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O papel da comunicação estratégica intercultural na dinâmica das comunidades de fãs: o caso dos BTS

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Resumo:Esta dissertação analisa o papel da comunicação estratégica intercultural na construção e manutenção de comunidades de fãs globais, tomando como caso de estudo o grupo musical BTS. Partindo da premissa de que a música se tornou um espaço privilegiado de circulação simbólica entre culturas, procura-se compreender de que forma a comunicação estratégica e intercultural contribui para superar barreiras linguísticas e culturais, promover a identificação emocional e construir ligações significativas entre artistas e públicos de diferentes origens. A investigação recorreu a uma metodologia mista, combinando questionários e entrevistas a fãs, de modo a explorar perceções sobre inclusão, tradução cultural, pertença e participação. Os resultados demonstram que a comunicação dos BTS assenta numa estratégia intercultural consciente, que articula referências culturais coreanas com mensagens de carácter universal, valorizando empatia, diversidade e sentido de comunidade. Esta estratégia é reforçada pela atuação do fandom ARMY, que desempenha um papel ativo de mediação cultural, traduzindo e reapropriando-se de conteúdos, tornando-os acessíveis a públicos de diferentes contextos socioculturais. Contudo, a análise evidencia igualmente limitações e tensões. A construção de uma comunidade global coesa pode depender de processos de simplificação cultural que, por vezes, desvalorizam especificidades e contribuem para representações idealizadas da Coreia do Sul. Além disso, a forte mobilização emocional do fandom pode dificultar a crítica interna e o reconhecimento de situações problemáticas, como casos de apropriação cultural ou de reprodução de estereótipos. Conclui-se que o caso dos BTS evidencia o potencial da comunicação estratégica intercultural para criar comunidades transnacionais baseadas na empatia e no sentimento de pertença, mas revela igualmente a necessidade de uma abordagem crítica que reconheça as tensões entre globalização, identidades culturais e dinâmicas de poder. Este estudo sublinha, assim, não apenas o valor inclusivo da comunicação intercultural na cultura pop global, mas também os desafios éticos e culturais inerentes à sua prática.
Autores principais:Oliveira, Leonor Lapas
Assunto:Comunicação Intercultural Comunicação Estratégica Fandom BTS Consciência Cultural Intercultural Communication Strategic Communication Cultural Awareness
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Esta dissertação analisa o papel da comunicação estratégica intercultural na construção e manutenção de comunidades de fãs globais, tomando como caso de estudo o grupo musical BTS. Partindo da premissa de que a música se tornou um espaço privilegiado de circulação simbólica entre culturas, procura-se compreender de que forma a comunicação estratégica e intercultural contribui para superar barreiras linguísticas e culturais, promover a identificação emocional e construir ligações significativas entre artistas e públicos de diferentes origens. A investigação recorreu a uma metodologia mista, combinando questionários e entrevistas a fãs, de modo a explorar perceções sobre inclusão, tradução cultural, pertença e participação. Os resultados demonstram que a comunicação dos BTS assenta numa estratégia intercultural consciente, que articula referências culturais coreanas com mensagens de carácter universal, valorizando empatia, diversidade e sentido de comunidade. Esta estratégia é reforçada pela atuação do fandom ARMY, que desempenha um papel ativo de mediação cultural, traduzindo e reapropriando-se de conteúdos, tornando-os acessíveis a públicos de diferentes contextos socioculturais. Contudo, a análise evidencia igualmente limitações e tensões. A construção de uma comunidade global coesa pode depender de processos de simplificação cultural que, por vezes, desvalorizam especificidades e contribuem para representações idealizadas da Coreia do Sul. Além disso, a forte mobilização emocional do fandom pode dificultar a crítica interna e o reconhecimento de situações problemáticas, como casos de apropriação cultural ou de reprodução de estereótipos. Conclui-se que o caso dos BTS evidencia o potencial da comunicação estratégica intercultural para criar comunidades transnacionais baseadas na empatia e no sentimento de pertença, mas revela igualmente a necessidade de uma abordagem crítica que reconheça as tensões entre globalização, identidades culturais e dinâmicas de poder. Este estudo sublinha, assim, não apenas o valor inclusivo da comunicação intercultural na cultura pop global, mas também os desafios éticos e culturais inerentes à sua prática.