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Memória e património: os legados e os benfeitores da Misericórdia de Braga (séculos XVI-XVIII)

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Resumo:O nosso estudo trata da Santa Casa da Misericórdia de Braga enquanto instituição recetora de legados, quer para a salvação da alma, quer para o tratamento do corpo, analisando o seu papel enquanto gestora dos bens dos mortos. Neste percurso analisaremos o crescimento patrimonial da Santa Casa nas suas múltiplas dimensões, ao mesmo tempo que afirmava a sua identidade e construía a sua memória, tendo por base os legados deixados pelos benfeitores. Escrever sobre a história das Misericórdias, confrarias laicas de imediata proteção régia, é não só analisar a ação social na prática das obras de misericórdia, mas também olhar para o seu valiosíssimo património artístico, cultural e documental, que pretendemos salientar ao longo deste estudo. Na continuidade do período medieval, o homem moderno acreditava convictamente na vida eterna. A morte ocupava o seu quotidiano. Mais do que temê-la, receava a incerteza do momento em que ocorreria e, acima de tudo, a morte repentina, sem a preparação necessária que a Igreja Católica aconselhava. Uma boa morte asseguraria o caminho para a salvação da alma, pensamento que norteava todo o crente da Idade Moderna. A preocupação com a vida eterna traduziu-se na preferência por certos legados: os mais frequentes em favor das missas e da salvação da alma. Mas também ganharam preponderância os que beneficiam as mulheres suscetíveis de enveredar por caminhos pecaminosos e em risco de corromper a sua alma ou dos que estavam à sua volta. Nas preocupações dos legatários sobressaem também os presos, os doentes e pobres envergonhados. A Misericórdia devia cumprir estas obrigações com diligência e rigor, alimentando de forma perpétua os laços que uniam vivos e mortos, num quotidiano profundamente marcado por orações, responsos, ladainhas e missas. O nosso percurso estende-se desde o século XVI, altura em que a instituição foi fundada, até ao final do século XVIII, quando as Santas Casas começaram a apresentar sinais de crise, motivados por profundas mudanças sociais, culturais e políticas. Como o nosso estudo se centra na formação da memória e do património da Misericórdia de Braga, importa refletir sobre os motivos que nortearam a instituição de legados por parte dos benfeitores e de que forma procuravam perpetuar a sua memória e serem lembrados na comunidade ao mesmo tempo que investiam na sua salvação.
Autores principais:Machado, Carla Manuela Sousa
Assunto:Legados Memória Misericórdias Património Legacies Memory Heritage
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O nosso estudo trata da Santa Casa da Misericórdia de Braga enquanto instituição recetora de legados, quer para a salvação da alma, quer para o tratamento do corpo, analisando o seu papel enquanto gestora dos bens dos mortos. Neste percurso analisaremos o crescimento patrimonial da Santa Casa nas suas múltiplas dimensões, ao mesmo tempo que afirmava a sua identidade e construía a sua memória, tendo por base os legados deixados pelos benfeitores. Escrever sobre a história das Misericórdias, confrarias laicas de imediata proteção régia, é não só analisar a ação social na prática das obras de misericórdia, mas também olhar para o seu valiosíssimo património artístico, cultural e documental, que pretendemos salientar ao longo deste estudo. Na continuidade do período medieval, o homem moderno acreditava convictamente na vida eterna. A morte ocupava o seu quotidiano. Mais do que temê-la, receava a incerteza do momento em que ocorreria e, acima de tudo, a morte repentina, sem a preparação necessária que a Igreja Católica aconselhava. Uma boa morte asseguraria o caminho para a salvação da alma, pensamento que norteava todo o crente da Idade Moderna. A preocupação com a vida eterna traduziu-se na preferência por certos legados: os mais frequentes em favor das missas e da salvação da alma. Mas também ganharam preponderância os que beneficiam as mulheres suscetíveis de enveredar por caminhos pecaminosos e em risco de corromper a sua alma ou dos que estavam à sua volta. Nas preocupações dos legatários sobressaem também os presos, os doentes e pobres envergonhados. A Misericórdia devia cumprir estas obrigações com diligência e rigor, alimentando de forma perpétua os laços que uniam vivos e mortos, num quotidiano profundamente marcado por orações, responsos, ladainhas e missas. O nosso percurso estende-se desde o século XVI, altura em que a instituição foi fundada, até ao final do século XVIII, quando as Santas Casas começaram a apresentar sinais de crise, motivados por profundas mudanças sociais, culturais e políticas. Como o nosso estudo se centra na formação da memória e do património da Misericórdia de Braga, importa refletir sobre os motivos que nortearam a instituição de legados por parte dos benfeitores e de que forma procuravam perpetuar a sua memória e serem lembrados na comunidade ao mesmo tempo que investiam na sua salvação.