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Aquisição de verbos da língua portuguesa, no primeiro ciclo de escolaridade, por crianças bilingues luso-alemãs e crianças monolingues alemãs

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Com este estudo pretende-se analisar o processo de aprendizagem do verbo em português por crianças bilingues lusodescendentes e crianças que adquirem o português como língua estrangeira, durante a frequência dos terceiro e quarto anos de escolaridade, a frequentar o projeto bilingue de português-alemão, da Rudolf-Roß-Grundschule, de Hamburgo, Alemanha. Os trinta e nove alunos da amostra foram divididos em três grupos, com base em critérios pré-definidos, sendo o principal o grau de input ao português no seu quotidiano. Ao grupo 1 (G1) pertencem os alunos com exposição regular à língua, o grupo 2 (G2) tem um input mais irregular e esporádico à língua portuguesa e o grupo 3 (G3) é constituído por crianças cuja exposição significativa à língua ocorre exclusivamente em contexto escolar. Para o G3, a língua portuguesa é adquirida como língua estrangeira (PLE). O G1 e o G2 cresceram com exposição a duas línguas: o alemão, a língua dominante do meio envolvente, e o português, a língua de herança (LH). Os objetivos primordiais deste estudo prendem-se com a verificação da existência de diferenças entre os três grupos e a determinação da importância da exposição à língua na infância, no que concerne à aquisição/aprendizagem de propriedades centrais da flexão verbal. Procura-se ainda averiguar se a frequência no projeto bilingue impulsiona o desenvolvimento das competências linguísticas de todos os alunos e, caso este se verifique, em que aspetos ocorre. Os dados obtidos permitem afirmar que, quão maior e mais frequente é a exposição à língua de herança, mais rápido é o desenvolvimento do processo de aquisição de competências e estruturas linguísticas ao nível da classe verbal. Porém, a proximidade dos resultados obtidos pelo G2 e pelo G1 leva a concluir que o “tempo de exposição acumulado” à língua do G2 ao longo da infância é suficiente para desencadear um processo de aquisição do verbo semelhante ao do G1. Os alunos do G3 revelam uma evolução significativa de competências linguísticas. Em conclusão, há um desenvolvimento positivo da competência linguística dos falantes de herança e de PLE, indício de que a frequência no projeto bilingue revela ser uma mais-valia para todos.
Autores principais:Freitas, Maria João da Costa
Assunto:Bilinguismo Português língua de herança Português língua estrangeira Exposição linguística Classe verbal Bilingualism Portuguese as a heritage language Portuguese as a foreign language Language input Portuguese verbal class
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Com este estudo pretende-se analisar o processo de aprendizagem do verbo em português por crianças bilingues lusodescendentes e crianças que adquirem o português como língua estrangeira, durante a frequência dos terceiro e quarto anos de escolaridade, a frequentar o projeto bilingue de português-alemão, da Rudolf-Roß-Grundschule, de Hamburgo, Alemanha. Os trinta e nove alunos da amostra foram divididos em três grupos, com base em critérios pré-definidos, sendo o principal o grau de input ao português no seu quotidiano. Ao grupo 1 (G1) pertencem os alunos com exposição regular à língua, o grupo 2 (G2) tem um input mais irregular e esporádico à língua portuguesa e o grupo 3 (G3) é constituído por crianças cuja exposição significativa à língua ocorre exclusivamente em contexto escolar. Para o G3, a língua portuguesa é adquirida como língua estrangeira (PLE). O G1 e o G2 cresceram com exposição a duas línguas: o alemão, a língua dominante do meio envolvente, e o português, a língua de herança (LH). Os objetivos primordiais deste estudo prendem-se com a verificação da existência de diferenças entre os três grupos e a determinação da importância da exposição à língua na infância, no que concerne à aquisição/aprendizagem de propriedades centrais da flexão verbal. Procura-se ainda averiguar se a frequência no projeto bilingue impulsiona o desenvolvimento das competências linguísticas de todos os alunos e, caso este se verifique, em que aspetos ocorre. Os dados obtidos permitem afirmar que, quão maior e mais frequente é a exposição à língua de herança, mais rápido é o desenvolvimento do processo de aquisição de competências e estruturas linguísticas ao nível da classe verbal. Porém, a proximidade dos resultados obtidos pelo G2 e pelo G1 leva a concluir que o “tempo de exposição acumulado” à língua do G2 ao longo da infância é suficiente para desencadear um processo de aquisição do verbo semelhante ao do G1. Os alunos do G3 revelam uma evolução significativa de competências linguísticas. Em conclusão, há um desenvolvimento positivo da competência linguística dos falantes de herança e de PLE, indício de que a frequência no projeto bilingue revela ser uma mais-valia para todos.