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Educação ambiental no ensino básico e secundário: concepções de professores e análise de manuais escolares

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Muitos são os estudos, nos últimos tempos, que concernem à temática da Educação Ambiental nos últimos tempos. Todos os autores manifestam consenso face à necessidade de se fornecer às nossas crianças e jovens competências para que se torne possível virem a contribuir para a promoção de um desenvolvimento sustentável. O nosso estudo assenta na didáctica das ciências e igualmente na área da pedagogia social no âmbito das representações sociais. Assim, pretendemos por um lado conhecer as concepções dos futuros professores e professores em serviço, sobre a temática de Educação Ambiental, por outro analisar a transposição didáctica da Educação Ambiental, mais concretamente dos sub-tópicos Poluição, Uso de Recursos, Ecossistemas e Ciclos e Biodiversidade, ao nível dos manuais escolares de diferentes níveis de ensino de 17 países, sendo 12 Europeus (de Oeste para Este: Portugal, França, Alemanha, Itália, Finlândia, Estónia, Hungria, Lituânia, Malta, Polónia, Roménia e Chipre), 2 do Norte de África (Marrocos e Tunísia), 2 da África Sub-Sahariana (Moçambique e Senegal) e 1 do Próximo Oriente (Líbano). Para estes estudos utilizou-se um questionário construído no âmbito do Projecto Europeu FP6 STREP Biohead-Citizen (CIT2-CT2004-506015), intitulado “Biologia, Saúde e Educação Ambiental para uma melhor cidadania” assim como uma grelha de análise criada no mesmo âmbito. Nos questionários deu-se particular atenção à posição que os respondentes da amostra têm perante a natureza, se uma posição antropocêntrica, ecocêntrica ou sentimentocêntrica, e se há diferenças entre os grupos de leccionação, bem como quais os objectivos da Educação Ambiental. Ao nível dos manuais pretendemos analisar cinco eixos de análise: i) Local versus Global; ii) Complexo versus Linear; iii) Responsabilidade individual versus social iv) Humanos como donos da natureza e ambiente versus humanos como convidados; v) Humanos e a natureza. Para tal, a amostra foi seleccionada entre os professores em serviço (de 1º Ciclo do Ensino Básico, de 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico, estes da área da Biologia e de Língua Portuguesa e correspondente futuros professores (alunos do último ano dos cursos de formação de professores). Efectuou-se a recolha dos “programas nacionais” portugueses e respectivas “competências”, de forma a identificar os diversos níveis de escolaridade e as disciplinas ou módulos de ensino em que os quatro sub-tópicos Poluição, Uso de Recursos, Ecossistemas e Ciclos e Biodiversidade são abordados, tanto no ensino básico como no secundário. Como tal, foram analisados manuais de Estudo do Meio, Ciências Naturais, Ciências da Natureza, Biologia e Geologia e Geografia, no Sistema Educacional Português, e ainda Estudos Sociais, Química, Biologia, Ciências Naturais, Geologia, Geografia e Ecologia de outros 16 países. Os resultados mostraram que os professores e futuros professores defendem essencialmente uma posição de preservação da natureza, logo uma concepção ecocêntrica em detrimento da antropocêntrica. A posição sentimentocêntrica, apesar de definir os eixos de análise, os seus respondentes colocam-se distribuídos igualitariamente numa escala de Lickert (Concordo totalmente a discordo totalmente). Constatámos, igualmente, que atendendo ao grupo de leccionação, os professores e futuros da área de Biologia se inclinam para uma concepção ecocêntrica ao invés dos de Língua Portuguesa que têm uma postura mais antropocêntrica, ficando os de Primeiro Ciclo numa posição intermédia. A amostra revelou, também que defende como objectivo da Educação Ambiental o “Desenvolvimento de um Comportamento Responsável” em detrimento de “Proporcionar Conhecimento”. No que diz respeito aos manuais, constámos que os do Tempo I (1991-2000) apresentam-se mais desenvolvidos na apresentação das temáticas quando comparados com os do Tempo II (2000- 2006), à excepção do sub-tópico Biodiversidade que é mais completo no Tempo II. De um modo geral