Publicação
A cobertura jornalística da cultura na Folha de São Paulo e no Público (2012-2018): um olhar cruzado entre Brasil e Portugal
| Resumo: | Interessa-nos aproximar, do ponto de vista analítico, a cobertura cultural de dois países com relações iniciadas no período colonial, Brasil e Portugal. Assim, esta investigação está baseada' em um olhar cruzado: busca-se referências ao Brasil no jornal português Público e a Portugal no brasileiro Folha de São Pau/o. Essa delimitação exige o acionamento de investigações com perspectivas pós-coloniais, além de conceitos como representações sociais, memória social, identidade, estereótipos e emoções coletivas. O objetivo geral é caracterizar a cobertura jornalística da cultura nesses média em dois periodos (2012 e 2018). De forma especifica, objetiva-se mapear os padrões editoriais, compreender aspectos da rotina profissional que afetam a construção das peças e, também, identificar semelhanças e diferenças na cobertura dos dois jornais. Para tal, utilizamos a Análise de Conteúdo em uma amostra de 1118 peças com variáveis que envolvem elementos constitutivos (autoria, fontes, valores-noticia, formatos multimédia etc.) e menções cruzadas sobre Brasil e Portugal. Soma-se à análise seis entrevistas semiestruturadas com editores das seções de cultura de Fo/ha e Público, analisadas por meio da Análise Temática. Entre as semelhanças encontradas nos resultados, destacamos a ênfase dada a Música. Cinema e Livros. o predomínio de protagonistas homens e o aumento de formatos multimédia em 2018. Os valores-noticia com mais ocorrências são Ineditismo, Agenda e Conflito. Sobre as rotinas, os profissionais compartilham a pressão das exigências relacionadas ao digital. Folha e Público divergem no olhar que têm para a produção cultural da ex-metrópole ou ex-colônia. Há uma proximidade maior por parte do jornal português, enquanto se verifica um certo distanciamento no brasileiro. Há um número maior de peças do Público focadas no Brasil (a maioria sobre música) do que o contrário na Folha (a maior parte sobre livros). o que parece remeter à estereótipos sobre a produção cultural de cada pais. Ao designar determinada seção como cultural e inserir ali temáticas, pessoas e expressões artísticas, a prática jornalística contribui para a construção de uma noção partilhada sobre o que é e o que não é cultural em determinado contexto. Folha e Público apresentam uma noção de cultura com um viés erudito e de educação formal. É dada menor ênfase a vendas e volumes de audiência, o que distancia a cobertura de movimentos artísticos contemporâneos em suas trajetórias múltiplas. |
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| Autores principais: | Müller, Mariana Scalabrin |
| Assunto: | Análise de Conteúdo entrevistas Folha de São Paulo jornalismo cultural Público Content Analysis Cultural Journalism interviews Ciências Sociais::Ciências da Comunicação |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Interessa-nos aproximar, do ponto de vista analítico, a cobertura cultural de dois países com relações iniciadas no período colonial, Brasil e Portugal. Assim, esta investigação está baseada' em um olhar cruzado: busca-se referências ao Brasil no jornal português Público e a Portugal no brasileiro Folha de São Pau/o. Essa delimitação exige o acionamento de investigações com perspectivas pós-coloniais, além de conceitos como representações sociais, memória social, identidade, estereótipos e emoções coletivas. O objetivo geral é caracterizar a cobertura jornalística da cultura nesses média em dois periodos (2012 e 2018). De forma especifica, objetiva-se mapear os padrões editoriais, compreender aspectos da rotina profissional que afetam a construção das peças e, também, identificar semelhanças e diferenças na cobertura dos dois jornais. Para tal, utilizamos a Análise de Conteúdo em uma amostra de 1118 peças com variáveis que envolvem elementos constitutivos (autoria, fontes, valores-noticia, formatos multimédia etc.) e menções cruzadas sobre Brasil e Portugal. Soma-se à análise seis entrevistas semiestruturadas com editores das seções de cultura de Fo/ha e Público, analisadas por meio da Análise Temática. Entre as semelhanças encontradas nos resultados, destacamos a ênfase dada a Música. Cinema e Livros. o predomínio de protagonistas homens e o aumento de formatos multimédia em 2018. Os valores-noticia com mais ocorrências são Ineditismo, Agenda e Conflito. Sobre as rotinas, os profissionais compartilham a pressão das exigências relacionadas ao digital. Folha e Público divergem no olhar que têm para a produção cultural da ex-metrópole ou ex-colônia. Há uma proximidade maior por parte do jornal português, enquanto se verifica um certo distanciamento no brasileiro. Há um número maior de peças do Público focadas no Brasil (a maioria sobre música) do que o contrário na Folha (a maior parte sobre livros). o que parece remeter à estereótipos sobre a produção cultural de cada pais. Ao designar determinada seção como cultural e inserir ali temáticas, pessoas e expressões artísticas, a prática jornalística contribui para a construção de uma noção partilhada sobre o que é e o que não é cultural em determinado contexto. Folha e Público apresentam uma noção de cultura com um viés erudito e de educação formal. É dada menor ênfase a vendas e volumes de audiência, o que distancia a cobertura de movimentos artísticos contemporâneos em suas trajetórias múltiplas. |
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