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Abordagem sócio-cognitiva do ajustamento à carreira no ensino superior: o papel das actividades em grupo, da auto-eficácia e dos interesses

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Resumo:O presente trabalho aborda o processo de ajustamento à carreira no ensino superior em Portugal, numa perspectiva sócio-cognitiva. Pretende-se contribuir para o desenvolvimento do modelo sócio cognitivo de adaptação académica proposto por Lent (2005), o qual adopta uma perspectiva integrativa do bem-estar sob condições de vida normativas. Pretende-se, além disso, enquadrar a investigação do impacto do processo de Bolonha no ensino superior, através do estudo do potencial da aprendizagem cooperativa, das expectativas de auto-eficácia e dos interesses vocacionais como fontes de bem-estar, bem como prosseguir os contributos de Lent, Taveira, Sheu e Singley (2009). A amostra desta investigação é constituída por 368 participantes, de ambos os sexos (n=355; 96% homens; 13; 4% mulheres), com idades compreendidas entre os 19 e os 46 anos, tendo 50% dos participantes idade inferior a 24 anos, maioritariamente estudantes que frequentavam o 2º ano (N= 328; 89%) da licenciatura de Engenharia Mecânica do Instituto Superior de Engenharia do Porto, no ano lectivo de 2008/2009. Foram administrados três questionários para recolha de dados sócio-demográficos e caracterização dos processos e experiências pessoais do trabalho em grupo realizado em sala de aula por alunos do ensino superior, e ainda, nove medidas de auto-eficácia percebida, uma medida dos interesses vocacionais e medidas de ajustamento académico. A análise de conteúdo das experiências de trabalho em grupo foi seguida de um conjunto de análises de estatística descritiva e do uso da análise bivariada e da análise multivariada, na forma hierárquica (path analysis). A análise das experiências de trabalho em grupo em sala de aula permitiu a identificação de três categorias principais: estrutura cooperativa, utilização de recompensas, e o carácter das tarefas. As opiniões favoráveis das experiências de trabalho em grupo realizado em sala de aula distribuem-se pelos temas: processo de auto-ajuda, desenvolvimento interpessoal e percepção de níveis elevados de igualdade e de reciprocidade. Analisou-se a estrutura total das relações existentes entre o ajustamento académico total e as variáveis: (a) a percepção do trabalho em grupo como factor de ajustamento académico total e representante dos apoios, fontes e barreiras ambientais relevantes para a eficácia no alcance de objectivos académicos; (b) a auto-eficácia global como representante das expectativas de auto-eficácia; e (c) os interesses vocacionais em Ciências e Matemáticas, em representação da personalidade e dos traços afectivos. A regressão múltipla efectuada foi submetida aos princípios da técnica de regressão hierárquica, que apoiou a descrição da estrutura total das relações existentes entre as variáveis dependentes e independentes, e avaliar parcialmente as assumpções causais do modelo de satisfação de trabalho/ satisfação académica de Lent (2005). O trabalho em grupo como factor de ajustamento académico explica isoladamente 36,9% da variância observada no ajustamento académico total. A variável auto-eficácia global explica, isoladamente, cerca de 21,4% da variação da variável ajustamento académico total, e 73,7% da variação do nível de ajustamento académico total é explicada pela variação dos interesses vocacionais congruentes com o plano de estudos. Os resultados das análises de regressão apoiam a totalidade das hipóteses deste estudo. Os resultados deste estudo concorrem para suportar empiricamente a funcionalidade de dimensões da personalidade, de dimensões sócio-cognitivas e das dimensões ambientais, na integração e no ajustamento à carreira no ensino superior. Os resultados são discutidos à luz da teoria sócio-cognitiva da carreira, mencionam-se as suas limitações inerentes, e referem-se as implicações para o desenvolvimento de estudos futuros e para o desenvolvimento de estratégias de intervenção vocacional no ensino superior.
