Publicação
Corpos em confinamento
| Resumo: | Comecei este texto no dia 20 de abril do ano de 2020, algures na quinta semana de confinamento da pandemia por conta do coronavírus Covid-19. Confesso que sem a expansão do meu corpo no espaço, a minha capacidade de pensar tem ficado bloqueada. Por vezes tenho mesmo que sair de casa para a minha mente poder voltar a si. Eram 11h07. O site https://www.worldometers.info/coronavirus/ indicava, em nível mundial, 2.418.845 de pessoas infectadas e 165.759 casos confirmados de morte por Covid- 19. Estes são números “oficiais” e a comunicação social nos lembra regularmente que os números reais devem ser bem mais elevados. Reina uma incerteza líquida, tal como antecipado por Zygmunt Bauman. Não existe tratamento conhecido para esse vírus, mas sabe-se da sua grande resistência e capacidade de propagação. Ninguém sabe se está imune, mas sabe-se do efeito devastador do vírus em pessoas vulneráveis. Face ao imperativo de conter a epidemia, egoísmo e altruísmo fundem-se numa mesma narrativa de apelo ao isolamento social e ao confinamento para evitar o colapso do sistema de saúde. |
|---|---|
| Autores principais: | Silva, José Eduardo |
| Assunto: | Confinamento COVID-19 |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Comecei este texto no dia 20 de abril do ano de 2020, algures na quinta semana de confinamento da pandemia por conta do coronavírus Covid-19. Confesso que sem a expansão do meu corpo no espaço, a minha capacidade de pensar tem ficado bloqueada. Por vezes tenho mesmo que sair de casa para a minha mente poder voltar a si. Eram 11h07. O site https://www.worldometers.info/coronavirus/ indicava, em nível mundial, 2.418.845 de pessoas infectadas e 165.759 casos confirmados de morte por Covid- 19. Estes são números “oficiais” e a comunicação social nos lembra regularmente que os números reais devem ser bem mais elevados. Reina uma incerteza líquida, tal como antecipado por Zygmunt Bauman. Não existe tratamento conhecido para esse vírus, mas sabe-se da sua grande resistência e capacidade de propagação. Ninguém sabe se está imune, mas sabe-se do efeito devastador do vírus em pessoas vulneráveis. Face ao imperativo de conter a epidemia, egoísmo e altruísmo fundem-se numa mesma narrativa de apelo ao isolamento social e ao confinamento para evitar o colapso do sistema de saúde. |
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