Publicação
The potential role of innate immune memory in Multiple Sclerosis disease using experimental autoimmune encephalomyelitis mouse model
| Resumo: | Estudos recentes demonstraram que a memória imune também está presente nas células do sistema imune inato. No cérebro, esta memória imune inata é predominantemente mediada pela microglia, e foi demonstrado que, diferentes regimes de injeções periféricas com um componente da membrana externa de bactérias Gram-negativas, o lipopolissacarídeo (LPS), são capazes de induzir fenótipos distintos na microglia: “treinada” ou “tolerante”. Neste contexto, foi recentemente demonstrado que o “treino” imunológico promove a patologia da doença de Alzheimer e do acidente vascular cerebral, enquanto que a “tolerância” alivia estas condições. No entanto, nada é sabido sobre o seu impacto na esclerose múltipla. Assim sendo, neste trabalho, a hipótese é que a modulação destas células para um fenótipo mais “tolerante” (4X LPS) em termos imunológicos poderá promover neuroprotecção e diminuir a resposta inflamatória associada à esclerose múltipla. Para isso, foi administrada em fêmeas C57BL/6 uma única injeção de LPS para induzir o “treino” (1X LPS) imunológico ou quatro injeções consecutivas de LPS para induzir uma “tolerância” (4X LPS) imunológica. Um mês depois, estes animais foram induzidos com a encefalomielite autoimune experimental (EAE), um dos modelos animais de esclerose múltipla mais estudados, e foram posteriormente sacrificados no pico (dia 17) e na fase crónica da doença (dia 29), juntamente com os controlos não induzidos. Em relação ao score clínico dos animais, não encontramos diferenças significativas no desenvolvimento da doença nos animais injetados com LPS, demonstrando que o pré-tratamento com LPS não estão a influenciar o aparecimento e desenvolvimento da doença. Apesar desta observação, a nível molecular verificamos que animais EAE expostos a um estimulo que induz o “treino” imunológico expressam mais interleucina (Il)-6 e Gfap na fase do pico da doença, e uma maior percentagem de áreas de lesão na fase crónica da doença, em comparação com animais EAE expostos a um estimulo que induz a “tolerância” imunológica e com animais EAE controlo. Em suma, este trabalho sugere que uma modulação da memória das células imunes inatas residentes no sistema nervoso central pode ter um leve papel na patogenicidade da doença, sem ter um impacto na severidade da doença. No entanto estudos futuros são necessários para se perceber melhor sobre os mecanismos que poderão estar subadjacentes ao “treino” e “tolerância” imunológica no modelo EAE e na esclerose múltipla. |
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| Autores principais: | Monteiro, Marta Sofia Carvalhal |
| Assunto: | Astrócitos EAE Esclerose Múltipla Memória da imunidade inata Microglia Astrocytes Innate immune memory Multiple Sclerosis |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Estudos recentes demonstraram que a memória imune também está presente nas células do sistema imune inato. No cérebro, esta memória imune inata é predominantemente mediada pela microglia, e foi demonstrado que, diferentes regimes de injeções periféricas com um componente da membrana externa de bactérias Gram-negativas, o lipopolissacarídeo (LPS), são capazes de induzir fenótipos distintos na microglia: “treinada” ou “tolerante”. Neste contexto, foi recentemente demonstrado que o “treino” imunológico promove a patologia da doença de Alzheimer e do acidente vascular cerebral, enquanto que a “tolerância” alivia estas condições. No entanto, nada é sabido sobre o seu impacto na esclerose múltipla. Assim sendo, neste trabalho, a hipótese é que a modulação destas células para um fenótipo mais “tolerante” (4X LPS) em termos imunológicos poderá promover neuroprotecção e diminuir a resposta inflamatória associada à esclerose múltipla. Para isso, foi administrada em fêmeas C57BL/6 uma única injeção de LPS para induzir o “treino” (1X LPS) imunológico ou quatro injeções consecutivas de LPS para induzir uma “tolerância” (4X LPS) imunológica. Um mês depois, estes animais foram induzidos com a encefalomielite autoimune experimental (EAE), um dos modelos animais de esclerose múltipla mais estudados, e foram posteriormente sacrificados no pico (dia 17) e na fase crónica da doença (dia 29), juntamente com os controlos não induzidos. Em relação ao score clínico dos animais, não encontramos diferenças significativas no desenvolvimento da doença nos animais injetados com LPS, demonstrando que o pré-tratamento com LPS não estão a influenciar o aparecimento e desenvolvimento da doença. Apesar desta observação, a nível molecular verificamos que animais EAE expostos a um estimulo que induz o “treino” imunológico expressam mais interleucina (Il)-6 e Gfap na fase do pico da doença, e uma maior percentagem de áreas de lesão na fase crónica da doença, em comparação com animais EAE expostos a um estimulo que induz a “tolerância” imunológica e com animais EAE controlo. Em suma, este trabalho sugere que uma modulação da memória das células imunes inatas residentes no sistema nervoso central pode ter um leve papel na patogenicidade da doença, sem ter um impacto na severidade da doença. No entanto estudos futuros são necessários para se perceber melhor sobre os mecanismos que poderão estar subadjacentes ao “treino” e “tolerância” imunológica no modelo EAE e na esclerose múltipla. |
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