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A representação feminina na gestão em Portugal: caracterização e desempenho empresarial

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Em Portugal, os estudos existentes sobre a relação entre a diversidade de género e o desempenho organizacional apresentam resultados heterogéneos e focam-se, sobretudo, na gestão de topo. Esta investigação amplia essa análise aos três níveis de gestão - topo, intermédia e operacional - com o objetivo de caracterizar a relação entre a participação das mulheres na gestão e o desempenho das empresas, assim como quantificar e descrever essa participação em termos de intensidade e nível hierárquico. Além disso, analisa-se se existe um padrão no perfil das empresas com representação feminina na gestão. Para esse efeito, foi desenvolvido um modelo econométrico de regressão, composto por cinco versões, com base em dados seccionais de 2 701 empresas portuguesas, recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao ano de 2022. Os resultados revelam que a participação das mulheres na gestão está associada a uma redução na produtividade do trabalho, sem evidência estatística relativamente à sua correlação com as vendas ou a rentabilidade (ROA e ROE). Verifica-se ainda que a relação entre a intensidade da representação feminina na gestão e o desempenho empresarial não é linear, sugerindo a existência de uma massa crítica de representatividade (40%), a partir da qual a associação com a produtividade se torna negativa significativa, enquanto a relação com as vendas e a rentabilidade deixa de ser estatisticamente relevante. A análise confirma a sub-representação das mulheres nos cargos de gestão de topo e identifica uma maior participação feminina em empresas de maior dimensão, embora não se observem diferenças relevantes na alavancagem financeira. Em contraste, a presença feminina na gestão de topo apresenta uma correlação negativa significativa com a produtividade, o ROA e o ROE. Assim, conclui-se que as relações entre os indicadores e a diversidade de género variam consoante o nível hierárquico, intensidade da participação e o perfil empresarial, destacando a necessidade de políticas mais contextualizadas e estratégicas para promover a igualdade de género.
Autores principais:Carvalho, Maria Calheiros Dias de
Assunto:Desempenho empresarial Diversidade de género Gestão Portugal Firm performance Gender diversity Management
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Em Portugal, os estudos existentes sobre a relação entre a diversidade de género e o desempenho organizacional apresentam resultados heterogéneos e focam-se, sobretudo, na gestão de topo. Esta investigação amplia essa análise aos três níveis de gestão - topo, intermédia e operacional - com o objetivo de caracterizar a relação entre a participação das mulheres na gestão e o desempenho das empresas, assim como quantificar e descrever essa participação em termos de intensidade e nível hierárquico. Além disso, analisa-se se existe um padrão no perfil das empresas com representação feminina na gestão. Para esse efeito, foi desenvolvido um modelo econométrico de regressão, composto por cinco versões, com base em dados seccionais de 2 701 empresas portuguesas, recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao ano de 2022. Os resultados revelam que a participação das mulheres na gestão está associada a uma redução na produtividade do trabalho, sem evidência estatística relativamente à sua correlação com as vendas ou a rentabilidade (ROA e ROE). Verifica-se ainda que a relação entre a intensidade da representação feminina na gestão e o desempenho empresarial não é linear, sugerindo a existência de uma massa crítica de representatividade (40%), a partir da qual a associação com a produtividade se torna negativa significativa, enquanto a relação com as vendas e a rentabilidade deixa de ser estatisticamente relevante. A análise confirma a sub-representação das mulheres nos cargos de gestão de topo e identifica uma maior participação feminina em empresas de maior dimensão, embora não se observem diferenças relevantes na alavancagem financeira. Em contraste, a presença feminina na gestão de topo apresenta uma correlação negativa significativa com a produtividade, o ROA e o ROE. Assim, conclui-se que as relações entre os indicadores e a diversidade de género variam consoante o nível hierárquico, intensidade da participação e o perfil empresarial, destacando a necessidade de políticas mais contextualizadas e estratégicas para promover a igualdade de género.