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Co-digestão de lamas de ETAR com efluente industrial da produção de biodiesel

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Resumo:As lamas das estações de tratamento de águas residuais (ETAR) são resíduos semi-sólidos que se formam inevitavelmente durante o processo de tratamento da água. São geradas em quantidades significativas e por isso constituem um problema quando se fala no seu destino final. Quando este resíduo é tratado e gerido corretamente pode representar um importante recurso renovável. Um método utilizado para que se possa tirar proveito deste resíduo é a co-digestão anaeróbia, que permite a obtenção de uma fonte de energia renovável, o biogás. O objetivo principal deste projeto é avaliar o processo de co-digestão de lamas de ETAR utilizando como co-substrato um resíduo industrial proveniente da produção de biodiesel, tendo em vista o aumento da produção de biogás gerado na ETAR de Paço de Sousa. Inicialmente realizou-se a caracterização físico-química das lamas utilizadas no processo e do efluente industrial, nomeadamente em termos de sólidos totais (ST), sólidos voláteis (SV) e carência química de oxigénio. Efetuou-se em seguida o processo de co-digestão anaeróbia de lamas da ETAR (lamas mistas) em 3 reatores piloto com diferentes quantidades de efluente industrial. A experiência foi dividia em quatro períodos, tendo-se aplicado em todos os períodos uma carga orgânica de 1,4 ± 0,3 g/(L.dia) e um tempo de retenção hidráulico de 18 dias. O teor de SV das lamas mistas alimentadas foi de 26 ± 4 g/L. Houve a monotorização de parâmetros relevantes como a temperatura, o pH, ST, SV e ainda o caudal e composição do biogás. Nos primeiros três períodos de operação verificaram-se vários problemas operacionais, pelo que apenas no último período se conseguiu verificar que existe um efeito positivo da adição do efluente industrial. Adição de 10 % (v/v) de efluente industrial às lamas mistas resultou num aumento de 17,5 % na produção cumulativa de biogás correspondente a um ganho de 2,8 kWh/kg (expresso relativamente aos sólidos voláteis removidos). Tendo em vista o potencial demonstrado por esta estratégia, mais estudos deverão agora ser realizados para definir a concentração ótima de efluente da produção de biodiesel a aplicar, de modo a não causar efeitos inibidores e maximizar a eficiência energética do digestor anaeróbio da ETAR.
Autores principais:Esteves, Ana Sofia Sepúlveda
Assunto:Biogás Co-digestão Efluente de biodiesel Lamas de ETAR Biogas Co-digestion Biodiesel wastewater Municipal sewage sludge
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As lamas das estações de tratamento de águas residuais (ETAR) são resíduos semi-sólidos que se formam inevitavelmente durante o processo de tratamento da água. São geradas em quantidades significativas e por isso constituem um problema quando se fala no seu destino final. Quando este resíduo é tratado e gerido corretamente pode representar um importante recurso renovável. Um método utilizado para que se possa tirar proveito deste resíduo é a co-digestão anaeróbia, que permite a obtenção de uma fonte de energia renovável, o biogás. O objetivo principal deste projeto é avaliar o processo de co-digestão de lamas de ETAR utilizando como co-substrato um resíduo industrial proveniente da produção de biodiesel, tendo em vista o aumento da produção de biogás gerado na ETAR de Paço de Sousa. Inicialmente realizou-se a caracterização físico-química das lamas utilizadas no processo e do efluente industrial, nomeadamente em termos de sólidos totais (ST), sólidos voláteis (SV) e carência química de oxigénio. Efetuou-se em seguida o processo de co-digestão anaeróbia de lamas da ETAR (lamas mistas) em 3 reatores piloto com diferentes quantidades de efluente industrial. A experiência foi dividia em quatro períodos, tendo-se aplicado em todos os períodos uma carga orgânica de 1,4 ± 0,3 g/(L.dia) e um tempo de retenção hidráulico de 18 dias. O teor de SV das lamas mistas alimentadas foi de 26 ± 4 g/L. Houve a monotorização de parâmetros relevantes como a temperatura, o pH, ST, SV e ainda o caudal e composição do biogás. Nos primeiros três períodos de operação verificaram-se vários problemas operacionais, pelo que apenas no último período se conseguiu verificar que existe um efeito positivo da adição do efluente industrial. Adição de 10 % (v/v) de efluente industrial às lamas mistas resultou num aumento de 17,5 % na produção cumulativa de biogás correspondente a um ganho de 2,8 kWh/kg (expresso relativamente aos sólidos voláteis removidos). Tendo em vista o potencial demonstrado por esta estratégia, mais estudos deverão agora ser realizados para definir a concentração ótima de efluente da produção de biodiesel a aplicar, de modo a não causar efeitos inibidores e maximizar a eficiência energética do digestor anaeróbio da ETAR.