Publicação
Impacte do trabalho por turnos na saúde, bem-estar e capacidade para o trabalho dos enfermeiros portugueses: análise comparativa em organizações com diferentes tipologias de gestão
| Resumo: | O impacte do trabalho por turnos nos profissionais de saúde constitui um importante problema de saúde ocupacional, objeto de estudo em diversas áreas científicas, contudo imbuído de um conhecimento parco na enfermagem. Este trabalho surge de uma “inquietação” sentida pela investigadora – reforçada pelo facto da fadiga dos enfermeiros ser “manchete” frequente nos órgãos de comunicação social – e da importância que o conhecimento das especificidades de cada turno de trabalho e dos contextos onde ocorrem assume, para a promoção da saúde global dos enfermeiros que trabalham por turnos. Assim, desenvolveu-se um estudo de natureza descritiva e correlacional, para analisar o impacte do trabalho por turnos na saúde, bem-estar e capacidade para o trabalho dos enfermeiros portugueses que exercem a profissão em organizações com diferentes tipologias de gestão. A amostra envolveu 778 enfermeiros pertencentes a diversas organizações de saúde de Portugal, com sistemas de trabalho por turnos distintos. O protocolo de avaliação consistiu num Questionário Sociodemográfico, Profissional e do Trabalho; na Versão Reduzida do Estudo Padronizado do Trabalho por Turnos; e no Índice de Capacidade para o Trabalho (Silva et al., 2011). Formularam-se três hipóteses: a Hipótese 1 previa a existência de diferenças estatisticamente significativas nos níveis de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho entre os enfermeiros que trabalhavam em organizações com diferentes tipologias de gestão; a Hipótese 2 previa que as variáveis de trabalho por turnos fossem preditores significativos dos níveis de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho dos enfermeiros; e, a Hipótese 3 previa que a tipologia de gestão exercesse um efeito moderador significativo, na relação entre as variáveis do trabalho por turnos e os níveis de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho. Em apoio da Hipótese 1, verificou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas nos níveis de saúde mental dos participantes que pertenciam a Organizações Exploradas por Empresas Privadas, em comparação aos que pertenciam a Organizações Exploradas Diretamente pelo Estado – que exibiam necessidades de maior atenção clínica em termos de morbilidade psicológica. Na Hipótese 2, atestou-se que as variáveis relacionadas com o trabalho por turnos (e.g., carga de trabalho; controlo do ritmo de trabalho) eram preditores significativos das respostas de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho. Na Hipótese 3 confirmou-se o efeito moderador da variável tipologia de gestão, na relação entre a carga de trabalho e o impacte do sistema de turnos na vida, indicando que este se agrava quando aumenta a carga de trabalho e os participantes pertencem a Organizações Exploradas por Empresas Privadas ou a Empresas Públicas. Estes resultados podem ser indicadores de fontes de stress ocupacional, de desgaste físico e emocional, nos enfermeiros que trabalham por turnos, constituindo fatores de risco para a saúde pessoal e organizacional. Este estudo, emana contributos inovadores para os domínios da saúde ocupacional, gestão, prática e ensino da enfermagem. |
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| Autores principais: | Santos, Ana Daniela Vilaça dos |
| Assunto: | Enfermagem Trabalho por turnos Tipologias de gestão Saúde Capacidade para o trabalho Nursing Shift work Management typologies Cheers Work ability |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O impacte do trabalho por turnos nos profissionais de saúde constitui um importante problema de saúde ocupacional, objeto de estudo em diversas áreas científicas, contudo imbuído de um conhecimento parco na enfermagem. Este trabalho surge de uma “inquietação” sentida pela investigadora – reforçada pelo facto da fadiga dos enfermeiros ser “manchete” frequente nos órgãos de comunicação social – e da importância que o conhecimento das especificidades de cada turno de trabalho e dos contextos onde ocorrem assume, para a promoção da saúde global dos enfermeiros que trabalham por turnos. Assim, desenvolveu-se um estudo de natureza descritiva e correlacional, para analisar o impacte do trabalho por turnos na saúde, bem-estar e capacidade para o trabalho dos enfermeiros portugueses que exercem a profissão em organizações com diferentes tipologias de gestão. A amostra envolveu 778 enfermeiros pertencentes a diversas organizações de saúde de Portugal, com sistemas de trabalho por turnos distintos. O protocolo de avaliação consistiu num Questionário Sociodemográfico, Profissional e do Trabalho; na Versão Reduzida do Estudo Padronizado do Trabalho por Turnos; e no Índice de Capacidade para o Trabalho (Silva et al., 2011). Formularam-se três hipóteses: a Hipótese 1 previa a existência de diferenças estatisticamente significativas nos níveis de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho entre os enfermeiros que trabalhavam em organizações com diferentes tipologias de gestão; a Hipótese 2 previa que as variáveis de trabalho por turnos fossem preditores significativos dos níveis de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho dos enfermeiros; e, a Hipótese 3 previa que a tipologia de gestão exercesse um efeito moderador significativo, na relação entre as variáveis do trabalho por turnos e os níveis de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho. Em apoio da Hipótese 1, verificou-se a existência de diferenças estatisticamente significativas nos níveis de saúde mental dos participantes que pertenciam a Organizações Exploradas por Empresas Privadas, em comparação aos que pertenciam a Organizações Exploradas Diretamente pelo Estado – que exibiam necessidades de maior atenção clínica em termos de morbilidade psicológica. Na Hipótese 2, atestou-se que as variáveis relacionadas com o trabalho por turnos (e.g., carga de trabalho; controlo do ritmo de trabalho) eram preditores significativos das respostas de saúde, bem-estar e de capacidade para o trabalho. Na Hipótese 3 confirmou-se o efeito moderador da variável tipologia de gestão, na relação entre a carga de trabalho e o impacte do sistema de turnos na vida, indicando que este se agrava quando aumenta a carga de trabalho e os participantes pertencem a Organizações Exploradas por Empresas Privadas ou a Empresas Públicas. Estes resultados podem ser indicadores de fontes de stress ocupacional, de desgaste físico e emocional, nos enfermeiros que trabalham por turnos, constituindo fatores de risco para a saúde pessoal e organizacional. Este estudo, emana contributos inovadores para os domínios da saúde ocupacional, gestão, prática e ensino da enfermagem. |
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