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Saúde, doença e assistência às populações rurais em Portugal no século XVIII. O quadro minhoto: realidades e representações

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Resumo:O objetivo do nosso trabalho consubstanciou-se na análise das condições de saúde, da doença e da assistência das populações rurais portuguesas minhotas do século XVIII. Numa primeira parte e a par do debate, dos progressos científicos e da evolução dos conhecimentos, procurou-se compreender as manifestações e práticas religiosas subjacentes ao pedido de socorro, combate a situações de doença e à procura por parte da comunidade da ajuda divina, como lenitivo para as suas enfermidades. Neste sentido, debruçamo-nos sobre o universo religioso e mental da época, onde se estudaram as representações da doença e da cura, os santos protetores e os milagres. Do mesmo modo, procurou-se percecionar as ajudas do divino na doença no quadro geral do devocionário minhoto, tendo como base os dados das Memórias Paroquiais de 1758. Posteriormente, procurou-se perceber o impacto que os principais santos tinham junto da população enferma. Numa segunda etapa desta investigação, debruçamo-nos sobre o estudo da água, as suas propriedades terapêuticas e o modo como se constituía uma alternativa ao tratamento farmacológico da época. Esta prática curativa apresentava um cariz predominantemente popular, mágico religioso, característica que se manteve até ao início do século XIX, altura em que se deu o reconhecimento científico das propriedades curativas das águas termais, com o termalismo a institucionalizar-se e a tornar-se uma prática regulada pelo setor médico. Foi ainda nosso propósito potenciar uma visão geral da importância das águas para a saúde da população minhota no século XVIII, integrada com o fenómeno religioso e no quadro das vivências e mentalidades desta população, tomando como obras estruturantes as Memórias Paroquiais de 1758 e o Aquilégio Medicinal. Numa terceira e última parte analisaram-se as respostas institucionais às doenças, quer do ponto de vista das instituições administrativas, como dos concelhos, vilas e paróquias. Estudou-se a rede de Misericórdias e hospitais estabelecidas na região do Minho, os seus níveis de desenvolvimento e as respostas assistências às populações. Foi ainda nossa intenção perceber o papel que os cenóbios beneditinos tiveram na assistência às populações enfermas das regiões rurais do Minho no século XVIII.
Autores principais:Araújo, Ana Paula de Azevedo Duarte de
Assunto:Humanidades::História e Arqueologia
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O objetivo do nosso trabalho consubstanciou-se na análise das condições de saúde, da doença e da assistência das populações rurais portuguesas minhotas do século XVIII. Numa primeira parte e a par do debate, dos progressos científicos e da evolução dos conhecimentos, procurou-se compreender as manifestações e práticas religiosas subjacentes ao pedido de socorro, combate a situações de doença e à procura por parte da comunidade da ajuda divina, como lenitivo para as suas enfermidades. Neste sentido, debruçamo-nos sobre o universo religioso e mental da época, onde se estudaram as representações da doença e da cura, os santos protetores e os milagres. Do mesmo modo, procurou-se percecionar as ajudas do divino na doença no quadro geral do devocionário minhoto, tendo como base os dados das Memórias Paroquiais de 1758. Posteriormente, procurou-se perceber o impacto que os principais santos tinham junto da população enferma. Numa segunda etapa desta investigação, debruçamo-nos sobre o estudo da água, as suas propriedades terapêuticas e o modo como se constituía uma alternativa ao tratamento farmacológico da época. Esta prática curativa apresentava um cariz predominantemente popular, mágico religioso, característica que se manteve até ao início do século XIX, altura em que se deu o reconhecimento científico das propriedades curativas das águas termais, com o termalismo a institucionalizar-se e a tornar-se uma prática regulada pelo setor médico. Foi ainda nosso propósito potenciar uma visão geral da importância das águas para a saúde da população minhota no século XVIII, integrada com o fenómeno religioso e no quadro das vivências e mentalidades desta população, tomando como obras estruturantes as Memórias Paroquiais de 1758 e o Aquilégio Medicinal. Numa terceira e última parte analisaram-se as respostas institucionais às doenças, quer do ponto de vista das instituições administrativas, como dos concelhos, vilas e paróquias. Estudou-se a rede de Misericórdias e hospitais estabelecidas na região do Minho, os seus níveis de desenvolvimento e as respostas assistências às populações. Foi ainda nossa intenção perceber o papel que os cenóbios beneditinos tiveram na assistência às populações enfermas das regiões rurais do Minho no século XVIII.