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Uma solidão necessária à ordem salazarista: a família como terapêutica nacional

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na especificação das tecnicas de controlo e de vigilância que percorrem a ideologia salazarista, tem lugar preponderante o mecanismo da fixação da crença. "Crer e antes de mais aquilo que nos faz andar"; a partir da crença esta-se pronto a agir - a obedecer, por exemplo. A "tecnologia da patriotização", esse conjunto de tecnicas e de tacticas que constituem a ideologia salazarista, constrange com efeito a um percurso místico. Pela passagem da fragmentação à racionalidade, da degenerescência a regeneração, da mentira à transparência, trata-se de indicar à nação uma geografia de lugares salvíficos. Neste percurso místico, procuramos mostrar a função desempenhada pela família. Na medida em que assinala e enxota a confusão da doença e do mal (a fragmentação e a irracionalidade) ela constitui a solidão necessária a analise disciplinar salazarista. Terapêutica do homem doente e irracionalizado, vemos então o espaço familiar responder a vários imperativos: tornar os corpos racionais (exigência de saúde), obter indivíduos competente, na economia doméstica (exigência de qualificação), formar nacionalistas obedientes (exigência política), prevenir a devassidão, a licença dos costumes, etc. (exigência moral). Analisamos, por fim, a articulação da mística da intimidade do lar com a disciplina do minúsculo.
Autores principais:Martins, Moisés de Lemos
Ano:1986
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Na especificação das tecnicas de controlo e de vigilância que percorrem a ideologia salazarista, tem lugar preponderante o mecanismo da fixação da crença. "Crer e antes de mais aquilo que nos faz andar"; a partir da crença esta-se pronto a agir - a obedecer, por exemplo. A "tecnologia da patriotização", esse conjunto de tecnicas e de tacticas que constituem a ideologia salazarista, constrange com efeito a um percurso místico. Pela passagem da fragmentação à racionalidade, da degenerescência a regeneração, da mentira à transparência, trata-se de indicar à nação uma geografia de lugares salvíficos. Neste percurso místico, procuramos mostrar a função desempenhada pela família. Na medida em que assinala e enxota a confusão da doença e do mal (a fragmentação e a irracionalidade) ela constitui a solidão necessária a analise disciplinar salazarista. Terapêutica do homem doente e irracionalizado, vemos então o espaço familiar responder a vários imperativos: tornar os corpos racionais (exigência de saúde), obter indivíduos competente, na economia doméstica (exigência de qualificação), formar nacionalistas obedientes (exigência política), prevenir a devassidão, a licença dos costumes, etc. (exigência moral). Analisamos, por fim, a articulação da mística da intimidade do lar com a disciplina do minúsculo.