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Variáveis familiares e saúde em crianças de pais divorciados

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Resumo:O divórcio é um importante factor de risco para problemas de ajustamento e saúde na criança. O objectivo da presente investigação que se enquadra na perspectiva do modelo biopsicossocial é avaliar o ajustamento ao divórcio, problemas de comportamento, morbilidade psicológica, saúde física e psicossocial e a relação entre estas variáveis em crianças, na faixa etária dos 10 aos 12 anos, provenientes de famílias separadas/divorciadas há pelo menos um ano. O objectivo primordial é informar os pais que se encontram em processo de divórcio ou separação sobre a importância da prevenção primária infantil, em termos da redução de problemas comportamentais e promoção da saúde, i.e aumento da qualidade relacional pais – criança. A amostra alvo desta investigação foi constituída por 168 participantes, 84 crianças, entre os 10 e os 12 anos e 84 progenitores separados/divorciados há pelo menos um ano. Os dados foram recolhidos usando medidas de auto relato dos pais que avaliaram aspectos sócio demográficos, caracterização do nível sócio económico, ajustamento ao divórcio, comportamento da criança e saúde da criança e nas crianças, crenças sobre o divórcio, morbilidade psicológica e percepção do conflito parental. Os resultados indicam que o divórcio por mutuo consentimento é um processo de divórcio protector da criança, o qual prevê a existência de condições protectoras e melhor resolução do divórcio comparativamente ao divórcio litigioso, que por ser um divórcio sanção exacerba o conflito interparental. Desta forma, as crianças de pais divorciados pelo litigioso apresentam mais problemas sociais e de externalização quando comparadas com as crianças de divórcio por mutuo consentimento. Ao nível da saúde, crenças e morbilidade não se observam diferenças significativas entre os dois grupos. Do estudo desenvolvido pode-se concluir ainda que as crianças cujos pais se apresentam mais adaptados ao divórcio apresentam melhor comportamento e melhor saúde física, tendo o nível sócio económico dos pais sido controlado. Menor conflito e melhor funcionamento familiar relaciona-se com melhor saúde física e psicossocial da criança. É de salientar a existência de relação entre percepção de conflito e morbilidade psicológica. As crianças expostas a conflito intenso, não resolvido, maior ameaça percebida e maior triangulação apresentam níveis mais elevados de depressão. As crianças com maior percepção de ameaça percebida apresentam também níveis superiores de ansiedade. A triangulação está associada a menor saúde psicossocial e pior comportamento. As crianças que apresentam menos problemas de comportamento (isolamento e problemas de atenção) e menor triangulação apresentam maior saúde psicossocial. Quanto maior a intensidade do conflito, pior resolução e maior triangulação maior a tendência para a criança culpabilizar o pai pelo divórcio. Relativamente á saúde, a exposição a conflito intenso e mal resolvido surge associado a funcionamento físico intenso, da criança. Existem diferenças entre os grupos de crianças que experienciaram o divórcio em idade mais jovem (5-7 anos), a apresentar pior auto estima quando comparadas com as crianças de (8-11 anos) que apresentam maior isolamento. Os resultados também mostram que o divórcio tem impacto na saúde física e psicossocial através do conflito. De facto o conflito modera o impacto da saúde física na saúde psicosocial e da saúde psicossocial na saúde física, em ambientes familiares de elevado conflito. As análises exploratórias mostram a existência de relação entre a frequência de visitas do progenitor, não residente, à criança e menos problemas sociais, problemas de pensamento, problemas de atenção, externalização e culpa paternal. A relação interparental negativa está associada a pior comportamento, maior internalização, externalização, culpa paternal e percepção mais negativa do conflito. Observa-se também uma relação positiva entre a necessidade dos pais terem acompanhamento psicológico e a necessidade de acompanhamento psicológico das crianças.
Autores principais:Morais, Ana Paula Gonçalves de
Assunto:Ciências Sociais::Psicologia Ciências Sociais::Ciências da Educação
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O divórcio é um importante factor de risco para problemas de ajustamento e saúde na criança. O objectivo da presente investigação que se enquadra na perspectiva do modelo biopsicossocial é avaliar o ajustamento ao divórcio, problemas de comportamento, morbilidade psicológica, saúde física e psicossocial e a relação entre estas variáveis em crianças, na faixa etária dos 10 aos 12 anos, provenientes de famílias separadas/divorciadas há pelo menos um ano. O objectivo primordial é informar os pais que se encontram em processo de divórcio ou separação sobre a importância da prevenção primária infantil, em termos da redução de problemas comportamentais e promoção da saúde, i.e aumento da qualidade relacional pais – criança. A amostra alvo desta investigação foi constituída por 168 participantes, 84 crianças, entre os 10 e os 12 anos e 84 progenitores separados/divorciados há pelo menos um ano. Os dados foram recolhidos usando medidas de auto relato dos pais que avaliaram aspectos sócio demográficos, caracterização do nível sócio económico, ajustamento ao divórcio, comportamento da criança e saúde da criança e nas crianças, crenças sobre o divórcio, morbilidade psicológica e percepção do conflito parental. Os resultados indicam que o divórcio por mutuo consentimento é um processo de divórcio protector da criança, o qual prevê a existência de condições protectoras e melhor resolução do divórcio comparativamente ao divórcio litigioso, que por ser um divórcio sanção exacerba o conflito interparental. Desta forma, as crianças de pais divorciados pelo litigioso apresentam mais problemas sociais e de externalização quando comparadas com as crianças de divórcio por mutuo consentimento. Ao nível da saúde, crenças e morbilidade não se observam diferenças significativas entre os dois grupos. Do estudo desenvolvido pode-se concluir ainda que as crianças cujos pais se apresentam mais adaptados ao divórcio apresentam melhor comportamento e melhor saúde física, tendo o nível sócio económico dos pais sido controlado. Menor conflito e melhor funcionamento familiar relaciona-se com melhor saúde física e psicossocial da criança. É de salientar a existência de relação entre percepção de conflito e morbilidade psicológica. As crianças expostas a conflito intenso, não resolvido, maior ameaça percebida e maior triangulação apresentam níveis mais elevados de depressão. As crianças com maior percepção de ameaça percebida apresentam também níveis superiores de ansiedade. A triangulação está associada a menor saúde psicossocial e pior comportamento. As crianças que apresentam menos problemas de comportamento (isolamento e problemas de atenção) e menor triangulação apresentam maior saúde psicossocial. Quanto maior a intensidade do conflito, pior resolução e maior triangulação maior a tendência para a criança culpabilizar o pai pelo divórcio. Relativamente á saúde, a exposição a conflito intenso e mal resolvido surge associado a funcionamento físico intenso, da criança. Existem diferenças entre os grupos de crianças que experienciaram o divórcio em idade mais jovem (5-7 anos), a apresentar pior auto estima quando comparadas com as crianças de (8-11 anos) que apresentam maior isolamento. Os resultados também mostram que o divórcio tem impacto na saúde física e psicossocial através do conflito. De facto o conflito modera o impacto da saúde física na saúde psicosocial e da saúde psicossocial na saúde física, em ambientes familiares de elevado conflito. As análises exploratórias mostram a existência de relação entre a frequência de visitas do progenitor, não residente, à criança e menos problemas sociais, problemas de pensamento, problemas de atenção, externalização e culpa paternal. A relação interparental negativa está associada a pior comportamento, maior internalização, externalização, culpa paternal e percepção mais negativa do conflito. Observa-se também uma relação positiva entre a necessidade dos pais terem acompanhamento psicológico e a necessidade de acompanhamento psicológico das crianças.