Publicação
Construção e validação de uma escala de autoconceito: estudo com alunos universitários do 1º ano da Universidade Pedagógica de Moçambique
| Resumo: | O autoconceito é um constructo ligado à identidade, sendo relevante em diferentes domínios de realização humana. Apesar de alguma confusão terminológica na área e da diversidade de instrumentos para a sua avaliação, vários autores consideram o autoconceito como uma variável psicológica multidimensional e com impacto no desempenho académico. Em Moçambique desconhecemos a existência de instrumentos de avaliação do autoconceito, por isso o presente estudo centrou-se na construção e validação de um Questionário de Autoconceito para Estudantes do Ensino Superior de Moçambique. A construção do questionário partiu de entrevistas semiestruturadas e da consulta de outros instrumentos de avaliação do autoconceito. A análise do conteúdo dessas entrevistas seguiu a perspectiva de Gordon (1986), procurando identificar as dimensões mais valorizadas pelos estudantes moçambicanos na descrição de si mesmo. Neste sentido, de início foram identificadas sete dimensões do autoconceito (autoconceito religioso, autoconceito artístico, autoconceito académico, autoconceito físico, autoconceito social ou interpessoal, autoestima, e gestão de emoções e sentimentos), mas apenas as cinco primeiras integram a versão definitiva do questionário dada a inconsistência dos resultados com as dimensões de autoestima e a dimensão de gestão de emoções e sentimentos. Junto de uma amostra de 510 alunos com idades entre 17 a 59 anos (M = 25.50; DP = 6.80), sendo 269 (52.7%) do sexo masculino e 241 (47.3%) do sexo feminino, a análise fatorial exploratória permitiu reter um conjunto de 24 itens distribuídos nas cinco dimensões: autoconceito religioso (5 itens), autoconceito artístico (5 itens), autoconceito académico (5 itens), autoconceito físico (4 itens) e autoconceito social (5 itens), explicando 57.8% da variância dos itens da escala. Para a validade de critério, tomamos as classificações finais dos estudantes e outras escalas de avaliação psicológicas (Escala de Autoestima, Escala de Autoeficácia Geral, Escala de Satisfação com Vida, e Questionário de Dificuldades Antecipadas). As relações destas com as dimensões do autoconceito apresentaram níveis diferenciados de correlação (e.g., fraco, moderado e forte) enquanto as classificações dos alunos apresentam correlação fraca e apenas com a dimensão académica do autoconceito. Em relação a diferenciação do autoconceito em função género e idade, os resultados aponta alguma diferenciação apenas na dimensão religiosa a favor das estudantes, sendo que as mais velhas pontuam mais, em comparação com as mais novas, nas dimensões social e religiosa. |
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| Autores principais: | Campira, Farissai P. |
| Assunto: | Autoconceito Adolescentes e jovens-adultos Ensino superior Adaptação académica Moçambique Self-concept Adolescents and young adults Higher education Academic adaptation Mozambique Ciências Sociais::Ciências da Educação |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O autoconceito é um constructo ligado à identidade, sendo relevante em diferentes domínios de realização humana. Apesar de alguma confusão terminológica na área e da diversidade de instrumentos para a sua avaliação, vários autores consideram o autoconceito como uma variável psicológica multidimensional e com impacto no desempenho académico. Em Moçambique desconhecemos a existência de instrumentos de avaliação do autoconceito, por isso o presente estudo centrou-se na construção e validação de um Questionário de Autoconceito para Estudantes do Ensino Superior de Moçambique. A construção do questionário partiu de entrevistas semiestruturadas e da consulta de outros instrumentos de avaliação do autoconceito. A análise do conteúdo dessas entrevistas seguiu a perspectiva de Gordon (1986), procurando identificar as dimensões mais valorizadas pelos estudantes moçambicanos na descrição de si mesmo. Neste sentido, de início foram identificadas sete dimensões do autoconceito (autoconceito religioso, autoconceito artístico, autoconceito académico, autoconceito físico, autoconceito social ou interpessoal, autoestima, e gestão de emoções e sentimentos), mas apenas as cinco primeiras integram a versão definitiva do questionário dada a inconsistência dos resultados com as dimensões de autoestima e a dimensão de gestão de emoções e sentimentos. Junto de uma amostra de 510 alunos com idades entre 17 a 59 anos (M = 25.50; DP = 6.80), sendo 269 (52.7%) do sexo masculino e 241 (47.3%) do sexo feminino, a análise fatorial exploratória permitiu reter um conjunto de 24 itens distribuídos nas cinco dimensões: autoconceito religioso (5 itens), autoconceito artístico (5 itens), autoconceito académico (5 itens), autoconceito físico (4 itens) e autoconceito social (5 itens), explicando 57.8% da variância dos itens da escala. Para a validade de critério, tomamos as classificações finais dos estudantes e outras escalas de avaliação psicológicas (Escala de Autoestima, Escala de Autoeficácia Geral, Escala de Satisfação com Vida, e Questionário de Dificuldades Antecipadas). As relações destas com as dimensões do autoconceito apresentaram níveis diferenciados de correlação (e.g., fraco, moderado e forte) enquanto as classificações dos alunos apresentam correlação fraca e apenas com a dimensão académica do autoconceito. Em relação a diferenciação do autoconceito em função género e idade, os resultados aponta alguma diferenciação apenas na dimensão religiosa a favor das estudantes, sendo que as mais velhas pontuam mais, em comparação com as mais novas, nas dimensões social e religiosa. |
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