Publicação
Microrganismos e biopigmentos: aplicações avançadas no tingimento têxtil
| Resumo: | Nesta dissertação é apresentado um estudo sobre a violaceína, um biopigmento produzido por Janthinobacterium lividum com propriedades antimicrobianas, antioxidantes e de proteção contra radiação ultravioleta, como alternativa sustentável aos corantes convencionais aplicados na indústria têxtil, assente em processos mais sustentáveis, associados a menores consumos de água e a uma menor geração de efluentes. Neste sentido, foram testados dois métodos de tingimento de algodão e poliamida: in situ, com produção e fixação simultâneas de violaceína e ex situ, com extração prévia e posterior aplicação. Devido à baixa solubilidade da violaceína em água, no método ex situ recorreu-se à sua dispersão numa mistura de água/etanol (95/5% (v/v)) utilizando um método mecânico (Ultra-Turrax). No decorrer desde estudo, otimizaram-se as condições de cultura (temperatura, luz e glicerina) e avaliou-se o efeito de aditivos durante o processo de tingimento por esgotamento (surfactantes não iónicos, hidróxido de sódio e cloreto de sódio). O biopigmento foi caracterizado quimicamente, através da ressonância magnética nuclear, tendo-se observado uma elevada pureza após as lavagens com ácido clorídrico. Verificou-se também o comportamento halocrómico deste. Os substratos foram caracterizados quanto às coordenadas de cor, intensidade e diferenças de cor, verificaram-se o comportamento halocrómico e as propriedades antimicrobianas. Os substratos tingidos pelo método ex situ com 26,4 mg/L apresentaram boa intensidade de cor e estabilidade colorística, nos substratos de algodão, as amostras de controlo, expostas à lavagem e expostas à radiação ultravioleta apresentaram todos eles valores de intensidade de cor superiores a 28,8, enquanto todas as diferenças de cor se mantiveram inferiores a 2,8. Nos substratos de poliamida, foram registadas intensidades de cor superiores a 31,9 e diferenças de cor inferiores a 1,3. Estes resultados foram obtidos sem aditivos, demonstrando o potencial do pigmento para aplicação em vestuário. Concentrações de 528 e 660 mg/L nos substratos de poliamida, tingidos pelo método ex situ, revelaram atividade antimicrobiana com uma redução logarítmica de 2,20 e 2,29 contra Staphylococcus aureus, sugerindo potencial para artigos hospitalares. Assim, os resultados confirmam a viabilidade da violaceína como alternativa ecológica aos corantes sintéticos, sobretudo pelo processo ex situ, permitindo ainda o desenvolvimento de têxteis multifuncionais. |
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| Autores principais: | Vaz, Rui Fábio Teixeira |
| Assunto: | Violaceína Microrganismos Sustentabilidade Tingimento Têxtil Violacein Microorganisms Sustainability Textile Dyeing |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Nesta dissertação é apresentado um estudo sobre a violaceína, um biopigmento produzido por Janthinobacterium lividum com propriedades antimicrobianas, antioxidantes e de proteção contra radiação ultravioleta, como alternativa sustentável aos corantes convencionais aplicados na indústria têxtil, assente em processos mais sustentáveis, associados a menores consumos de água e a uma menor geração de efluentes. Neste sentido, foram testados dois métodos de tingimento de algodão e poliamida: in situ, com produção e fixação simultâneas de violaceína e ex situ, com extração prévia e posterior aplicação. Devido à baixa solubilidade da violaceína em água, no método ex situ recorreu-se à sua dispersão numa mistura de água/etanol (95/5% (v/v)) utilizando um método mecânico (Ultra-Turrax). No decorrer desde estudo, otimizaram-se as condições de cultura (temperatura, luz e glicerina) e avaliou-se o efeito de aditivos durante o processo de tingimento por esgotamento (surfactantes não iónicos, hidróxido de sódio e cloreto de sódio). O biopigmento foi caracterizado quimicamente, através da ressonância magnética nuclear, tendo-se observado uma elevada pureza após as lavagens com ácido clorídrico. Verificou-se também o comportamento halocrómico deste. Os substratos foram caracterizados quanto às coordenadas de cor, intensidade e diferenças de cor, verificaram-se o comportamento halocrómico e as propriedades antimicrobianas. Os substratos tingidos pelo método ex situ com 26,4 mg/L apresentaram boa intensidade de cor e estabilidade colorística, nos substratos de algodão, as amostras de controlo, expostas à lavagem e expostas à radiação ultravioleta apresentaram todos eles valores de intensidade de cor superiores a 28,8, enquanto todas as diferenças de cor se mantiveram inferiores a 2,8. Nos substratos de poliamida, foram registadas intensidades de cor superiores a 31,9 e diferenças de cor inferiores a 1,3. Estes resultados foram obtidos sem aditivos, demonstrando o potencial do pigmento para aplicação em vestuário. Concentrações de 528 e 660 mg/L nos substratos de poliamida, tingidos pelo método ex situ, revelaram atividade antimicrobiana com uma redução logarítmica de 2,20 e 2,29 contra Staphylococcus aureus, sugerindo potencial para artigos hospitalares. Assim, os resultados confirmam a viabilidade da violaceína como alternativa ecológica aos corantes sintéticos, sobretudo pelo processo ex situ, permitindo ainda o desenvolvimento de têxteis multifuncionais. |
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