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Mulheres (in)visíveis: que "género" de comentadores no horário nobre da televisão?

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Resumo:O pequeno ecrã é quase como uma espécie de montra de loja dos chineses. Aqui, encontra-se de tudo para todos os gostos, mas os artigos nem sempre primam pela boa qualidade e, sobretudo, os interlocutores são, demasiadas vezes, os mesmos. Há um discurso dominante, pelo que são deixadas na sombra realidades que mereciam ser iluminadas, como outras o são até à exaustão, provocando, por sua vez, a saturação entre a audiência. É um “não-dito” que existe, mas quase deixa de existir porque não é dito. Entra-se no “círculo vicioso” de Dominique Wolton. Nesta pré-hiper-televisão em que vivemos, interessa-nos estudar os comentadores que marcam presença nos plateaux televisivos, porque a televisão é hoje uma espécie de fórum dos tempos modernos. Os comentários não são notícia. Assim, é fundamental perceber os mecanismos por detrás da escolha de um comentador. Só assim se poderá descodificar um discurso e ler nas entrelinhas as ideias que nos pretendem “vender”. Para isso, é também necessário perceber onde são recrutados. Quem são, como são escolhidas estas pessoas que definem o que é objecto de discussão? Porque são escolhidas estas e não outras? Há grupos privilegiados? Dentro destes, podemos falar de classes profissionais preferidas a outras? Porque é que são seleccionados sempre os mesmos analistas/críticos? É uma classe pré-definida, fechada ou em constante mutação? Que características subjazem à escolha? Mas, sobretudo, porque é que, quando olhamos para o actual panorama audiovisual português, parece-nos ver uma prevalência de homens? São as mulheres discriminadas? Porquê? Ou são elas próprias que se auto-excluem? Mais: tentamos perceber se o talento, o mérito, o conhecimento, a capacidade de argumentação têm sexo? Para tal, alicerçámos esta investigação em duas traves mestras. A parte teórica faz o imprescindível levantamento dos poucos estudos que ainda existem, no panorama português, sobre a questão de género no jornalismo. A parte empírica estuda a realidade portuguesa, no que concerne aos plateaux televisivos. Neste âmbito, analisámos ao longo de seis meses (Setembro a Fevereiro de 2011) 1054 emissões em horário nobre, correspondentes a 1297 convidados. Cruzámos as variáveis proveniência geográfica, sexo, profissão, ligação ao tema do programa com o género, de forma a percebermos qual é o papel da mulher em estúdio. Tentámos ainda ir um pouco mais longe e escrutinamos as razões que explicam o afastamento da mulher destes espaços que funcionam como ágoras modernas. Esta investigação insere-se no projecto “Jornalismo televisivo e cidadania: os desafios da esfera pública digital” (FCT PTDC/CCI-JOR/099994/2008). Os investigadores da Universidade do Minho envolvidos nesta equipa pretendem, ao longo dos três anos em estudo, perceber a integração do telespectador nos conteúdos televisivos e traçar também o perfil dos convidados televisivos. Este trabalho estuda ainda que indirectamente o papel da mulher no mundo do trabalho e no jornalismo. Tal opção decorre da própria condição de quem realiza esta dissertação. Ortega Y Gasset dizia “eu sou eu e a minha própria circunstância”. Pois bem: este é um trabalho científico de uma jornalista que após dez anos a exercer a profissão sentiu a necessidade de reflectir um pouco sobre a mulher, o jornalismo e os plateaux televisivos.
Autores principais:Vieira, Ana Paula de Matos Pereira
Assunto:Mulheres Sexo Poder Comentadores Plateaux televisivos Women Gender Power Commentators Television plateaux
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O pequeno ecrã é quase como uma espécie de montra de loja dos chineses. Aqui, encontra-se de tudo para todos os gostos, mas os artigos nem sempre primam pela boa qualidade e, sobretudo, os interlocutores são, demasiadas vezes, os mesmos. Há um discurso dominante, pelo que são deixadas na sombra realidades que mereciam ser iluminadas, como outras o são até à exaustão, provocando, por sua vez, a saturação entre a audiência. É um “não-dito” que existe, mas quase deixa de existir porque não é dito. Entra-se no “círculo vicioso” de Dominique Wolton. Nesta pré-hiper-televisão em que vivemos, interessa-nos estudar os comentadores que marcam presença nos plateaux televisivos, porque a televisão é hoje uma espécie de fórum dos tempos modernos. Os comentários não são notícia. Assim, é fundamental perceber os mecanismos por detrás da escolha de um comentador. Só assim se poderá descodificar um discurso e ler nas entrelinhas as ideias que nos pretendem “vender”. Para isso, é também necessário perceber onde são recrutados. Quem são, como são escolhidas estas pessoas que definem o que é objecto de discussão? Porque são escolhidas estas e não outras? Há grupos privilegiados? Dentro destes, podemos falar de classes profissionais preferidas a outras? Porque é que são seleccionados sempre os mesmos analistas/críticos? É uma classe pré-definida, fechada ou em constante mutação? Que características subjazem à escolha? Mas, sobretudo, porque é que, quando olhamos para o actual panorama audiovisual português, parece-nos ver uma prevalência de homens? São as mulheres discriminadas? Porquê? Ou são elas próprias que se auto-excluem? Mais: tentamos perceber se o talento, o mérito, o conhecimento, a capacidade de argumentação têm sexo? Para tal, alicerçámos esta investigação em duas traves mestras. A parte teórica faz o imprescindível levantamento dos poucos estudos que ainda existem, no panorama português, sobre a questão de género no jornalismo. A parte empírica estuda a realidade portuguesa, no que concerne aos plateaux televisivos. Neste âmbito, analisámos ao longo de seis meses (Setembro a Fevereiro de 2011) 1054 emissões em horário nobre, correspondentes a 1297 convidados. Cruzámos as variáveis proveniência geográfica, sexo, profissão, ligação ao tema do programa com o género, de forma a percebermos qual é o papel da mulher em estúdio. Tentámos ainda ir um pouco mais longe e escrutinamos as razões que explicam o afastamento da mulher destes espaços que funcionam como ágoras modernas. Esta investigação insere-se no projecto “Jornalismo televisivo e cidadania: os desafios da esfera pública digital” (FCT PTDC/CCI-JOR/099994/2008). Os investigadores da Universidade do Minho envolvidos nesta equipa pretendem, ao longo dos três anos em estudo, perceber a integração do telespectador nos conteúdos televisivos e traçar também o perfil dos convidados televisivos. Este trabalho estuda ainda que indirectamente o papel da mulher no mundo do trabalho e no jornalismo. Tal opção decorre da própria condição de quem realiza esta dissertação. Ortega Y Gasset dizia “eu sou eu e a minha própria circunstância”. Pois bem: este é um trabalho científico de uma jornalista que após dez anos a exercer a profissão sentiu a necessidade de reflectir um pouco sobre a mulher, o jornalismo e os plateaux televisivos.