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A população da vila de Chaves entre 1780 e 1880

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Resumo:No presente estudo analisamos a evolução dos comportamentos demográficos de uma paróquia urbana de Trás-os-Montes, antiga praça militar, encostada à Galiza, a vila de Chaves, entre 1780 e 1880. Na sua realização, servimo-nos das fontes paroquiais (registos de batizados, casamentos e óbitos), que se encontram no Arquivo Distrital de Vila Real. Por sua vez, a metodologia de «Reconstituição de Paróquias» permitiu-nos organizar a informação proveniente dos atos paroquiais numa “base de dados” demográfica, em encadeamento genealógico, dos residentes na vila de Chaves. A partir desta “base de dados”, observamos a evolução das diferentes variáveis demográficas da nupcialidade, fecundidade e mortalidade, bem como as suas influências no equilíbrio populacional num determinado nível de crescimento. Chaves, como importante centro urbano de Trás-os-Montes, nos séculos XVIII e XIX, possuía um apreciável dinamismo económico e social, marcado por intensos fluxos de pessoas e de bens, provenientes das demais terras transmontanas e minhotas, bem como da Galiza. Por outro lado, a sua posição estratégica de terra fronteiriça no norte do país levou-a a aquartelar regularmente mais de 2000 indivíduos militares, com notável interferência na demografia local. Todos estes fatores transformaram este velho burgo num espaço convergente das mais variadas gentes, cujos passos mais significativos ficaram registados nos distintos atos paroquiais, sobretudo por ocasião do casamento e do óbito. Na verdade, é muito significativa a influência da mobilidade geográfica nos demais comportamentos sociodemográficos. O seu estudo, à falta de fontes específicas, levou-nos à sua abordagem de forma indireta, com base nas «entradas» no momento da celebração do matrimónio e na residência do indivíduo por altura do óbito. O estudo da mortalidade foi também afetado pela falta de registo sistemático de mortalidade dos menores de sete anos, até 1850, inviabilizando, assim, a abordagem longitudinal dos níveis de mortalidade e da esperança de vida dos flavienses. Já a análise da mortalidade dita de crise, considerada por alguns como variável reguladora da demografia do Antigo Regime, mereceu-nos especial destaque, acabando por revelarnos traços específicos da história desta população. Este estudo evidencia um «sistema» demográfico caracterizado por uma idade precoce ao primeiro casamento, tanto para as mulheres como para os homens, um persistente celibato definitivo, elevados intervalos protogenésico médio e intergenésicos, e, consequentemente, baixas taxas de fecundidade legítima, a contrastar com uma elevada ilegitimidade e um grande número de crianças enjeitadas. Simultaneamente comparámos os diversos indicadores obtidos de cada variável com outros de paróquias já estudadas, entre elas, a rural de Calvão, deste concelho, e a urbana de Guimarães.
Autores principais:Faustino, José Alfredo Paulo
Assunto:Demografia População Sociedade Chaves Trás-os-Montes Demography Population Society
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:No presente estudo analisamos a evolução dos comportamentos demográficos de uma paróquia urbana de Trás-os-Montes, antiga praça militar, encostada à Galiza, a vila de Chaves, entre 1780 e 1880. Na sua realização, servimo-nos das fontes paroquiais (registos de batizados, casamentos e óbitos), que se encontram no Arquivo Distrital de Vila Real. Por sua vez, a metodologia de «Reconstituição de Paróquias» permitiu-nos organizar a informação proveniente dos atos paroquiais numa “base de dados” demográfica, em encadeamento genealógico, dos residentes na vila de Chaves. A partir desta “base de dados”, observamos a evolução das diferentes variáveis demográficas da nupcialidade, fecundidade e mortalidade, bem como as suas influências no equilíbrio populacional num determinado nível de crescimento. Chaves, como importante centro urbano de Trás-os-Montes, nos séculos XVIII e XIX, possuía um apreciável dinamismo económico e social, marcado por intensos fluxos de pessoas e de bens, provenientes das demais terras transmontanas e minhotas, bem como da Galiza. Por outro lado, a sua posição estratégica de terra fronteiriça no norte do país levou-a a aquartelar regularmente mais de 2000 indivíduos militares, com notável interferência na demografia local. Todos estes fatores transformaram este velho burgo num espaço convergente das mais variadas gentes, cujos passos mais significativos ficaram registados nos distintos atos paroquiais, sobretudo por ocasião do casamento e do óbito. Na verdade, é muito significativa a influência da mobilidade geográfica nos demais comportamentos sociodemográficos. O seu estudo, à falta de fontes específicas, levou-nos à sua abordagem de forma indireta, com base nas «entradas» no momento da celebração do matrimónio e na residência do indivíduo por altura do óbito. O estudo da mortalidade foi também afetado pela falta de registo sistemático de mortalidade dos menores de sete anos, até 1850, inviabilizando, assim, a abordagem longitudinal dos níveis de mortalidade e da esperança de vida dos flavienses. Já a análise da mortalidade dita de crise, considerada por alguns como variável reguladora da demografia do Antigo Regime, mereceu-nos especial destaque, acabando por revelarnos traços específicos da história desta população. Este estudo evidencia um «sistema» demográfico caracterizado por uma idade precoce ao primeiro casamento, tanto para as mulheres como para os homens, um persistente celibato definitivo, elevados intervalos protogenésico médio e intergenésicos, e, consequentemente, baixas taxas de fecundidade legítima, a contrastar com uma elevada ilegitimidade e um grande número de crianças enjeitadas. Simultaneamente comparámos os diversos indicadores obtidos de cada variável com outros de paróquias já estudadas, entre elas, a rural de Calvão, deste concelho, e a urbana de Guimarães.