Publicação

O que é a cidade, ou quem parasita quem?

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A cidade é encontro; é contacto, visual, físico, emocional; é oportunidade e criação; é habitat da maior parte de nós, humanos; é a mais complexa criação humana. Mas também é separação; lugar de compartimentação, de muros e de exploração; miséria absoluta, anomia e indiferença; é a mais falhada das criações humanas. É tudo e nada, utopia e distopia, e tudo o que que está entre os polos opostos deste espectro. É nesta completa ambivalência que a sinto, eu que a vejo de um ponto de vista privilegiado, seguro, higienizado, exclusivo, e que me permito apenas fazer breves excursões a outras cidades que existem na(s) minha(s) ou a outras que me são tão distantes, outras que aparentemente nada têm haver com a que habito, que me parecem outros mundos. Poderia seguir múltiplos caminhos para desenvolver o meu ponto de vista ambivalente sobre o que é a cidade. Decidi subverter o requisito de pensar “o que é a cidade para mim”, deixando como referência um livro, um filme, e uma peça sonora, e ao invés, sublinhar, através da análise de um filme, de uma fotografia e de um livro, apenas uma dimensão das cidades contemporâneas em que reflito frequentemente: a desigualdade social e espacial e os processos de expulsão e despossessão que assolam cidades do norte e do sul global. Para o efeito, utilizo o argumento do filme Parasite (2019) de Bong Joon-ho, apresento uma fotografia de Seul, diretamente relacionada com o filme, e convoco a narrativa do livro A Fine Balance (1995) de Rohinton Mistry.
Autores principais:Sarmento, João Carlos Vicente
Assunto:Ciências Sociais::Geografia Económica e Social
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A cidade é encontro; é contacto, visual, físico, emocional; é oportunidade e criação; é habitat da maior parte de nós, humanos; é a mais complexa criação humana. Mas também é separação; lugar de compartimentação, de muros e de exploração; miséria absoluta, anomia e indiferença; é a mais falhada das criações humanas. É tudo e nada, utopia e distopia, e tudo o que que está entre os polos opostos deste espectro. É nesta completa ambivalência que a sinto, eu que a vejo de um ponto de vista privilegiado, seguro, higienizado, exclusivo, e que me permito apenas fazer breves excursões a outras cidades que existem na(s) minha(s) ou a outras que me são tão distantes, outras que aparentemente nada têm haver com a que habito, que me parecem outros mundos. Poderia seguir múltiplos caminhos para desenvolver o meu ponto de vista ambivalente sobre o que é a cidade. Decidi subverter o requisito de pensar “o que é a cidade para mim”, deixando como referência um livro, um filme, e uma peça sonora, e ao invés, sublinhar, através da análise de um filme, de uma fotografia e de um livro, apenas uma dimensão das cidades contemporâneas em que reflito frequentemente: a desigualdade social e espacial e os processos de expulsão e despossessão que assolam cidades do norte e do sul global. Para o efeito, utilizo o argumento do filme Parasite (2019) de Bong Joon-ho, apresento uma fotografia de Seul, diretamente relacionada com o filme, e convoco a narrativa do livro A Fine Balance (1995) de Rohinton Mistry.