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A habitabilidade do espaço doméstico: o cliente, o arquitecto, o habitante e a casa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho estuda a casa tendo em conta os pontos de vista dos três intervenientes que participam no seu processo de concepção, realização e concretização: o cliente que a encomenda; o arquitecto que a projecta; o habitante que dela se apropria. Neste sentido, pretende-se relacionar a arquitectura da casa com a vida que, no seu interior ela protege, ou seja, com a sua habitabilidade, reflectindo sobre o modo como a casa é projectada e construída em função da maneira como mais tarde é habitada. Na primeira parte do trabalho, desenvolve-se o tema − os sujeitos e a casa – procurando descrever o contributo de cada sujeito (cliente, arquitecto e habitante) no processo de construção, material e imaterial, da casa. Cada um destes sujeitos terá correspondência num capítulo onde, não só se reflecte sobre o seu papel, mas também se procura perceber até que ponto cada um deles interfere, ou pode interferir, no seu projecto de arquitectura. Na segunda parte, concentramo-nos nos problemas que se pretende aprofundar e que se expõem através de testemunhos de casos exemplares, evitando uma narrativa histórica e cronológica. Para o fazer, escolhemos várias casas unifamiliares realizadas no século XX, por diferentes autores, cuja análise relaciona a casa com os seus sujeitos intervenientes: “Casa come me” confronta Curzio Malaparte com Adalberto Libera; em “Farnsworth house”, Mies van der Rohe projecta uma casa de férias para Edith Farnsworth; “The mother’s house” relaciona Vanna com Robert Venturi; “Une petite maison” enquadra os Jeanneret na casa desenhada por Le Corbusier; em “Solar Pavilion”, Alison e Peter Smithson projectam, constroem e habitam o seu espaço doméstico; em “Can Lis e Can Feliz”, Jørn Utzon concretiza duas casas para a sua família, na mesma ilha de Palma de Maiorca; em “Duas casas em Nevogilde”, comparam-se duas casas urbanas projectadas por Eduardo Souto de Moura; e “Khuner villa e Müller villa” relaciona as casas projectadas por Adolf Loos para as famílias Khuner e Müller no mesmo ano de 1930. Cada exemplo, cada caso exemplar, permite concretizar vários problemas que, na leitura conjunta do trabalho, no seu todo, contribuem para delimitar a problemática central da nossa investigação que versa sobre o tema da habitabilidade do espaço doméstico e que nos obriga a pensar na casa em consonância com as pessoas que com ela se correlacionam.
Autores principais:Rodrigues, Ana Luísa Jardim Martins
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este trabalho estuda a casa tendo em conta os pontos de vista dos três intervenientes que participam no seu processo de concepção, realização e concretização: o cliente que a encomenda; o arquitecto que a projecta; o habitante que dela se apropria. Neste sentido, pretende-se relacionar a arquitectura da casa com a vida que, no seu interior ela protege, ou seja, com a sua habitabilidade, reflectindo sobre o modo como a casa é projectada e construída em função da maneira como mais tarde é habitada. Na primeira parte do trabalho, desenvolve-se o tema − os sujeitos e a casa – procurando descrever o contributo de cada sujeito (cliente, arquitecto e habitante) no processo de construção, material e imaterial, da casa. Cada um destes sujeitos terá correspondência num capítulo onde, não só se reflecte sobre o seu papel, mas também se procura perceber até que ponto cada um deles interfere, ou pode interferir, no seu projecto de arquitectura. Na segunda parte, concentramo-nos nos problemas que se pretende aprofundar e que se expõem através de testemunhos de casos exemplares, evitando uma narrativa histórica e cronológica. Para o fazer, escolhemos várias casas unifamiliares realizadas no século XX, por diferentes autores, cuja análise relaciona a casa com os seus sujeitos intervenientes: “Casa come me” confronta Curzio Malaparte com Adalberto Libera; em “Farnsworth house”, Mies van der Rohe projecta uma casa de férias para Edith Farnsworth; “The mother’s house” relaciona Vanna com Robert Venturi; “Une petite maison” enquadra os Jeanneret na casa desenhada por Le Corbusier; em “Solar Pavilion”, Alison e Peter Smithson projectam, constroem e habitam o seu espaço doméstico; em “Can Lis e Can Feliz”, Jørn Utzon concretiza duas casas para a sua família, na mesma ilha de Palma de Maiorca; em “Duas casas em Nevogilde”, comparam-se duas casas urbanas projectadas por Eduardo Souto de Moura; e “Khuner villa e Müller villa” relaciona as casas projectadas por Adolf Loos para as famílias Khuner e Müller no mesmo ano de 1930. Cada exemplo, cada caso exemplar, permite concretizar vários problemas que, na leitura conjunta do trabalho, no seu todo, contribuem para delimitar a problemática central da nossa investigação que versa sobre o tema da habitabilidade do espaço doméstico e que nos obriga a pensar na casa em consonância com as pessoas que com ela se correlacionam.