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Os filhos das feiras e o campo de negócios agreste

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Resumo:Na região Nordeste do Brasil, mais especificamente numa parte da microrregião denominada Agreste (estado de Pernambuco), um meio rural historicamente interligado por feiras de rua, realizadas nos seus pequenos e médios centros urbanos, vem sendo conformado por meio de mudanças e continuidades ao longo das últimas décadas. Se, por um lado, sua dinâmica cultural, social e econômica local se conecta cada vez mais ao mercado contemporâneo, por outro, a herança da tradição rural, comercial e interiorana continua a se fazer presente no modo de vida e de trabalho dos seus habitantes. Feiras de rua específicas foram coletivamente criadas (as feiras da sulanca) e seguidas pelos grandes centros comerciais dedicados ao comércio de confecções, as fabriquetas domésticas, logo com seus trabalhadores, as empresas nas quais algumas dessas fabriquetas se transformaram, assim como seus proprietários, enfim, o que aqui se entende como agreste das confecções reflete um tanto daquelas mudanças e continuidades. Neste lugar, pessoas que viveram em meio a atividades agrícolas, de feiras de rua, de pequenos comércios familiares, inclusive fabriquetas domésticas de confecções e hoje possuem negócios de produção e comercialização de confecções, estão numa faixa etária entre 30 e 50 anos, a maioria sem ter completado sequer o equivalente ao ensino médio, ou menos que isso. A partir do construtivismo inerente à sociologia bourdiesiana e de seus instrumentos de pensamento, esta tese apresenta uma compreensão sobre a condição contemporânea daquelas pessoas e de seus negócios, ambos evoluídos a partir de uma história coletiva local. Argumenta-se que a partir e por meio de tal legado coletivo incorporado pelo habitus feirante, signos distintivos socioculturais, para além dos econômicos, diferenciam pessoas e seus negócios ao comporem um campo específico, irradiado a partir das cidades-eixo: Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. Ao mesmo tempo, heranças comuns permanecem e os fazem semelhantes noutros aspectos no curso deste processo de incorporação cultural protagonizado pelos proprietários de tais negócios, os filhos das feiras, e no modo como constituem o campo de negócios agreste. Elaborada a partir do confronto de amplo material empírico primário com a sociologia bourdiesiana, a tese é proposta como uma interpretação contextualizada deste conjunto de pessoas e negócios.
Autores principais:Sá, Márcio
Assunto:Ciências Sociais::Sociologia
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Na região Nordeste do Brasil, mais especificamente numa parte da microrregião denominada Agreste (estado de Pernambuco), um meio rural historicamente interligado por feiras de rua, realizadas nos seus pequenos e médios centros urbanos, vem sendo conformado por meio de mudanças e continuidades ao longo das últimas décadas. Se, por um lado, sua dinâmica cultural, social e econômica local se conecta cada vez mais ao mercado contemporâneo, por outro, a herança da tradição rural, comercial e interiorana continua a se fazer presente no modo de vida e de trabalho dos seus habitantes. Feiras de rua específicas foram coletivamente criadas (as feiras da sulanca) e seguidas pelos grandes centros comerciais dedicados ao comércio de confecções, as fabriquetas domésticas, logo com seus trabalhadores, as empresas nas quais algumas dessas fabriquetas se transformaram, assim como seus proprietários, enfim, o que aqui se entende como agreste das confecções reflete um tanto daquelas mudanças e continuidades. Neste lugar, pessoas que viveram em meio a atividades agrícolas, de feiras de rua, de pequenos comércios familiares, inclusive fabriquetas domésticas de confecções e hoje possuem negócios de produção e comercialização de confecções, estão numa faixa etária entre 30 e 50 anos, a maioria sem ter completado sequer o equivalente ao ensino médio, ou menos que isso. A partir do construtivismo inerente à sociologia bourdiesiana e de seus instrumentos de pensamento, esta tese apresenta uma compreensão sobre a condição contemporânea daquelas pessoas e de seus negócios, ambos evoluídos a partir de uma história coletiva local. Argumenta-se que a partir e por meio de tal legado coletivo incorporado pelo habitus feirante, signos distintivos socioculturais, para além dos econômicos, diferenciam pessoas e seus negócios ao comporem um campo específico, irradiado a partir das cidades-eixo: Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. Ao mesmo tempo, heranças comuns permanecem e os fazem semelhantes noutros aspectos no curso deste processo de incorporação cultural protagonizado pelos proprietários de tais negócios, os filhos das feiras, e no modo como constituem o campo de negócios agreste. Elaborada a partir do confronto de amplo material empírico primário com a sociologia bourdiesiana, a tese é proposta como uma interpretação contextualizada deste conjunto de pessoas e negócios.