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Representações da História de África no sistema educativo em Angola

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Resumo:As representações sociais da História de África têm sido marcadas por inúmeras ambiguidades e contradições decorrentes do percurso histórico que o continente viveu, fruto de dinâmicas internas e externas, nomeadamente com a intensificação da “presença europeia”, a partir do século XV. O tráfico de escravos, a ocupação colonial e a colonização influenciaram directamente a organização político administrativa, cultural e sócio-económica do continente, com repercussões nas identidades culturais africanas. Esta situação veio a alterar-se com as lutas de libertação e a proclamação das independências, o que provocou novas dinâmicas nas sociedades africanas. No período colonial África foi imaginada pelos europeus como um continente sem História e o sistema educativo visava moldar os africanos aos valores europeus. No pós-independência verificou-se uma intensificação das correntes de exaltação do contributo da África na História da Humanidade e o seu enquadramento progressivo no sistema educativo, de acordo as ideologias políticas assumidas nesse período histórico. Esta dissertação enquadra-se nos Estudos Culturais e procura compreender as intercepções entre as estruturas sociais e as práticas culturais, através de uma abordagem interdisciplinar. Nesta dissertação analisámos as representações da História de África no I ciclo do ensino secundário em Angola, mais precisamente na província do Cuanza Sul. Através da análise de documentos (programas de ensino e manuais de História), entrevistas (a professores, autores de manuais e um técnico do INIDE) e inquéritos aos alunos, procurámos perceber as representações sociais sobre a História de África expressas na disciplina de História, bem como aquelas construídas pelos alunos que frequentaram o ciclo de estudos. Os resultados da análise revelam uma certa ambiguidade nas representações sociais da História da África. O cruzamento dos dados ressalta o tráfico de escravos, a abolição da escravatura, a conferência de Berlim, a colonização e a descolonização, destacando-se as narrativas que desafiam o eurocentrismo, nomeadamente no que concerne às representações sobre as personalidades políticas africanas, ligadas essencialmente ao movimento de libertação nacional. Os resultados indicam ainda um claro predomínio de figuras históricas masculinas, quer nos manuais quer nas evocações dos estudantes.
Autores principais:Cupata, Jacob Lussento
Assunto:História de África Identidade cultura Memória social Representações sociais Sistema educativo angolano. History of Africa Cultural identity Social memory Social representations Angolan educational system.
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As representações sociais da História de África têm sido marcadas por inúmeras ambiguidades e contradições decorrentes do percurso histórico que o continente viveu, fruto de dinâmicas internas e externas, nomeadamente com a intensificação da “presença europeia”, a partir do século XV. O tráfico de escravos, a ocupação colonial e a colonização influenciaram directamente a organização político administrativa, cultural e sócio-económica do continente, com repercussões nas identidades culturais africanas. Esta situação veio a alterar-se com as lutas de libertação e a proclamação das independências, o que provocou novas dinâmicas nas sociedades africanas. No período colonial África foi imaginada pelos europeus como um continente sem História e o sistema educativo visava moldar os africanos aos valores europeus. No pós-independência verificou-se uma intensificação das correntes de exaltação do contributo da África na História da Humanidade e o seu enquadramento progressivo no sistema educativo, de acordo as ideologias políticas assumidas nesse período histórico. Esta dissertação enquadra-se nos Estudos Culturais e procura compreender as intercepções entre as estruturas sociais e as práticas culturais, através de uma abordagem interdisciplinar. Nesta dissertação analisámos as representações da História de África no I ciclo do ensino secundário em Angola, mais precisamente na província do Cuanza Sul. Através da análise de documentos (programas de ensino e manuais de História), entrevistas (a professores, autores de manuais e um técnico do INIDE) e inquéritos aos alunos, procurámos perceber as representações sociais sobre a História de África expressas na disciplina de História, bem como aquelas construídas pelos alunos que frequentaram o ciclo de estudos. Os resultados da análise revelam uma certa ambiguidade nas representações sociais da História da África. O cruzamento dos dados ressalta o tráfico de escravos, a abolição da escravatura, a conferência de Berlim, a colonização e a descolonização, destacando-se as narrativas que desafiam o eurocentrismo, nomeadamente no que concerne às representações sobre as personalidades políticas africanas, ligadas essencialmente ao movimento de libertação nacional. Os resultados indicam ainda um claro predomínio de figuras históricas masculinas, quer nos manuais quer nas evocações dos estudantes.