Publicação
A perceção dos contabilistas certificados sobre Earnings Management – o contexto português
| Resumo: | A literatura internacional sugere que os fatores institucionais explicam diferenças nas perceções dos contabilistas sobre EM. É objetivo desta dissertação contribuir para a literatura, explorando as perceções dos CC´s sobre o conceito, as práticas, as motivações e formas de deteção de EM, em Portugal. Para tal, implementou-se um questionário estruturado junto de 15 CC’s. Os resultados revelam que para a maioria dos CC’s o EM resulta da flexibilidade e imprecisão das normas e do processo contabilístico, e das escolhas feitas nesse âmbito, visão que é consistente com a literatura. Realça-se que 6 CC’s não apresentam um conceito de EM referindo apenas que são atos ilegais. Embora os CC’s revelem não conhecer a dupla classificação de EM usada na literatura (perspetivas informativa e oportunista), consideram EM como legal, se as ações forem executadas dentro dos limites das normas de contabilidade, ou ilegal, se as ações são executadas fora dos limites da lei, o que se revela consistente com a literatura. Contudo, a maioria dos CC’s perceciona apenas o EM como uma prática ilegal. Conclui-se ainda que os todos os CC’s homens vêm o EM na perspetiva informacional e oportunista, enquanto 8 das 9 CC’s mulheres percecionam as práticas de EM apenas como atos ilegais, resultado, que à luz da teoria da socialização de género (Betz et al., 1989), poderá revelar uma maior preocupação ética por parte das mulheres, e/ou um desconhecimento sobre o duplo enquadramento das práticas de EM. A evidência recolhida indica que, apesar dos CC’s não conhecerem a classificação de EM usada na literatura, em manipulação real e contabilística, identificam diversas práticas que cabem dentro desses conceitos, referindo que as práticas de EM em Portugal consistem maioritariamente em ações para obter financiamento e/ou diminuir a carga fiscal. Esta visão reflete o objetivo e motivação e não as práticas de EM. Relativamente aos incentivos de EM, foram identificados 9 incentivos, e desses, a minimização do pagamento de impostos e a obtenção de crédito junto da banca foram os mais referidos, sendo percecionados como as motivações de EM prevalecentes em Portugal. Esta visão é consistente com a literatura (Marques et al., 2011; Moreira, 2006a), e transversal aos diferentes perfis dos CC’s da amostra, o que reforça a necessidade de uma atenção especial para estas questões, por parte das entidades reguladoras e fiscalizadoras da profissão em Portugal. Consistente com a literatura, a maioria dos CC’s considera que o EM é detetável. Relativamente às formas de deteção, a realização de auditorias foi a mais citada, e apenas um CC referiu a análise dos accruals como método de deteção, o que revela um desconhecimento sobre os modelos citados pela literatura para detetar o EM. As principais limitações do estudo estão relacionadas com a amostra de conveniência e de pequena dimensão, e com o possível enviesamento das respostas pelo social desirability response bias. Ao revelar algum desconhecimento por parte dos CC´s sobre o conceito, a classificação e as formas de deteção de EM as conclusões do estudo são relevantes para os reguladores e académicos, expondo a necessidade de divulgar a investigação realizada sobre EM e de incluir este tópico ao nível da formação académica e da formação ao longo da vida dos CC´s. Os resultados realçam a urgência da concertação de ações no sentido da prevenção/deteção de práticas de EM que visam a minimização de impostos e a obtenção/renegociação de crédito bancário, em Portugal. |
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| Autores principais: | Mendes, Joel Filipe Teixeira |
| Assunto: | Contabilistas certificados Earnings management Informação financeira Perceções Portugal Certified accountants Financial information Perceptions Ciências Sociais::Economia e Gestão |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A literatura internacional sugere que os fatores institucionais explicam diferenças nas perceções dos contabilistas sobre EM. É objetivo desta dissertação contribuir para a literatura, explorando as perceções dos CC´s sobre o conceito, as práticas, as motivações e formas de deteção de EM, em Portugal. Para tal, implementou-se um questionário estruturado junto de 15 CC’s. Os resultados revelam que para a maioria dos CC’s o EM resulta da flexibilidade e imprecisão das normas e do processo contabilístico, e das escolhas feitas nesse âmbito, visão que é consistente com a literatura. Realça-se que 6 CC’s não apresentam um conceito de EM referindo apenas que são atos ilegais. Embora os CC’s revelem não conhecer a dupla classificação de EM usada na literatura (perspetivas informativa e oportunista), consideram EM como legal, se as ações forem executadas dentro dos limites das normas de contabilidade, ou ilegal, se as ações são executadas fora dos limites da lei, o que se revela consistente com a literatura. Contudo, a maioria dos CC’s perceciona apenas o EM como uma prática ilegal. Conclui-se ainda que os todos os CC’s homens vêm o EM na perspetiva informacional e oportunista, enquanto 8 das 9 CC’s mulheres percecionam as práticas de EM apenas como atos ilegais, resultado, que à luz da teoria da socialização de género (Betz et al., 1989), poderá revelar uma maior preocupação ética por parte das mulheres, e/ou um desconhecimento sobre o duplo enquadramento das práticas de EM. A evidência recolhida indica que, apesar dos CC’s não conhecerem a classificação de EM usada na literatura, em manipulação real e contabilística, identificam diversas práticas que cabem dentro desses conceitos, referindo que as práticas de EM em Portugal consistem maioritariamente em ações para obter financiamento e/ou diminuir a carga fiscal. Esta visão reflete o objetivo e motivação e não as práticas de EM. Relativamente aos incentivos de EM, foram identificados 9 incentivos, e desses, a minimização do pagamento de impostos e a obtenção de crédito junto da banca foram os mais referidos, sendo percecionados como as motivações de EM prevalecentes em Portugal. Esta visão é consistente com a literatura (Marques et al., 2011; Moreira, 2006a), e transversal aos diferentes perfis dos CC’s da amostra, o que reforça a necessidade de uma atenção especial para estas questões, por parte das entidades reguladoras e fiscalizadoras da profissão em Portugal. Consistente com a literatura, a maioria dos CC’s considera que o EM é detetável. Relativamente às formas de deteção, a realização de auditorias foi a mais citada, e apenas um CC referiu a análise dos accruals como método de deteção, o que revela um desconhecimento sobre os modelos citados pela literatura para detetar o EM. As principais limitações do estudo estão relacionadas com a amostra de conveniência e de pequena dimensão, e com o possível enviesamento das respostas pelo social desirability response bias. Ao revelar algum desconhecimento por parte dos CC´s sobre o conceito, a classificação e as formas de deteção de EM as conclusões do estudo são relevantes para os reguladores e académicos, expondo a necessidade de divulgar a investigação realizada sobre EM e de incluir este tópico ao nível da formação académica e da formação ao longo da vida dos CC´s. Os resultados realçam a urgência da concertação de ações no sentido da prevenção/deteção de práticas de EM que visam a minimização de impostos e a obtenção/renegociação de crédito bancário, em Portugal. |
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