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Vitimação criminal nos Campi Universitários (UMinho) : da prevalência às medidas de autoproteção

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Resumo:Face às estatísticas oficiais de criminalidade, os inquéritos de vitimação criminal apresentam-se como um instrumento de mensuração alternativo que permite a deteção de muita criminalidade oculta. A investigação internacional sobre a vitimação em campi universitários tem-se dedicado ao estudo da prevalência de criminalidade neste contexto específico. O presente estudo tem como objetivo captar a prevalência de vitimação criminal no ano letivo 2009/2010, junto dos seus utilizadores (alunos, professores e staff) nos campi universitários da Universidade do Minho. Simultaneamente, procura analisar as modalidades criminais com maior expressão, os segmentos da população mais vitimados, as características do ofensor, as circunstâncias espaciais e temporais do delito, o impacto decorrente da experiência da vitimação sofrida e a posição da vítima face à denúncia do crime. O estudo procurou, ainda, captar as perceções de (in) segurança dos participantes face ao campus ao qual estão vinculados pelas suas atividades académicas ou profissionais. Para tal, foi construído o inquérito Campi Universitários (UM): Vitimação Criminal e Perceção de (In) Segurança (Costa, Matos & Mendes, 2011), administrado a uma amostra de 1001 participantes. Os resultados documentam que 10.3% dos participantes foram alvo de, pelo menos, um episódio de vitimação criminal nesse ano e que 41.6% observou vitimação criminal contra terceiros (bens ou pessoas) nos campi universitários da UM (o crime de injúria foi o mais experienciado e observado).A vítima de crime é, tipicamente, do sexo feminino, de nacionalidade portuguesa, jovem adulta, solteira, estudante e com escolaridade superior, à exceção das vítimas do crime de coação, as quais apresentam algumas especificidades diferenciadoras (e.g., adulto, com união civil formalizada e não aluno). Das vítimas, 41.8% recorreram a medidas de autoproteção após a experiência de vitimação criminal. Quanto à participação dos factos, apenas uma pequena percentagem de vítimas optou por essa prática (14.9%), quer junto das entidades da UM, quer às entidades judiciais. O ofensor é, habitualmente, descrito pelas vítimas como sendo um indivíduo do sexo masculino, desconhecido (à exceção do crime de coação, no qual é conhecido das vítimas) e que não recorre a armas durante o episódio criminal. Maioritariamente os delitos foram perpetrados em período diurno e o mês de Maio destacou-se pela maior frequência. Amplamente demonstrada a eficácia de medidas de prevenção situacional do crime em estudos internacionais, avançamos com algumas sugestões finais dirigidas especificamente aos hot spots criminais que este inquérito de vitimação permitiu identificar.
Autores principais:Costa, Filipa Isabel Alves da
Assunto:Vitimação criminal Prevalência Campus universitário Prevenção situacional do crime Criminal victimization Prevalence Campus crime Situational crime prevention
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Face às estatísticas oficiais de criminalidade, os inquéritos de vitimação criminal apresentam-se como um instrumento de mensuração alternativo que permite a deteção de muita criminalidade oculta. A investigação internacional sobre a vitimação em campi universitários tem-se dedicado ao estudo da prevalência de criminalidade neste contexto específico. O presente estudo tem como objetivo captar a prevalência de vitimação criminal no ano letivo 2009/2010, junto dos seus utilizadores (alunos, professores e staff) nos campi universitários da Universidade do Minho. Simultaneamente, procura analisar as modalidades criminais com maior expressão, os segmentos da população mais vitimados, as características do ofensor, as circunstâncias espaciais e temporais do delito, o impacto decorrente da experiência da vitimação sofrida e a posição da vítima face à denúncia do crime. O estudo procurou, ainda, captar as perceções de (in) segurança dos participantes face ao campus ao qual estão vinculados pelas suas atividades académicas ou profissionais. Para tal, foi construído o inquérito Campi Universitários (UM): Vitimação Criminal e Perceção de (In) Segurança (Costa, Matos & Mendes, 2011), administrado a uma amostra de 1001 participantes. Os resultados documentam que 10.3% dos participantes foram alvo de, pelo menos, um episódio de vitimação criminal nesse ano e que 41.6% observou vitimação criminal contra terceiros (bens ou pessoas) nos campi universitários da UM (o crime de injúria foi o mais experienciado e observado).A vítima de crime é, tipicamente, do sexo feminino, de nacionalidade portuguesa, jovem adulta, solteira, estudante e com escolaridade superior, à exceção das vítimas do crime de coação, as quais apresentam algumas especificidades diferenciadoras (e.g., adulto, com união civil formalizada e não aluno). Das vítimas, 41.8% recorreram a medidas de autoproteção após a experiência de vitimação criminal. Quanto à participação dos factos, apenas uma pequena percentagem de vítimas optou por essa prática (14.9%), quer junto das entidades da UM, quer às entidades judiciais. O ofensor é, habitualmente, descrito pelas vítimas como sendo um indivíduo do sexo masculino, desconhecido (à exceção do crime de coação, no qual é conhecido das vítimas) e que não recorre a armas durante o episódio criminal. Maioritariamente os delitos foram perpetrados em período diurno e o mês de Maio destacou-se pela maior frequência. Amplamente demonstrada a eficácia de medidas de prevenção situacional do crime em estudos internacionais, avançamos com algumas sugestões finais dirigidas especificamente aos hot spots criminais que este inquérito de vitimação permitiu identificar.