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O consumo de roupas usadas nos mercados informais moçambicanos: o caso da cidade de Maputo

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Resumo:A partir da reflexão teórica sobre os conceitos de classes sociais e estratificação social, suas fronteiras, intersecções e divergências, a nossa pesquisa interroga-se se os consumidores de roupas usadas podem ser considerados membros da mesma classe ou de classes sociais diferentes, do mesmo estrato social ou de estratos sociais diferentes. Recorrendo à metodologia qualitativa, que é complementada por dados quantitativos, e usando uma amostra de vinte e quatro elementos (nove vendedores e quinze consumidores de roupas usadas, intencionalmente escolhidos, cuja selecção é antecedida por uma exploração dos mercados informais, locais de comercialização de roupas usadas) constatámos que os recursos escolares e de propriedade traçam dissemelhanças entre os consumidores de roupas usadas. De facto, são agentes possuidores destes recursos que não só demonstram maior poder na aquisição bens materiais mas também investem mais no consumo que vai para além da utilidade prática dos mesmos bens. São agentes que possuem recursos escolares e de propriedade que têm uma relação ambígua com as roupas usadas. Portanto, nesta perspectiva, faz sentido falar-se da existência de estratos sociais entre os compradores de roupa usada. No entanto, a promoção destas diferenciações ao estatuto de classes sociais é problemática, pois parte do princípio de que as divisões entre os consumidores de roupa usada são extensivas a toda a sociedade, ou seja, parte do princípio que estudar os consumidores de roupa usada é mesmo que estudar toda a sociedade moçambicana. De forma mais simples: os consumidores de roupa usada não constituem uma amostra representativa da sociedade moçambicana. Deste modo, a determinação das classes sociais a que pertencem os consumidores de roupa deve ser ancorada num estudo sistematizado da estrutura social da sociedade moçambicana, à luz da qual será possível não só determinar as classes a que pertencem, em geral, os diferentes grupos localizados na sociedade moçambicana como também, em particular, os consumidores de roupas usadas.
Autores principais:Cumbane, Pedro Elias
Assunto:Classes sociais Estratificações sociais Mercados informais Consumo de roupas usadas Moçambique Social classes Social stratifications Informal markets Consumption of used clothing Mozambique
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A partir da reflexão teórica sobre os conceitos de classes sociais e estratificação social, suas fronteiras, intersecções e divergências, a nossa pesquisa interroga-se se os consumidores de roupas usadas podem ser considerados membros da mesma classe ou de classes sociais diferentes, do mesmo estrato social ou de estratos sociais diferentes. Recorrendo à metodologia qualitativa, que é complementada por dados quantitativos, e usando uma amostra de vinte e quatro elementos (nove vendedores e quinze consumidores de roupas usadas, intencionalmente escolhidos, cuja selecção é antecedida por uma exploração dos mercados informais, locais de comercialização de roupas usadas) constatámos que os recursos escolares e de propriedade traçam dissemelhanças entre os consumidores de roupas usadas. De facto, são agentes possuidores destes recursos que não só demonstram maior poder na aquisição bens materiais mas também investem mais no consumo que vai para além da utilidade prática dos mesmos bens. São agentes que possuem recursos escolares e de propriedade que têm uma relação ambígua com as roupas usadas. Portanto, nesta perspectiva, faz sentido falar-se da existência de estratos sociais entre os compradores de roupa usada. No entanto, a promoção destas diferenciações ao estatuto de classes sociais é problemática, pois parte do princípio de que as divisões entre os consumidores de roupa usada são extensivas a toda a sociedade, ou seja, parte do princípio que estudar os consumidores de roupa usada é mesmo que estudar toda a sociedade moçambicana. De forma mais simples: os consumidores de roupa usada não constituem uma amostra representativa da sociedade moçambicana. Deste modo, a determinação das classes sociais a que pertencem os consumidores de roupa deve ser ancorada num estudo sistematizado da estrutura social da sociedade moçambicana, à luz da qual será possível não só determinar as classes a que pertencem, em geral, os diferentes grupos localizados na sociedade moçambicana como também, em particular, os consumidores de roupas usadas.