Autores principais:Miranda, Maria Cristina Queiroz da Costa Lobo
Assunto:Ajustamento académico ensino superior trabalho em grupo auto-eficácia interesses vocacionais Academic adjustment higher education teamwork self-efficacy vocational interests
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O presente trabalho aborda o processo de ajustamento à carreira no ensino superior em Portugal, numa perspectiva sócio-cognitiva. Pretende-se contribuir para o desenvolvimento do modelo sócio cognitivo de adaptação académica proposto por Lent (2005), o qual adopta uma perspectiva integrativa do bem-estar sob condições de vida normativas. Pretende-se, além disso, enquadrar a investigação do impacto do processo de Bolonha no ensino superior, através do estudo do potencial da aprendizagem cooperativa, das expectativas de auto-eficácia e dos interesses vocacionais como fontes de bem-estar, bem como prosseguir os contributos de Lent, Taveira, Sheu e Singley (2009). A amostra desta investigação é constituída por 368 participantes, de ambos os sexos (n=355; 96% homens; 13; 4% mulheres), com idades compreendidas entre os 19 e os 46 anos, tendo 50% dos participantes idade inferior a 24 anos, maioritariamente estudantes que frequentavam o 2º ano (N= 328; 89%) da licenciatura de Engenharia Mecânica do Instituto Superior de Engenharia do Porto, no ano lectivo de 2008/2009. Foram administrados três questionários para recolha de dados sócio-demográficos e caracterização dos processos e experiências pessoais do trabalho em grupo realizado em sala de aula por alunos do ensino superior, e ainda, nove medidas de auto-eficácia percebida, uma medida dos interesses vocacionais e medidas de ajustamento académico. A análise de conteúdo das experiências de trabalho em grupo foi seguida de um conjunto de análises de estatística descritiva e do uso da análise bivariada e da análise multivariada, na forma hierárquica (path analysis). A análise das experiências de trabalho em grupo em sala de aula permitiu a identificação de três categorias principais: estrutura cooperativa, utilização de recompensas, e o carácter das tarefas. As opiniões favoráveis das experiências de trabalho em grupo realizado em sala de aula distribuem-se pelos temas: processo de auto-ajuda, desenvolvimento interpessoal e percepção de níveis elevados de igualdade e de reciprocidade. Analisou-se a estrutura total das relações existentes entre o ajustamento académico total e as variáveis: (a) a percepção do trabalho em grupo como factor de ajustamento académico total e representante dos apoios, fontes e barreiras ambientais relevantes para a eficácia no alcance de objectivos académicos; (b) a auto-eficácia global como representante das expectativas de auto-eficácia; e (c) os interesses vocacionais em Ciências e Matemáticas, em representação da personalidade e dos traços afectivos. A regressão múltipla efectuada foi submetida aos princípios da técnica de regressão hierárquica, que apoiou a descrição da estrutura total das relações existentes entre as variáveis dependentes e independentes, e avaliar parcialmente as assumpções causais do modelo de satisfação de trabalho/ satisfação académica de Lent (2005). O trabalho em grupo como factor de ajustamento académico explica isoladamente 36,9% da variância observada no ajustamento académico total. A variável auto-eficácia global explica, isoladamente, cerca de 21,4% da variação da variável ajustamento académico total, e 73,7% da variação do nível de ajustamento académico total é explicada pela variação dos interesses vocacionais congruentes com o plano de estudos. Os resultados das análises de regressão apoiam a totalidade das hipóteses deste estudo. Os resultados deste estudo concorrem para suportar empiricamente a funcionalidade de dimensões da personalidade, de dimensões sócio-cognitivas e das dimensões ambientais, na integração e no ajustamento à carreira no ensino superior. Os resultados são discutidos à luz da teoria sócio-cognitiva da carreira, mencionam-se as suas limitações inerentes, e referem-se as implicações para o desenvolvimento de estudos futuros e para o desenvolvimento de estratégias de intervenção vocacional no ensino superior.