Publicação
Estudo do ciclo de vida dos produtos têxteis: um contributo para a sustentabilidade na moda
| Resumo: | A moda entronca numa complexa conjugação de campos de conhecimento e criatividade e, ao mesmo tempo, está ancorada a pilares da antropologia, sociologia, economia, comunicação, arquitetura e artes. Gilles Lipovestky (1989), sociólogo francês, refere que o homem muda o mundo e os movimentos de moda são imperativos em tais transformações. O consumidor, o fabricante e o designer atuam com papéis importantíssimos durante o ciclo de vida do produto e na conservação do ambiente. Cada produto consumido, se não for fabricado através de um processo ecologicamente correto, poderá deixar marcas irreparáveis no meio. A indústria têxtil transforma fibras em fios, fios em tecidos e tecidos em peças de vestuário, cama, mesa e banho e ainda têxteis técnicos para diversas aplicações. Ao analisarmos as indústrias por ramos de actuação, é evidente que a indústria têxtil, seguida por toda a cadeia do vestuário, não tem desenvolvido, proporcionalmente à sua expansão no mundo inteiro, a preocupação com os materiais e processos utilizados, causando assim, graves consequências como o lixo têxtil e a quantidade exorbitante de resíduos provenientes do processo produtivo. No momento presente, de enorme convulsão política e económica global, os governos de todo o mundo precisam compreender o impacto da produção dos têxteis no ambiente e acompanhar com o adequado enquadramento legislativo para o aumento da consciencialização já manifestado por muitos sectores da população. Além disso, se faz necessária uma mudança de procedimentos com o intuito de propôr inovações tecnológicas sustentáveis imbuídas de um novo paradigma para a produção e uso de materiais têxteis. Pela moda transcorrem conceitos tais como a ideia de ser apenas um meio para exteriorizar a criatividade de algum criador, de existir para satisfazer uma necessidade primária do ser humano ou mesmo de ser reconhecida pelo rótulo de efémera. A moda responde aos anseios do mundo em que estamos inseridos e por isso impõe-se para redefinir o seu posicionamento perante os desafios futuros. É preciso readequar processos e matérias-primas para priorizar os ciclos de vida dos produtos de maneira que esses factores não sejam mais esferas separadas, onde cada qual produz ou faz uso de determinado produto sem lhe associar a preocupação com a sustentabilidade ambiental. Espera-se que haja uma preocupação constante, plenamente consciente em aderir às alternativas mais compatíveis com um futuro mais exigente. Com ampla consciência de que a massa de consumidores é muitas vezes guiada para o objecto do seu consumo, deve ser feito pelo governo e outros poderes, bem como por todos os agentes envolvidos na concepção, desenvolvimento, produção e distribuição dos produtos, um trabalho de promoção e acção sobre os valores e desafios da sustentabilidade. O estudo do ciclo de vida dos produtos têxteis é uma ferramenta para a sustentabilidade da moda e um bom exemplo da prossecução dessa política que vai gradualmente conduzindo à emergência de conceitos de design e moda mais lentos e mais duráveis e por isso mais capazes de constituir uma resposta aos problemas que o consumo desenfreado de produtos de baixa qualidade pode trazer ao equilíbrio do planeta. Nesse caminho surgem também novos movimentos de moda que estão atraindo um número cada vez maior de consumidores que lutam por uma sociedade mais saudável e por um ambiente em sua totalidade - natureza, cultura e sociedade – capazes de propiciar maior qualidade de vida a todos. Com o surgimento de estudos, abordagens e definições sobre a sustentabilidade na moda, é clara a necessidade de alternativas e perspectivas para o melhoramento dos sistemas sustentáveis na cadeia têxtil através de dados que permitam uma avaliação integrada e sistêmica de inputs e outputs, nomeadamente através de uma análise dos problemas ao nível da produção de resíduos e da sua minimização, bem como o que tange o ciclo de vida do produto de moda. Apresentam-se algumas soluções inovadoras como contributo para o ciclo de vida do produto de moda de forma a atingir os objectivos do desenvolvimento sustentável na indústria têxtil na perspectiva da selecção das melhores práticas disponíveis, matérias-primas e design dos produtos. Os objectivos a serem explorados neste estudo estão relacionados com as possibilidades oferecidas às indústrias têxteis no sentido de uma eficiente evolução dos seus sistemas rumo ao prolongamento do ciclo de vida do produto de moda e à sustentabilidade, como contributo determinante do conceito de moda sustentável. Ao mesmo tempo, propõe-se uma abordagem à classificação dos produtos têxteis com recurso à análise do seu ciclo de vida e ênfase em parâmetros tidos como especialmente impactantes, como as matérias-primas, os processos de transformação, os resíduos gerados, os circuitos de comercialização e a durabilidade. |
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| Autores principais: | Refosco, Ereany |
