Publicação

Caracterização das fontes de matéria orgânica que suportam a produção de ictioplâncton no estuário do Rio Minho

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Uma das funções das áreas berçário é fornecer as condições ideais para a sobrevivência e crescimento dos estágios iniciais de desenvolvimento de diversas espécies de peixe. O objectivo principal deste estudo consistiu em avaliar a importância dos habitats estuarinos, e dos ecossistemas adjacentes, para a produção da biomassa do ictioplâncton. Era esperado que com o aumento do caudal, existisse um aumento no contributo de fontes de matéria orgânica (MO) de origem alóctone e durante períodos de caudal baixo, aumentasse a contribuição das fontes de MO de origem autóctone. Para tal, foi identificado e quantificado, o tipo e origem da MO assimilada pelo ictioplâncton no estuário do rio Minho, através da utilização dos isótopos estáveis de carbono (C) e azoto (N). Foi também avaliada a resposta funcional das larvas de peixe, face às variações naturais na disponibilidade de alimento ao longo do gradiente estuarino de salinidade e face às variações do caudal. Os valores dos rácios de C(δ13C: 13C/12C) e N (δ15N: 15N/14N) das larvas de peixe analisadas revelam que a sua energia provém essencialmente de fontes autóctones, isto é, produzidas localmente. As variações do caudal, provocaram alterações na qualidade da MO particulada (MOP) disponível, nomeadamente, com o aumento do caudal, aumentou o contributo de MO com origem terrestre no estuário (C/NMOP> 10), e com a diminuição do caudal, terá aumentado o contributo de fitoplâncton para o MOP (C/NMOP ≈7). No entanto, esta alteração não foi registada nos tecidos das larvas dos peixes, sugerindo que o caudal não terá um papel determinante na utilização dos diferentes tipos de fontes de MO. Em todo o caso, o contributo do ecossistema terrestre foi notório (até 49%), pois registou-se a sua contribuição para a produção da biomassa das larvas, durante todo o período de estudo, e ao longo do gradiente de salinidade. O contributo do ecossistema marinho foi mais reduzido (até 57%) e estará mais confinado às regiões mais próximas da foz. Verificou-se ainda que, as larvas de peixe no estuário do rio Minho, utilizam quer energia proveniente das cadeias tróficas pelágicas (e.g. MOP), quer da cadeia trófica bentónica (e.g. epilíton e MOS). A distribuição e abundância de ictioplâncton, foi também um tema deste estudo. As famílias mais abundantes foram, Gobiidae n.i. (18.8%) e Ammodytes tobianus (48.7%). Este estudo mostra assim que, apesar dos ecossistemas estuarinos funcionarem como áreas de berçário para o desenvolvimento de várias espécies de peixes, os ecossistemas adjacentes subsidiam as cadeias tróficas nas quais estas larvas de peixe se alimentam.
Autores principais:Barros, Ana Gabriela Pereira
Assunto:Ictioplâncton Estuários δ15N δ13C Alóctone Autóctone Ichthyoplankton Estuaries Stable isotopes Allochthonous Autochthonous
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Uma das funções das áreas berçário é fornecer as condições ideais para a sobrevivência e crescimento dos estágios iniciais de desenvolvimento de diversas espécies de peixe. O objectivo principal deste estudo consistiu em avaliar a importância dos habitats estuarinos, e dos ecossistemas adjacentes, para a produção da biomassa do ictioplâncton. Era esperado que com o aumento do caudal, existisse um aumento no contributo de fontes de matéria orgânica (MO) de origem alóctone e durante períodos de caudal baixo, aumentasse a contribuição das fontes de MO de origem autóctone. Para tal, foi identificado e quantificado, o tipo e origem da MO assimilada pelo ictioplâncton no estuário do rio Minho, através da utilização dos isótopos estáveis de carbono (C) e azoto (N). Foi também avaliada a resposta funcional das larvas de peixe, face às variações naturais na disponibilidade de alimento ao longo do gradiente estuarino de salinidade e face às variações do caudal. Os valores dos rácios de C(δ13C: 13C/12C) e N (δ15N: 15N/14N) das larvas de peixe analisadas revelam que a sua energia provém essencialmente de fontes autóctones, isto é, produzidas localmente. As variações do caudal, provocaram alterações na qualidade da MO particulada (MOP) disponível, nomeadamente, com o aumento do caudal, aumentou o contributo de MO com origem terrestre no estuário (C/NMOP> 10), e com a diminuição do caudal, terá aumentado o contributo de fitoplâncton para o MOP (C/NMOP ≈7). No entanto, esta alteração não foi registada nos tecidos das larvas dos peixes, sugerindo que o caudal não terá um papel determinante na utilização dos diferentes tipos de fontes de MO. Em todo o caso, o contributo do ecossistema terrestre foi notório (até 49%), pois registou-se a sua contribuição para a produção da biomassa das larvas, durante todo o período de estudo, e ao longo do gradiente de salinidade. O contributo do ecossistema marinho foi mais reduzido (até 57%) e estará mais confinado às regiões mais próximas da foz. Verificou-se ainda que, as larvas de peixe no estuário do rio Minho, utilizam quer energia proveniente das cadeias tróficas pelágicas (e.g. MOP), quer da cadeia trófica bentónica (e.g. epilíton e MOS). A distribuição e abundância de ictioplâncton, foi também um tema deste estudo. As famílias mais abundantes foram, Gobiidae n.i. (18.8%) e Ammodytes tobianus (48.7%). Este estudo mostra assim que, apesar dos ecossistemas estuarinos funcionarem como áreas de berçário para o desenvolvimento de várias espécies de peixes, os ecossistemas adjacentes subsidiam as cadeias tróficas nas quais estas larvas de peixe se alimentam.