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Desempenho cognitivo em ambientes térmicos moderados

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Resumo:A função cognitiva desempenha um papel fundamental em ambientais ocupacionais, nomeadamente na tomada de decisões, na orientação, segurança e na produtividade. Um ambiente térmico que cause desconforto poderá afetar o desempenho cognitivo, neste sentido, diversos estudos têm sido levados a cabo com o objetivo de tentar perceber a relação entre o ambiente térmico e o desempenho cognitivo. Contudo a influência do ambiente térmico na função cognitiva ainda se mantém equívoca, na medida em que se verificam algumas discrepâncias nos resultados obtidos em termos de investigação nesta área. O objetivo do presente estudo foi tentar perceber de que forma um ambiente térmico moderado, em contexto ocupacional, poderá afetar a memória de trabalho, o raciocínio e a concentração. Mais especificamente, pretendeu-se estudar a influência que os parâmetros físicos do ambiente térmico e o conforto térmico têm nos referidos processos da função cognitiva. Neste sentido, foi realizado um trabalho de campo, em que se efetuaram medições dos parâmetros físicos do ambiente térmico, em que se aferiu a perceção dos participantes sobre o ambiente térmico e se aplicaram testes de avaliação da memória de trabalho, do raciocínio e da concentração. O estudo foi desenvolvido em três escritórios de diferentes empresas e em três laboratórios de investigação numa universidade, contando com a participação de vinte e sete sujeitos. Foram estabelecidos doze dias de observação não consecutivos por cada sujeito. Para cada dia de observação foram definidos três períodos de observação, onde em cada um deles foi aplicado um teste de avaliação do desempenho cognitivo e um questionário sobre o conforto/desconforto térmico, geral e local, percecionado pelos participantes. Durante cada dia de observação foram efetuadas medições dos parâmetros físicos do ambiente térmico. Os resultados obtidos permitiram verificar que o intervalo de temperaturas consideradas como confortáveis pelos sujeitos é entre 20-25°C. Relativamente às sensações térmicas locais reportadas pelos sujeitos verificou-se uma tendência em reportar sensações frias ao nível dos pés, enquanto que ao nível da cabeça foram reportadas sensações térmicas mais quentes. Em termos de desempenho cognitivo, verificou-se que o Tempo de Reação do teste da memória de trabalho tende a aumentar quando são reportadas sensações térmicas mais quentes na cabeça e a aumentar quando são reportadas sensações térmicas mais frias ao nível dos pés. Os resultados do teste que avalia o raciocínio não se revelaram relacionados com os parâmetros físicos do ambiente térmico nem com os indicadores de conforto térmico. Relativamente ã concentração verificou-se que o desempenho dos participantes tende a diminuir ao longo do dia de trabalho. Os resultados sugerem ainda uma melhoria no desempenho com o aumento da temperatura em intervalos de exposição superiores a duas horas. De um modo geral, os resultados deste teste sugerem ainda que o desempenho tende a melhorar quando se verificam temperaturas mais quentes e quando são previstas sensações térmicas mais quentes. Constatou-se ainda que o Score deste teste tende a ser mais elevado quando são reportadas sensações mais quentes ao nível dos pés, sendo que o Tempo de Reação tende a ser mais elevado quando são reportadas sensações mais frias ao nível da cabeça e das mãos.
Autores principais:Araújo, Maria Elisa Machado
Assunto:Ambiente térmico Conforto térmico Desempenho cognitivo Thermal environment Thermal comfort Cognitive performance
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A função cognitiva desempenha um papel fundamental em ambientais ocupacionais, nomeadamente na tomada de decisões, na orientação, segurança e na produtividade. Um ambiente térmico que cause desconforto poderá afetar o desempenho cognitivo, neste sentido, diversos estudos têm sido levados a cabo com o objetivo de tentar perceber a relação entre o ambiente térmico e o desempenho cognitivo. Contudo a influência do ambiente térmico na função cognitiva ainda se mantém equívoca, na medida em que se verificam algumas discrepâncias nos resultados obtidos em termos de investigação nesta área. O objetivo do presente estudo foi tentar perceber de que forma um ambiente térmico moderado, em contexto ocupacional, poderá afetar a memória de trabalho, o raciocínio e a concentração. Mais especificamente, pretendeu-se estudar a influência que os parâmetros físicos do ambiente térmico e o conforto térmico têm nos referidos processos da função cognitiva. Neste sentido, foi realizado um trabalho de campo, em que se efetuaram medições dos parâmetros físicos do ambiente térmico, em que se aferiu a perceção dos participantes sobre o ambiente térmico e se aplicaram testes de avaliação da memória de trabalho, do raciocínio e da concentração. O estudo foi desenvolvido em três escritórios de diferentes empresas e em três laboratórios de investigação numa universidade, contando com a participação de vinte e sete sujeitos. Foram estabelecidos doze dias de observação não consecutivos por cada sujeito. Para cada dia de observação foram definidos três períodos de observação, onde em cada um deles foi aplicado um teste de avaliação do desempenho cognitivo e um questionário sobre o conforto/desconforto térmico, geral e local, percecionado pelos participantes. Durante cada dia de observação foram efetuadas medições dos parâmetros físicos do ambiente térmico. Os resultados obtidos permitiram verificar que o intervalo de temperaturas consideradas como confortáveis pelos sujeitos é entre 20-25°C. Relativamente às sensações térmicas locais reportadas pelos sujeitos verificou-se uma tendência em reportar sensações frias ao nível dos pés, enquanto que ao nível da cabeça foram reportadas sensações térmicas mais quentes. Em termos de desempenho cognitivo, verificou-se que o Tempo de Reação do teste da memória de trabalho tende a aumentar quando são reportadas sensações térmicas mais quentes na cabeça e a aumentar quando são reportadas sensações térmicas mais frias ao nível dos pés. Os resultados do teste que avalia o raciocínio não se revelaram relacionados com os parâmetros físicos do ambiente térmico nem com os indicadores de conforto térmico. Relativamente ã concentração verificou-se que o desempenho dos participantes tende a diminuir ao longo do dia de trabalho. Os resultados sugerem ainda uma melhoria no desempenho com o aumento da temperatura em intervalos de exposição superiores a duas horas. De um modo geral, os resultados deste teste sugerem ainda que o desempenho tende a melhorar quando se verificam temperaturas mais quentes e quando são previstas sensações térmicas mais quentes. Constatou-se ainda que o Score deste teste tende a ser mais elevado quando são reportadas sensações mais quentes ao nível dos pés, sendo que o Tempo de Reação tende a ser mais elevado quando são reportadas sensações mais frias ao nível da cabeça e das mãos.