Publicação
Acadêmico de validação de conhecimento no ensino superior brasileiro: a construção dos atos diretivos
| Resumo: | Este trabalho aborda a importância do discurso acadêmico e do seu ensino sistematizado para a efetiva comunicação no âmbito universitário. Para isso, tomamos como objeto central de estudo os atos discursivos realizados nos enunciados do par ‘pergunta-resposta (P-R)’ como par adjacente, produzidos pelo professor e pelo aluno, respectivamente, nos papéis de participantes na interação comunicativa avaliativa da Prova escrita de validação do conhecimento (PEVC). O objetivo principal é descrever os itens avaliativos da PEVC como intercâmbios das interações de um subgênero discursivo institucionalizado e, portanto, estruturalmente menos flexível quanto à sequenciação dos atos discursivos de cada intervenção interacional. O corpus estudado consiste de itens de avaliação autênticos, selecionados de PEVCs de disciplinas do primeiro ano de dois cursos de uma faculdade localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. O principal foco da análise é a organização estrutural dos atos diretivos da intervenção iniciativa (pergunta) para a qual corresponde uma intervenção reativa (resposta). A partir de uma perspectiva pragmática-discursiva, e particularmente da teoria dos atos, desenvolvida por Austin e Searle, investigamos as diversas estratégias de organização discursiva produzidas pelo professor avaliador e pelos alunos avaliados na realização deste gênero acadêmico. Tivemos em conta a sua organização composicional, em termos do plano de texto caracterizado por uma estrutura cumulativa de “pergunta” e “resposta”. Pretendia-se analisar os elementos constitutivos de cada item de avaliação de prova escrita, para apreender as estratégias de organização de cada um destes turnos de interação de modo a completarem-se como um par adjacente ou intercâmbio. Os resultados apontam para uma relativa estabilidade de organização discursiva e textual da PEVC e evidencia a assimetria discursiva e a previsibilidade da estrutura composicional das respectivas intervenções, sequenciadas em atos discursivos estrategicamente organizados para alcançarem os êxitos esperados nas produções enunciativas. O par “pergunta-resposta”, designação vulgar decorrente da categorização dos falantes, é parte da estruturação discursiva, e a unidade básica do plano de texto característico deste género discursivo em análise. O par “P-R” foi reanalisado como par adjacente, de atos ilocutórios, no quadro da teoria acional da linguagem e, de seguida, como intervenção iniciativa e reativa de um intercâmbio, a fim de recolocar a análise e preservar a dimensão sequencial e global da coerência discursiva. As intervenções iniciativas organizam-se tipicamente em atos sequenciados, assertivos e diretivos. Os atos assertivos assumem a função explicativa e enquadradora do contexto situacional em que determinado evento ocorre, constituindo-se como atos subordinados ao ato dominante de valor diretivo. As intervenções reativas são constituídas por sequências de atos predominantemente assertivos de força explicativa ou argumentativa. As sequências analisadas com características discursivas explicativas estão organizadas em função de diferentes estratégias. Especificamente para os atos ilocutórios diretivos, com função de instrução, que incluem o verbo diretivo ‘explique’, alguns funcionamentos linguísticodiscursivos foram observados: as intervenções reativas ora ofereciam definição para termos, situando seus significados em um contexto específico (Ir1.n), ora ‘explicavam’ a partir de que eventos algo resultava, correlacionando-os em ordem cronológica (Ir4.n). |
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| Autores principais: | Bittencourt, Maria Fernanda de Faria von Sydow |
| Assunto: | Discurso acadêmico Prova escrita de validação do conhecimento Par adjacente Intervenção iniciativa Intervenção reativa Parâmetros de gênero Atos ilocutórios Academic discourse Written test of knowledge validation Adjacent pair Initiative intervention Reactive intervention Gender parameters Illocutionary acts |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Este trabalho aborda a importância do discurso acadêmico e do seu ensino sistematizado para a efetiva comunicação no âmbito universitário. Para isso, tomamos como objeto central de estudo os atos discursivos realizados nos enunciados do par ‘pergunta-resposta (P-R)’ como par adjacente, produzidos pelo professor e pelo aluno, respectivamente, nos papéis de participantes na interação comunicativa avaliativa da Prova escrita de validação do conhecimento (PEVC). O objetivo principal é descrever os itens avaliativos da PEVC como intercâmbios das interações de um subgênero discursivo institucionalizado e, portanto, estruturalmente menos flexível quanto à sequenciação dos atos discursivos de cada intervenção interacional. O corpus estudado consiste de itens de avaliação autênticos, selecionados de PEVCs de disciplinas do primeiro ano de dois cursos de uma faculdade localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. O principal foco da análise é a organização estrutural dos atos diretivos da intervenção iniciativa (pergunta) para a qual corresponde uma intervenção reativa (resposta). A partir de uma perspectiva pragmática-discursiva, e particularmente da teoria dos atos, desenvolvida por Austin e Searle, investigamos as diversas estratégias de organização discursiva produzidas pelo professor avaliador e pelos alunos avaliados na realização deste gênero acadêmico. Tivemos em conta a sua organização composicional, em termos do plano de texto caracterizado por uma estrutura cumulativa de “pergunta” e “resposta”. Pretendia-se analisar os elementos constitutivos de cada item de avaliação de prova escrita, para apreender as estratégias de organização de cada um destes turnos de interação de modo a completarem-se como um par adjacente ou intercâmbio. Os resultados apontam para uma relativa estabilidade de organização discursiva e textual da PEVC e evidencia a assimetria discursiva e a previsibilidade da estrutura composicional das respectivas intervenções, sequenciadas em atos discursivos estrategicamente organizados para alcançarem os êxitos esperados nas produções enunciativas. O par “pergunta-resposta”, designação vulgar decorrente da categorização dos falantes, é parte da estruturação discursiva, e a unidade básica do plano de texto característico deste género discursivo em análise. O par “P-R” foi reanalisado como par adjacente, de atos ilocutórios, no quadro da teoria acional da linguagem e, de seguida, como intervenção iniciativa e reativa de um intercâmbio, a fim de recolocar a análise e preservar a dimensão sequencial e global da coerência discursiva. As intervenções iniciativas organizam-se tipicamente em atos sequenciados, assertivos e diretivos. Os atos assertivos assumem a função explicativa e enquadradora do contexto situacional em que determinado evento ocorre, constituindo-se como atos subordinados ao ato dominante de valor diretivo. As intervenções reativas são constituídas por sequências de atos predominantemente assertivos de força explicativa ou argumentativa. As sequências analisadas com características discursivas explicativas estão organizadas em função de diferentes estratégias. Especificamente para os atos ilocutórios diretivos, com função de instrução, que incluem o verbo diretivo ‘explique’, alguns funcionamentos linguísticodiscursivos foram observados: as intervenções reativas ora ofereciam definição para termos, situando seus significados em um contexto específico (Ir1.n), ora ‘explicavam’ a partir de que eventos algo resultava, correlacionando-os em ordem cronológica (Ir4.n). |
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