Publicação

A clausura e a saúde: as religiosas no hospital de Nossa Senhora do Pópulo (1654-1699)

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Embora, em Portugal, haja inúmeros estudos sobre a vida das religiosas dentro das congregações durante o período moderno, são escassas as pesquisas que tratam da experiência dessas mulheres quando autorizadas a deixar o claustro. Conquanto pouco frequente, essa situação podia ocorrer sob circunstâncias específicas, como em casos de doenças que, embora não contagiosas, representavam supostamente um risco à vida da religiosa. Assim, nesta dissertação, adotamos a saúde como o fator determinante para a autorização de saída temporária da clausura feminina. Nosso objetivo é compreender o processo por trás dessa autorização, bem como analisar o cotidiano dessas mulheres no ambiente hospitalar. Para isso, escolhemos o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, em Caldas da Rainha, como nosso caso de estudo. Fundado no início da reforma hospitalar, o hospital é reconhecido como o primeiro termal do reino e o segundo maior na época em termos de lotação. Já nosso recorte temporal está vinculado à um decreto, de D. João IV (1604-1656), que estabeleceu a exigência de licença régia para as religiosas serem admitidas no hospital. Assim, nossa pesquisa inicia-se em 1654, ano em que foi emitida a primeira licença régia, e se estende até 1699, concentrando-se na experiência do século XVII. Utilizando métodos mistos buscamos elaborar um panorama que nos informe não apenas sobre a burocracia eclesiástica e a experiência hospitalar, mas também sobre uma questão subjacente: qual importância era dada à saúde de uma religiosa? Até que ponto a saúde dessa mulher era considerada prioridade em relação ao rigor da clausura? Comprovaremos que, mesmo sob a autoridade masculina e sujeitas à obediência a seus superiores, muitas religiosas não se mantinham subjugadas. Utilizando os recursos disponíveis, várias conseguiram obter o tratamento desejado, fazendo do hospital termal das Caldas da Rainha um destino apreciado e frequentado por muitas delas. Evidenciaremos, ainda, quais eram as congregações e ordens de origem dessas religiosas, quem eram essas mulheres, as doenças que as acometiam, as distâncias e os caminhos para/do hospital, além de analisarmos a clausura hospitalar e a terapêutica termal das Caldas. Adicionalmente, relataremos casos específicos, reforçando que, para essas mulheres, o tratamento poderia tanto significar um bálsamo para os seus males quanto um desafogo diante do rigor do claustro.
Autores principais:Duarte, Carolina Bessa
Assunto:Religiosas Saúde Clausura Hospital termal Caldas da Rainha Nuns Health Cloister Thermal hospital
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Embora, em Portugal, haja inúmeros estudos sobre a vida das religiosas dentro das congregações durante o período moderno, são escassas as pesquisas que tratam da experiência dessas mulheres quando autorizadas a deixar o claustro. Conquanto pouco frequente, essa situação podia ocorrer sob circunstâncias específicas, como em casos de doenças que, embora não contagiosas, representavam supostamente um risco à vida da religiosa. Assim, nesta dissertação, adotamos a saúde como o fator determinante para a autorização de saída temporária da clausura feminina. Nosso objetivo é compreender o processo por trás dessa autorização, bem como analisar o cotidiano dessas mulheres no ambiente hospitalar. Para isso, escolhemos o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, em Caldas da Rainha, como nosso caso de estudo. Fundado no início da reforma hospitalar, o hospital é reconhecido como o primeiro termal do reino e o segundo maior na época em termos de lotação. Já nosso recorte temporal está vinculado à um decreto, de D. João IV (1604-1656), que estabeleceu a exigência de licença régia para as religiosas serem admitidas no hospital. Assim, nossa pesquisa inicia-se em 1654, ano em que foi emitida a primeira licença régia, e se estende até 1699, concentrando-se na experiência do século XVII. Utilizando métodos mistos buscamos elaborar um panorama que nos informe não apenas sobre a burocracia eclesiástica e a experiência hospitalar, mas também sobre uma questão subjacente: qual importância era dada à saúde de uma religiosa? Até que ponto a saúde dessa mulher era considerada prioridade em relação ao rigor da clausura? Comprovaremos que, mesmo sob a autoridade masculina e sujeitas à obediência a seus superiores, muitas religiosas não se mantinham subjugadas. Utilizando os recursos disponíveis, várias conseguiram obter o tratamento desejado, fazendo do hospital termal das Caldas da Rainha um destino apreciado e frequentado por muitas delas. Evidenciaremos, ainda, quais eram as congregações e ordens de origem dessas religiosas, quem eram essas mulheres, as doenças que as acometiam, as distâncias e os caminhos para/do hospital, além de analisarmos a clausura hospitalar e a terapêutica termal das Caldas. Adicionalmente, relataremos casos específicos, reforçando que, para essas mulheres, o tratamento poderia tanto significar um bálsamo para os seus males quanto um desafogo diante do rigor do claustro.