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A construção do currículo nacional no Brasil: das tendências políticas às percepções dos atores sobre o contexto de produção

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho desenvolveu-se em torno do currículo no Brasil. O estudo partiu da análise da génese da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), procurando compreender a forma como foi concebida, quem iniciou o processo de construção, que grupos operaram e lhe deram suporte político. Nesse contexto, por vezes contraditório, diferentes grupos reivindicam a mobilização, a construção e, finalmente, a sua implementação. Os fios e os nós que entretecem o contexto político da sua produção fazem parte da nossa pesquisa, em que procuramos desvelar, a partir do Ciclo de Políticas, os contextos de influência política e de produção do texto. Recorremos aos redatores do texto, Agentes Públicos e membros do Movimento pela Base Nacional Comum Curricular, como interlocutores da amostra, em particular nos sentidos e decisões dos contextos, através de entrevistas e análises de documentos, que corporizaram uma abordagem de natureza qualitativa. Além disso, a sua construção envolveu a dissolução de fronteiras do global-local, demonstrando alguma volatilidade no próprio processo, permeado por algumas concessões e vontades dos seus protagonistas. Daí o nosso interesse de compreender as diferentes versões do documento, bem como os processos políticos que lhe estiveram subjacentes, sem descurar a influência do fluxo de políticas transnacionais que concorreram para minimizar o papel do Estado, agora baseado em imperativos de eficiência e performatividade, que anunciam a promessa da modernidade. Tais processos, evidenciam os interesses de o mercado pretender substituir o Estado nas suas mais elementares funções. Os resultados da investigação apontam para o protagonismo do Movimento pela Base Comum Curricular, que mobilizou os decisores políticos para que a BNCC entrasse na agenda nacional e contribuiu financeiramente na sua construção, demonstrando outros interesses. Sobre a arquitetura curricular do documento aprovado, a epistemologia empregada segue a vertente da racionalidade instrumental, respondendo a uma tradição claramente disciplinar. Além disso, a sua natureza prescritiva apresenta anacronias no tratamento dos componentes curriculares, demonstrando a falta de coesão do texto. Por outro lado, a ausência de similaridade entre a norma aprovada e o ordenamento jurídico chama a atenção, quanto a quebra da unidade da Educação Básica como um conjunto orgânico, sequencial e articulado que envolve as etapas de ensino.
Autores principais:Corrêa, Adriana
Assunto:ciclo de políticas contextos currículo nacional reforma curricular contexts curricular reform policies cycle national curriculum
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este trabalho desenvolveu-se em torno do currículo no Brasil. O estudo partiu da análise da génese da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), procurando compreender a forma como foi concebida, quem iniciou o processo de construção, que grupos operaram e lhe deram suporte político. Nesse contexto, por vezes contraditório, diferentes grupos reivindicam a mobilização, a construção e, finalmente, a sua implementação. Os fios e os nós que entretecem o contexto político da sua produção fazem parte da nossa pesquisa, em que procuramos desvelar, a partir do Ciclo de Políticas, os contextos de influência política e de produção do texto. Recorremos aos redatores do texto, Agentes Públicos e membros do Movimento pela Base Nacional Comum Curricular, como interlocutores da amostra, em particular nos sentidos e decisões dos contextos, através de entrevistas e análises de documentos, que corporizaram uma abordagem de natureza qualitativa. Além disso, a sua construção envolveu a dissolução de fronteiras do global-local, demonstrando alguma volatilidade no próprio processo, permeado por algumas concessões e vontades dos seus protagonistas. Daí o nosso interesse de compreender as diferentes versões do documento, bem como os processos políticos que lhe estiveram subjacentes, sem descurar a influência do fluxo de políticas transnacionais que concorreram para minimizar o papel do Estado, agora baseado em imperativos de eficiência e performatividade, que anunciam a promessa da modernidade. Tais processos, evidenciam os interesses de o mercado pretender substituir o Estado nas suas mais elementares funções. Os resultados da investigação apontam para o protagonismo do Movimento pela Base Comum Curricular, que mobilizou os decisores políticos para que a BNCC entrasse na agenda nacional e contribuiu financeiramente na sua construção, demonstrando outros interesses. Sobre a arquitetura curricular do documento aprovado, a epistemologia empregada segue a vertente da racionalidade instrumental, respondendo a uma tradição claramente disciplinar. Além disso, a sua natureza prescritiva apresenta anacronias no tratamento dos componentes curriculares, demonstrando a falta de coesão do texto. Por outro lado, a ausência de similaridade entre a norma aprovada e o ordenamento jurídico chama a atenção, quanto a quebra da unidade da Educação Básica como um conjunto orgânico, sequencial e articulado que envolve as etapas de ensino.