Publicação

O autocuidado como conceito central da enfermagem: da conceptualização aos dados empíricos através de uma revisão da literatura dos últimos 20 anos (1990-2011)

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O envelhecimento da população e a crescente prevalência das doenças crónicas têm tido um impacto significativo no sistema financeiro, social e da saúde das sociedades. Em resposta a este facto, as políticas de saúde colocam o enfoque na responsabilização, envolvimento e mestria dos cidadãos e nas famílias para cuidarem-se a si próprios em relação às atividades de vida diária e na procura de comportamentos de saúde que integrem esquemas terapêuticos (autocuidado) definidos com a ajuda dos profissionais de saúde, no sentido de serem capazes de gerir com maior eficácia os processos de saúde - doença. Vários fatores têm contribuído para a importância do autocuidado como foco de atenção no domínio da saúde (Wilkinson & Whitehead, 2009; Sidani, 2011): 1) as alterações dos padrões e prevalência de doenças crónicas associadas ao envelhecimento da população, 2) a mudança de paradigma com a evolução de uma lógica de cuidados curativos para um maior enfoque nos cuidados orientados para a promoção da saúde, 3) a economia da saúde caracterizada por recursos limitados e o enfoque dado à contenção de custos, levando ao cumprimento de internamentos hospitalares mais curtos e, assim, com a crescente relevância dos cuidados de proximidade, em contexto domiciliário, com a necessidade de capacitar as famílias para uma melhor adaptação aos desafios de saúde e, 4) maior consumo de informação por parte dos cidadãos, tornando-os mais capazes de tomar decisões sobre as questões da saúde e estratégias de abordagem, maior exigência no controlo da saúde, envolvimento ativo e maior motivação para melhorar a sua saúde e bem-estar. Este trabalho surge do nosso percurso de doutoramento em enfermagem, onde o fenómeno da transição do adulto para a dependência no autocuidado assume particular atenção, levando-nos à necessidade de refletir e aprofundar o conceito de autocuidado com base na evidência empírica disponível. Assim, pensámos ser útil organizar este documento como parte integrante de um estudo de maior dimensão e complexidade, com a convicção de tornar útil aos profissionais de saúde e, em particular, aos enfermeiros, as sínteses e os resultados apresentados, uma vez que, em Portugal, não temos conhecimento de qualquer trabalho desta natureza acerca do fenómeno do autocuidado. Numa primeira parte, referimo-nos ao autocuidado numa perspectiva concetual, com referência à Teoria de Enfermagem do Défice do Autocuidado de Dorothea Orem. A opção por esta autora e por este marco teórico justifica-se pelo facto de ser amplamente utilizado e referenciado na investigação em enfermagem, quando o tema central dos estudos é o fenómeno do autocuidado. Assim, procedemos ao desenvolvimento dos conceitos centrais da teoria. Numa segunda parte, utilizando a técnica da revisão sistemática da literatura como metodologia de investigação, apresentamos um conjunto de dados empíricos, sistematizados, sobre o fenómeno do autocuidado. Incluímos estudos realizados nos últimos 20 anos (entre 1990 e 2011), com recurso às bases de dados e utilizando o método PICOD para a seleção e apresentação dos estudos. Como resultado final, selecionámos e discutimos 58 estudos, a partir dos quais emergiram 3 temas centrais: 1) autocuidado como um recurso de saúde, 2) estilos de autocuidado e, 3) fatores determinantes do autocuidado.
Autores principais:Petronilho, Fernando
Assunto:Autocuidado Intervenções de enfermagem Atividades de vida diária Revisão da literatura Ciências Médicas::Ciências da Saúde
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O envelhecimento da população e a crescente prevalência das doenças crónicas têm tido um impacto significativo no sistema financeiro, social e da saúde das sociedades. Em resposta a este facto, as políticas de saúde colocam o enfoque na responsabilização, envolvimento e mestria dos cidadãos e nas famílias para cuidarem-se a si próprios em relação às atividades de vida diária e na procura de comportamentos de saúde que integrem esquemas terapêuticos (autocuidado) definidos com a ajuda dos profissionais de saúde, no sentido de serem capazes de gerir com maior eficácia os processos de saúde - doença. Vários fatores têm contribuído para a importância do autocuidado como foco de atenção no domínio da saúde (Wilkinson & Whitehead, 2009; Sidani, 2011): 1) as alterações dos padrões e prevalência de doenças crónicas associadas ao envelhecimento da população, 2) a mudança de paradigma com a evolução de uma lógica de cuidados curativos para um maior enfoque nos cuidados orientados para a promoção da saúde, 3) a economia da saúde caracterizada por recursos limitados e o enfoque dado à contenção de custos, levando ao cumprimento de internamentos hospitalares mais curtos e, assim, com a crescente relevância dos cuidados de proximidade, em contexto domiciliário, com a necessidade de capacitar as famílias para uma melhor adaptação aos desafios de saúde e, 4) maior consumo de informação por parte dos cidadãos, tornando-os mais capazes de tomar decisões sobre as questões da saúde e estratégias de abordagem, maior exigência no controlo da saúde, envolvimento ativo e maior motivação para melhorar a sua saúde e bem-estar. Este trabalho surge do nosso percurso de doutoramento em enfermagem, onde o fenómeno da transição do adulto para a dependência no autocuidado assume particular atenção, levando-nos à necessidade de refletir e aprofundar o conceito de autocuidado com base na evidência empírica disponível. Assim, pensámos ser útil organizar este documento como parte integrante de um estudo de maior dimensão e complexidade, com a convicção de tornar útil aos profissionais de saúde e, em particular, aos enfermeiros, as sínteses e os resultados apresentados, uma vez que, em Portugal, não temos conhecimento de qualquer trabalho desta natureza acerca do fenómeno do autocuidado. Numa primeira parte, referimo-nos ao autocuidado numa perspectiva concetual, com referência à Teoria de Enfermagem do Défice do Autocuidado de Dorothea Orem. A opção por esta autora e por este marco teórico justifica-se pelo facto de ser amplamente utilizado e referenciado na investigação em enfermagem, quando o tema central dos estudos é o fenómeno do autocuidado. Assim, procedemos ao desenvolvimento dos conceitos centrais da teoria. Numa segunda parte, utilizando a técnica da revisão sistemática da literatura como metodologia de investigação, apresentamos um conjunto de dados empíricos, sistematizados, sobre o fenómeno do autocuidado. Incluímos estudos realizados nos últimos 20 anos (entre 1990 e 2011), com recurso às bases de dados e utilizando o método PICOD para a seleção e apresentação dos estudos. Como resultado final, selecionámos e discutimos 58 estudos, a partir dos quais emergiram 3 temas centrais: 1) autocuidado como um recurso de saúde, 2) estilos de autocuidado e, 3) fatores determinantes do autocuidado.