constatámos que é atribuída uma importância muito maior às “mudanças nas tecnologias” como suporte de um desenvolvimento sustentável, em detrimento das “mudanças no comportamento individual e social” e é depositada uma confiança ilimitada nas soluções científicas e tecnológicas. Por outro lado, observámos também que, quando as questões sócio-económicas são comparadas com as éticas, existe uma forte preponderância das primeiras nos manuais analisados. Verifica-se, ainda, uma forte crença, especialmente nos manuais dos países ocidentais, de que o aperfeiçoamento das tecnologias será a grande solução para resolver os problemas de Poluição. Apesar de existir uma preocupação ecológica e referências à gestão de recursos e à poluição nos manuais, estes problemas estão geralmente associados ao impacto que têm nos seres humanos. Além disso, as imagens que ocorrem nos manuais representam os seres humanos como o centro da questão e só muito raramente existe uma referência à beleza da natureza sem atender à utilidade que esta possa ter para o Homem. Em termos gerais, nos manuais analisados é dada pouca importância ao ensino de um desenvolvimento sustentável, dado que o Uso dos Recursos e o impacto da Poluição são abordados essencialmente numa perspectiva antropocêntrica. Pelo contrário no subtópico Ecossistemas e Ciclos, a abordagem dos manuais é essencialmente ecocêntrica, tanto nos manuais portugueses como nos estrangeiros, havendo assim uma similaridade. No entanto, há a realçar que os conteúdos ecológicos aparecem, mas sem darem ênfase à Educação Ambiental. Constata-se pouca ênfase dada à Biodiversidade em todos os manuais analisados, bem como na sua gestão, esquecendo a sua importância para o desenvolvimento sustentável. Estes dados levam-nos a questionar a qualidade dos manuais no que respeita à Educação Ambiental, pois não só é necessário tratar dos sub-tópicos de um modo mais aprofundado, e atendendo a uma abordagem ecocêntrica, como se deve incluir nos manuais as competências em Educação Ambiental para assim poderem ser transmitidas às gerações vindouras, e deste modo contribuir para uma melhoria da qualidade de vida na Terra.
Autores principais:Tracana, Rosa Branca
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Muitos são os estudos, nos últimos tempos, que concernem à temática da Educação Ambiental nos últimos tempos. Todos os autores manifestam consenso face à necessidade de se fornecer às nossas crianças e jovens competências para que se torne possível virem a contribuir para a promoção de um desenvolvimento sustentável. O nosso estudo assenta na didáctica das ciências e igualmente na área da pedagogia social no âmbito das representações sociais. Assim, pretendemos por um lado conhecer as concepções dos futuros professores e professores em serviço, sobre a temática de Educação Ambiental, por outro analisar a transposição didáctica da Educação Ambiental, mais concretamente dos sub-tópicos Poluição, Uso de Recursos, Ecossistemas e Ciclos e Biodiversidade, ao nível dos manuais escolares de diferentes níveis de ensino de 17 países, sendo 12 Europeus (de Oeste para Este: Portugal, França, Alemanha, Itália, Finlândia, Estónia, Hungria, Lituânia, Malta, Polónia, Roménia e Chipre), 2 do Norte de África (Marrocos e Tunísia), 2 da África Sub-Sahariana (Moçambique e Senegal) e 1 do Próximo Oriente (Líbano). Para estes estudos utilizou-se um questionário construído no âmbito do Projecto Europeu FP6 STREP Biohead-Citizen (CIT2-CT2004-506015), intitulado “Biologia, Saúde e Educação Ambiental para uma melhor cidadania” assim como uma grelha de análise criada no mesmo âmbito. Nos questionários deu-se particular atenção à posição que os respondentes da amostra têm perante a natureza, se uma posição antropocêntrica, ecocêntrica ou sentimentocêntrica, e se há diferenças entre os grupos de leccionação, bem como quais os objectivos da Educação Ambiental. Ao nível dos manuais pretendemos analisar cinco eixos de análise: i) Local versus Global; ii) Complexo versus Linear; iii) Responsabilidade individual versus social iv) Humanos como donos da natureza e ambiente versus humanos como convidados; v) Humanos e a natureza. Para tal, a amostra