mas está ancorada na organização comunitária, na preservação ambiental e cultural, na produção de sentido e na comunicação. Os resultados revelaram ainda a relevância da articulação interinstitucional no apoio do Estado às comunidades detentoras dos bens culturais imateriais e indicaram a necessidade de planeamento e inserção a médio e longo prazo na relação entre o Estado e a Sociedade Civil Organizada. Estas ilações devem ser concretizadas na perspectiva intercultural, contemplando ações educacionais alicerçadas em valores éticos e de apoio técnico para o fortalecimento das organizações coletivas preservacionistas.