| Assunto: | Ciclo de vida do produto de moda Indústria têxtil Matéria-prima Moda Sustentabilidade Life cycle of the fashion product Textile industry Raw materials Fashion Sustainability |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A moda entronca numa complexa conjugação de campos de conhecimento e criatividade e, ao mesmo tempo, está ancorada a pilares da antropologia, sociologia, economia, comunicação, arquitetura e artes. Gilles Lipovestky (1989), sociólogo francês, refere que o homem muda o mundo e os movimentos de moda são imperativos em tais transformações. O consumidor, o fabricante e o designer atuam com papéis importantíssimos durante o ciclo de vida do produto e na conservação do ambiente. Cada produto consumido, se não for fabricado através de um processo ecologicamente correto, poderá deixar marcas irreparáveis no meio. A indústria têxtil transforma fibras em fios, fios em tecidos e tecidos em peças de vestuário, cama, mesa e banho e ainda têxteis técnicos para diversas aplicações. Ao analisarmos as indústrias por ramos de actuação, é evidente que a indústria têxtil, seguida por toda a cadeia do vestuário, não tem desenvolvido, proporcionalmente à sua expansão no mundo inteiro, a preocupação com os materiais e processos utilizados, causando assim, graves consequências como o lixo têxtil e a quantidade exorbitante de resíduos provenientes do processo produtivo. No momento presente, de enorme convulsão política e económica global, os governos de todo o mundo precisam compreender o impacto da produção dos têxteis no ambiente e acompanhar com o adequado enquadramento legislativo para o aumento da consciencialização já manifestado por muitos sectores da população. Além disso, se faz necessária uma mudança de procedimentos com o intuito de propôr inovações tecnológicas sustentáveis imbuídas de um novo paradigma para a produção e uso de materiais têxteis. Pela moda transcorrem conceitos tais como a ideia de ser apenas um meio para exteriorizar a criatividade de algum criador, de existir para satisfazer uma necessidade primária do ser humano ou mesmo de ser reconhecida pelo rótulo de efémera. A moda responde aos anseios do mundo em que estamos inseridos e por isso impõe-se para redefinir o seu posicionamento perante os desafios futuros. É preciso readequar processos e matérias-primas para priorizar os ciclos de vida dos produtos de maneira que esses factores não sejam mais esferas separadas, onde cada qual produz ou faz uso de determinado produto sem lhe associar a preocupação com a sustentabilidade ambiental. Espera-se que haja uma preocupação constante, plenamente consciente em aderir às alternativas mais compatíveis com um futuro mais exigente. Com ampla consciência de que a massa de consumidores é muitas vezes guiada para o objecto do seu consumo, deve ser feito pelo governo e outros poderes, bem como por todos os agentes envolvidos na concepção, desenvolvimento, produção e distribuição dos produtos, um trabalho de promoção e acção sobre os valores e desafios da sustentabilidade. O estudo do ciclo de vida dos produtos têxteis é uma ferramenta para a sustentabilidade da moda e um bom exemplo da prossecução dessa política que vai gradualmente conduzindo à emergência de conceitos de design e moda mais lentos e mais duráveis e por isso mais capazes de constituir uma resposta aos problemas que o consumo desenfreado de produtos de baixa qualidade pode trazer ao equilíbrio do planeta. Nesse caminho surgem também novos movimentos de moda que estão atraindo um número cada vez maior de consumidores que lutam por uma sociedade mais saudável e por um ambiente em sua totalidade - natureza, cultura e sociedade – capazes de propiciar maior qualidade de vida a todos. Com o surgimento de estudos, abordagens e definições sobre a sustentabilidade na moda, é clara a necessidade de alternativas e perspectivas para o melhoramento dos sistemas sustentáveis na cadeia têxtil através de dados que permitam uma avaliação integrada e sistêmica de inputs e outputs, nomeadamente através de uma análise dos problemas ao nível da produção de resíduos e da sua minimização, bem como o que tange o ciclo de vida do produto de moda. Apresentam-se algumas soluções inovadoras como contributo para o ciclo de vida do produto de moda de forma a atingir os objectivos do desenvolvimento sustentável na indústria têxtil na perspectiva da selecção das melhores práticas disponíveis, matérias-primas e design dos produtos. Os objectivos a serem explorados neste estudo estão relacionados com as possibilidades oferecidas às indústrias têxteis no sentido de uma eficiente evolução dos seus sistemas rumo ao prolongamento do ciclo de vida do produto de moda e à sustentabilidade, como contributo determinante do conceito de moda sustentável. Ao mesmo tempo, propõe-se uma abordagem à classificação dos produtos têxteis com recurso à análise do seu ciclo de vida e ênfase em parâmetros tidos como especialmente impactantes, como as matérias-primas, os processos de transformação, os resíduos gerados, os circuitos de comercialização e a durabilidade. |
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