foi seleccionada entre os professores em serviço (de 1º Ciclo do Ensino Básico, de 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico, estes da área da Biologia e de Língua Portuguesa e correspondente futuros professores (alunos do último ano dos cursos de formação de professores). Efectuou-se a recolha dos “programas nacionais” portugueses e respectivas “competências”, de forma a identificar os diversos níveis de escolaridade e as disciplinas ou módulos de ensino em que os quatro sub-tópicos Poluição, Uso de Recursos, Ecossistemas e Ciclos e Biodiversidade são abordados, tanto no ensino básico como no secundário. Como tal, foram analisados manuais de Estudo do Meio, Ciências Naturais, Ciências da Natureza, Biologia e Geologia e Geografia, no Sistema Educacional Português, e ainda Estudos Sociais, Química, Biologia, Ciências Naturais, Geologia, Geografia e Ecologia de outros 16 países. Os resultados mostraram que os professores e futuros professores defendem essencialmente uma posição de preservação da natureza, logo uma concepção ecocêntrica em detrimento da antropocêntrica. A posição sentimentocêntrica, apesar de definir os eixos de análise, os seus respondentes colocam-se distribuídos igualitariamente numa escala de Lickert (Concordo totalmente a discordo totalmente). Constatámos, igualmente, que atendendo ao grupo de leccionação, os professores e futuros da área de Biologia se inclinam para uma concepção ecocêntrica ao invés dos de Língua Portuguesa que têm uma postura mais antropocêntrica, ficando os de Primeiro Ciclo numa posição intermédia. A amostra revelou, também que defende como objectivo da Educação Ambiental o “Desenvolvimento de um Comportamento Responsável” em detrimento de “Proporcionar Conhecimento”. No que diz respeito aos manuais, constámos que os do Tempo I (1991-2000) apresentam-se mais desenvolvidos na apresentação das temáticas quando comparados com os do Tempo II (2000- 2006), à excepção do sub-tópico Biodiversidade que é mais completo no Tempo II. De um modo geral constatámos que é atribuída uma importância muito maior às “mudanças nas tecnologias” como suporte de um desenvolvimento sustentável, em detrimento das “mudanças no comportamento individual e social” e é depositada uma confiança ilimitada nas soluções científicas e tecnológicas. Por outro lado, observámos também que, quando as questões sócio-económicas são comparadas com as éticas, existe uma forte preponderância das primeiras nos manuais analisados. Verifica-se, ainda, uma forte crença, especialmente nos manuais dos países ocidentais, de que o aperfeiçoamento das tecnologias será a grande solução para resolver os problemas de Poluição. Apesar de existir uma preocupação ecológica e referências à gestão de recursos e à poluição nos manuais, estes problemas estão geralmente associados ao impacto que têm nos seres humanos. Além disso, as imagens que ocorrem nos manuais representam os seres humanos como o centro da questão e só muito raramente existe uma referência à beleza da natureza sem atender à utilidade que esta possa ter para o Homem. Em termos gerais, nos manuais analisados é dada pouca importância ao ensino de um desenvolvimento sustentável, dado que o Uso dos Recursos e o impacto da Poluição são abordados essencialmente numa perspectiva antropocêntrica. Pelo contrário no subtópico Ecossistemas e Ciclos, a abordagem dos manuais é essencialmente ecocêntrica, tanto nos manuais portugueses como nos estrangeiros, havendo assim uma similaridade. No entanto, há a realçar que os conteúdos ecológicos aparecem, mas sem darem ênfase à Educação Ambiental. Constata-se pouca ênfase dada à Biodiversidade em todos os manuais analisados, bem como na sua gestão, esquecendo a sua importância para o desenvolvimento sustentável. Estes dados levam-nos a questionar a qualidade dos manuais no que respeita à Educação Ambiental, pois não só é necessário tratar dos sub-tópicos de um modo mais aprofundado, e atendendo a uma abordagem ecocêntrica, como se deve incluir nos manuais as competências em Educação Ambiental para assim poderem ser transmitidas às gerações vindouras, e deste modo contribuir para uma melhoria da qualidade de vida na Terra.