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Linguística e ambientalismo

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Resumo:No presente estudo são brevemente apresentadas algumas dimensões da minha investigação de doutoramento, que tem por título “O discurso do ambientalismo nos media escritos”. Essa investigação assume por base alguns pressupostos teóricos e metodológicos centrais da Análise do Discurso, nas suas mais recentes orientações, e elege um corpus constituído por um agregado de textos surgidos num passado recente num jornal de referência português na esfera da defesa e promoção do património natural, ou daquilo que é denominado ‘ambientalismo’, assim como em materiais didácticos destinados aos primeiros anos de escolarização. Neste texto, são abordados dois aspectos fundamentais da definição dos contornos do (inter)discurso ambiental, assim como da definição e orientação investigativa de duas linhas de desenvolvimento que se interseccionam na análise do discurso sobre o ambiente: a Ecolinguística e os estudos sobre o discurso de divulgação científica. Em concreto, é assumido que o ‘ambientalismo’ pode ser construído / entendido como um conjunto organizado e hierarquizado de discursos, entretecendo uma teia de relações e presenças latentes de uns nos outros, convivendo e debatendo-se entre si, ou seja, como um interdiscurso. Os argumentos em causa relacionam-se com prioridades políticas e sistemas de valores, estabelecidos discursivamente por diferentes grupos com graus variados de poder e influência e que encontram nos media espaço vital, espaço de edificação e legitimação do próprio poder (como poder social alargado), pela evocação pública de valores mais ou menos comummente aceites - daí o surgimento do discurso justificativo e do discurso autorizado, fortemente marcado pela emergência do discurso da Ciência. Ao nível individual, as respostas aos desafios e riscos ambientais são deslocadas para novos padrões: a Natureza deixa de ser um valor autónomo, passando a sua imagem a ser construída para consumo social à luz de modelos de tecnologia, de economia, da actividade e do poder do homem. Havendo uma confusão entre Natureza e Sociedade / Cultura, os indivíduos são levados a conceber as questões ambientais dentro do âmbito das questões do consumo. Esta luta entre o natural e o social / cultural é omnipresente no discurso da imprensa escrita.
Autores principais:Ramos, Rui Lima
Assunto:Linguística Análise do discurso Discurso da ciência Ambientalismo Ecolinguística
Ano:2004
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:No presente estudo são brevemente apresentadas algumas dimensões da minha investigação de doutoramento, que tem por título “O discurso do ambientalismo nos media escritos”. Essa investigação assume por base alguns pressupostos teóricos e metodológicos centrais da Análise do Discurso, nas suas mais recentes orientações, e elege um corpus constituído por um agregado de textos surgidos num passado recente num jornal de referência português na esfera da defesa e promoção do património natural, ou daquilo que é denominado ‘ambientalismo’, assim como em materiais didácticos destinados aos primeiros anos de escolarização. Neste texto, são abordados dois aspectos fundamentais da definição dos contornos do (inter)discurso ambiental, assim como da definição e orientação investigativa de duas linhas de desenvolvimento que se interseccionam na análise do discurso sobre o ambiente: a Ecolinguística e os estudos sobre o discurso de divulgação científica. Em concreto, é assumido que o ‘ambientalismo’ pode ser construído / entendido como um conjunto organizado e hierarquizado de discursos, entretecendo uma teia de relações e presenças latentes de uns nos outros, convivendo e debatendo-se entre si, ou seja, como um interdiscurso. Os argumentos em causa relacionam-se com prioridades políticas e sistemas de valores, estabelecidos discursivamente por diferentes grupos com graus variados de poder e influência e que encontram nos media espaço vital, espaço de edificação e legitimação do próprio poder (como poder social alargado), pela evocação pública de valores mais ou menos comummente aceites - daí o surgimento do discurso justificativo e do discurso autorizado, fortemente marcado pela emergência do discurso da Ciência. Ao nível individual, as respostas aos desafios e riscos ambientais são deslocadas para novos padrões: a Natureza deixa de ser um valor autónomo, passando a sua imagem a ser construída para consumo social à luz de modelos de tecnologia, de economia, da actividade e do poder do homem. Havendo uma confusão entre Natureza e Sociedade / Cultura, os indivíduos são levados a conceber as questões ambientais dentro do âmbito das questões do consumo. Esta luta entre o natural e o social / cultural é omnipresente no discurso da imprensa escrita.