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A saúde reprodutiva masculina: que realidade?

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Resumo:Introdução: O cuidado pré-concecional reúne uma panóplia de intervenções de saúde biomédica, comportamental e social para mulheres e casais antes da conceção, com o objetivo de melhorar o seu estado de saúde e reduzir comportamentos, fatores individuais e ambientais que possam contribuir para maus resultados na saúde materna e infantil (WHO,2013). Apesar do foco dos cuidados no período pré-concecional estar centrado na mulher, é preconizada uma visão mais integrativa que promova o envolvimento construtivo do homem na saúde reprodutiva enquanto agente de mudança nas famílias e comunidades (Hardee, Croce-Galis, & Gay, 2016). O novo conceito de cuidados pré-concecionais com enfoque no homem salienta que a chave é a saúde intergeracional, em que a meta simultânea é a melhoria da saúde dos homens, famílias e futuras gerações (Kotelchuck & Lu, 2017). Objetivos: Explorar o conhecimento dos homens sobre os comportamentos de saúde no período pré-concecional; Explorar os comportamentos de saúde dos homens no período préconcecional. Metodologia: Estudo exploratório e retrospetivo. Amostragem não probabilística, não intencional; inclusão de 42 homens, cujas parceiras estavam grávidas. Recolha de dados através de inquérito por entrevista. Tratamento e análise de dados com recurso a estatística descritiva. Resultados: Dos participantes no estudo, 80,95% dos homens não realizaram consulta préconcecional. Dos 19,05% que realizaram, apenas 4,76% recebeu aconselhamento sobre o impacto dos estilos de vida na fertilidade masculina. Outras fontes de informação durante o período pré-concecional foram os amigos (4,76%) e a internet (9,52%). O rastreio de infeções sexualmente transmissíveis foi realizado por apenas 16,76% dos futuros pais. Os hábitos tabágicos foram identificados em 61,9% dos homens e apenas 9,52% cessaram antes da conceção. O excesso de peso ou obesidade foi identificado em 71,4% dos homens e cerca de 28,57% utilizaram medicação (antidepressivos e antibióticos) nos 3 meses antes da conceção, com potenciais efeitos adversos na saúde reprodutiva. Conclusão: A otimização de resultados e ganhos em saúde durante a gravidez só pode ser maximizada se for enquadrada num conjunto alargado de intervenções, a iniciar na consulta pré-concecional. O enfermeiro especialista em saúde materna e obstétrica ao incluir e envolver os homens no nos cuidados pré-concecionais estará a contribuir para uma melhoria no planeamento familiar, fertilidade, resultados de saúde maternos infantis e ainda preparar melhor os homens para a paternidade.
Autores principais:Silva, Catarina Sofia Maia
Outros Autores:Martins, Cristina Araújo; Leite, Estela Carolina Castro
Assunto:Fertilidade Homem Pré-conceção
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Introdução: O cuidado pré-concecional reúne uma panóplia de intervenções de saúde biomédica, comportamental e social para mulheres e casais antes da conceção, com o objetivo de melhorar o seu estado de saúde e reduzir comportamentos, fatores individuais e ambientais que possam contribuir para maus resultados na saúde materna e infantil (WHO,2013). Apesar do foco dos cuidados no período pré-concecional estar centrado na mulher, é preconizada uma visão mais integrativa que promova o envolvimento construtivo do homem na saúde reprodutiva enquanto agente de mudança nas famílias e comunidades (Hardee, Croce-Galis, & Gay, 2016). O novo conceito de cuidados pré-concecionais com enfoque no homem salienta que a chave é a saúde intergeracional, em que a meta simultânea é a melhoria da saúde dos homens, famílias e futuras gerações (Kotelchuck & Lu, 2017). Objetivos: Explorar o conhecimento dos homens sobre os comportamentos de saúde no período pré-concecional; Explorar os comportamentos de saúde dos homens no período préconcecional. Metodologia: Estudo exploratório e retrospetivo. Amostragem não probabilística, não intencional; inclusão de 42 homens, cujas parceiras estavam grávidas. Recolha de dados através de inquérito por entrevista. Tratamento e análise de dados com recurso a estatística descritiva. Resultados: Dos participantes no estudo, 80,95% dos homens não realizaram consulta préconcecional. Dos 19,05% que realizaram, apenas 4,76% recebeu aconselhamento sobre o impacto dos estilos de vida na fertilidade masculina. Outras fontes de informação durante o período pré-concecional foram os amigos (4,76%) e a internet (9,52%). O rastreio de infeções sexualmente transmissíveis foi realizado por apenas 16,76% dos futuros pais. Os hábitos tabágicos foram identificados em 61,9% dos homens e apenas 9,52% cessaram antes da conceção. O excesso de peso ou obesidade foi identificado em 71,4% dos homens e cerca de 28,57% utilizaram medicação (antidepressivos e antibióticos) nos 3 meses antes da conceção, com potenciais efeitos adversos na saúde reprodutiva. Conclusão: A otimização de resultados e ganhos em saúde durante a gravidez só pode ser maximizada se for enquadrada num conjunto alargado de intervenções, a iniciar na consulta pré-concecional. O enfermeiro especialista em saúde materna e obstétrica ao incluir e envolver os homens no nos cuidados pré-concecionais estará a contribuir para uma melhoria no planeamento familiar, fertilidade, resultados de saúde maternos infantis e ainda preparar melhor os homens para a paternidade.