Publicação
(Re)pensar o espaço prisional: a arquitetura no processo de reclusão
| Resumo: | O espaço arquitetónico exerce um impacto significativo na definição e formação do caráter das pessoas que o frequentam, e o espaço prisional não é exceção. O presente Trabalho de Projeto tem como objetivos analisar a influência do espaço prisional no processo de reclusão e desenvolver um projeto de arquitetura que contribua para a reintegração social de reclusos juvenis, destacando o papel que o ambiente prisional desempenha na formação e transformação dos indivíduos. Pretende, portanto, contribuir através da arquitetura para a diluição do estigma que representa a prisão como um ponto final na sua vida em sociedade. Neste sentido, este estudo procurou investigar e identificar os aspetos da arquitetura prisional em contexto europeu que podem afetar positiva ou negativamente o processo de encarceramento e culminou na elaboração de um projeto que promovesse um contexto espacial para além da mera punição. A abordagem proposta visou transformar o espaço prisional num local que apoie a transformação pessoal e ofereça oportunidades para o desenvolvimento de competências, criando um ambiente que favoreça a reflexão, a educação e o crescimento pessoal, facilitando assim a reintegração social dos indivíduos. Para alcançar esse objetivo, a proposta procura quebrar com a tradicional rigidez do espaço prisional através da criação de volumes que dialogam com a envolvente, promovendo uma relação harmoniosa com o terreno. Este enfoque, ao considerar o contexto natural, não só visa contribuir para a humanização dos espaços prisionais, como também pretende criar um ambiente que favoreça a introspeção e o desenvolvimento pessoal dos reclusos. A inclusão de áreas verdes e do rio, na solução programática e arquitetónica aliada à utilização de sistemas construtivos sustentáveis, reforça o compromisso ético com um espaço que, para além de promover a reabilitação social, seja também ecologicamente responsável, e alinhado com as exigências contemporâneas da arquitetura. Neste contexto de transformação, um dos principais pilares do projeto é a integração da música como uma ferramenta fundamental no processo de reabilitação. A música, tão importante nas camadas jovens, para além de ser um meio de autoexpressão e compensação emocional, desempenha um papel crucial na promoção da interação social, na criação de laços entre os reclusos e no desenvolvimento de competências como a disciplina e o trabalho em equipa. Neste sentido, a escolha da música não é apenas um elemento complementar, mas sim estruturante, pois reconhece o seu poder transformador, capaz de estimular o autoconhecimento e proporcionar um suporte eficaz para enfrentar os desafios emocionais que emergem durante a reclusão. A partir desta perspetiva, a arquitetura prisional, concebida com base em princípios de dignidade, sustentabilidade e inclusão cultural, tem o potencial de transformar a experiência de reclusão. Ao colocar a música e a relação ativa com natureza no centro do processo de reabilitação, o projeto vai além da simples contenção dos reclusos, oferecendo-lhes ferramentas efetivas para o seu desenvolvimento pessoal. Deste modo, a proposta procura criar um ambiente que favoreça a educação, o bem-estar psicológico e a reintegração, permitindo que os reclusos retomem a sua vida em sociedade com melhores competências e uma perspetiva renovada. |
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| Autores principais: | Silva, Nelson André Ferreira da |
| Assunto: | Arquitetura prisional Reclusão Reabilitação Reintegração Social Música Prison architecture Reclusion Rehabilitation Social reintegration Music |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O espaço arquitetónico exerce um impacto significativo na definição e formação do caráter das pessoas que o frequentam, e o espaço prisional não é exceção. O presente Trabalho de Projeto tem como objetivos analisar a influência do espaço prisional no processo de reclusão e desenvolver um projeto de arquitetura que contribua para a reintegração social de reclusos juvenis, destacando o papel que o ambiente prisional desempenha na formação e transformação dos indivíduos. Pretende, portanto, contribuir através da arquitetura para a diluição do estigma que representa a prisão como um ponto final na sua vida em sociedade. Neste sentido, este estudo procurou investigar e identificar os aspetos da arquitetura prisional em contexto europeu que podem afetar positiva ou negativamente o processo de encarceramento e culminou na elaboração de um projeto que promovesse um contexto espacial para além da mera punição. A abordagem proposta visou transformar o espaço prisional num local que apoie a transformação pessoal e ofereça oportunidades para o desenvolvimento de competências, criando um ambiente que favoreça a reflexão, a educação e o crescimento pessoal, facilitando assim a reintegração social dos indivíduos. Para alcançar esse objetivo, a proposta procura quebrar com a tradicional rigidez do espaço prisional através da criação de volumes que dialogam com a envolvente, promovendo uma relação harmoniosa com o terreno. Este enfoque, ao considerar o contexto natural, não só visa contribuir para a humanização dos espaços prisionais, como também pretende criar um ambiente que favoreça a introspeção e o desenvolvimento pessoal dos reclusos. A inclusão de áreas verdes e do rio, na solução programática e arquitetónica aliada à utilização de sistemas construtivos sustentáveis, reforça o compromisso ético com um espaço que, para além de promover a reabilitação social, seja também ecologicamente responsável, e alinhado com as exigências contemporâneas da arquitetura. Neste contexto de transformação, um dos principais pilares do projeto é a integração da música como uma ferramenta fundamental no processo de reabilitação. A música, tão importante nas camadas jovens, para além de ser um meio de autoexpressão e compensação emocional, desempenha um papel crucial na promoção da interação social, na criação de laços entre os reclusos e no desenvolvimento de competências como a disciplina e o trabalho em equipa. Neste sentido, a escolha da música não é apenas um elemento complementar, mas sim estruturante, pois reconhece o seu poder transformador, capaz de estimular o autoconhecimento e proporcionar um suporte eficaz para enfrentar os desafios emocionais que emergem durante a reclusão. A partir desta perspetiva, a arquitetura prisional, concebida com base em princípios de dignidade, sustentabilidade e inclusão cultural, tem o potencial de transformar a experiência de reclusão. Ao colocar a música e a relação ativa com natureza no centro do processo de reabilitação, o projeto vai além da simples contenção dos reclusos, oferecendo-lhes ferramentas efetivas para o seu desenvolvimento pessoal. Deste modo, a proposta procura criar um ambiente que favoreça a educação, o bem-estar psicológico e a reintegração, permitindo que os reclusos retomem a sua vida em sociedade com melhores competências e uma perspetiva renovada. |
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