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Qualidade da água na influência de atividades mineiras e seus efeitos na comunidade indígena dos Xikrins do rio Cateté (Pará, Brasil)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A água é um dos recursos mais abundantes no planeta, sendo um bem precioso e fundamental para a sobrevivência humana. No entanto, este recurso natural está ameaçado pelo elevado aumento no consumo de água e degradação da sua qualidade, principalmente associada às pressões antropogénicas, tornando-se uma preocupação global e um desafio para o desenvolvimento sustentável. O Brasil é o país com maior volume de água doce no mundo, sendo destacado pela necessidade de proteção da qualidade da água para garantir as necessidades humanas e manter a qualidade do abastecimento de água. A bacia hidrográfica do Rio Itacaiúnas está na área de mineração mais proeminente do Brasil – Província Mineral de Carajás – com minas ativas de ferro, cobre, níquel e manganês. O Rio Cateté pertence à bacia hidrográfica do Rio Itacaiúnas e localiza-se no sudeste do Estado do Pará, com uma extensão de cerca de 168,3 km, atravessando a "Terra Indígena Xikrin do Rio Cateté". No entanto, o Rio Cateté possui elevada vulnerabilidade associada à drenagem de efluentes das atividades mineiras. A contaminação da água promoverá graves impactos diretos e indiretos na cultura, lazer e problemas de saúde da comunidade indígena. Foram colhidas 14 amostras de água no Rio Cateté, no entorno da aldeia indígena Xikrin, e analisadas as propriedades físico-químicas e elementos potencialmente tóxicos selecionados, entre janeiro e abril de 2018. A maioria das amostras de água tem valores de pH que variam de 6.0 a 8.0, são moderadamente oxigenadas (Oxigénio Dissolvido = 5,4 – 10,4 mg/L) e pouco mineralizadas (TDS=18 - 72 mg/L). A qualidade da água do rio Cateté apresenta um elevado grau de contaminação relativamente a elementos potencialmente tóxicos, como Fe (13,3 mg/L), Mn (1,78 mg/L), Ni (43 μg/L), Cu (130 μg/L), Cr (90 μg/L), Zn (500 μg/L), Al (39 μg/L) e Pb (5 μg/L). Consequentemente, algumas amostras de água estão contaminadas com Fe, Mn, Ni, Cr e Zn, e não devem ser utilizadas para consumo humano. A contaminação da água do rio Cateté está associada principalmente às atividades da mina desenvolvidas na área, no entanto, também se associa ao cenário geológico e às litologias locais. Os resultados obtidos na água superficial do rio após o empreendimento mineiro reforçam as evidências de riscos ambientais e de saúde humana associados às atividades das minas e a necessidade de aplicação de metodologias preventivas e de monitorização adequadas.
Autores principais:Côrrea, H. S.
Outros Autores:Antunes, Isabel Margarida Horta Ribeiro
Assunto:Rio Cateté Atividade mineira Metais Contaminação Saúde humana
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A água é um dos recursos mais abundantes no planeta, sendo um bem precioso e fundamental para a sobrevivência humana. No entanto, este recurso natural está ameaçado pelo elevado aumento no consumo de água e degradação da sua qualidade, principalmente associada às pressões antropogénicas, tornando-se uma preocupação global e um desafio para o desenvolvimento sustentável. O Brasil é o país com maior volume de água doce no mundo, sendo destacado pela necessidade de proteção da qualidade da água para garantir as necessidades humanas e manter a qualidade do abastecimento de água. A bacia hidrográfica do Rio Itacaiúnas está na área de mineração mais proeminente do Brasil – Província Mineral de Carajás – com minas ativas de ferro, cobre, níquel e manganês. O Rio Cateté pertence à bacia hidrográfica do Rio Itacaiúnas e localiza-se no sudeste do Estado do Pará, com uma extensão de cerca de 168,3 km, atravessando a "Terra Indígena Xikrin do Rio Cateté". No entanto, o Rio Cateté possui elevada vulnerabilidade associada à drenagem de efluentes das atividades mineiras. A contaminação da água promoverá graves impactos diretos e indiretos na cultura, lazer e problemas de saúde da comunidade indígena. Foram colhidas 14 amostras de água no Rio Cateté, no entorno da aldeia indígena Xikrin, e analisadas as propriedades físico-químicas e elementos potencialmente tóxicos selecionados, entre janeiro e abril de 2018. A maioria das amostras de água tem valores de pH que variam de 6.0 a 8.0, são moderadamente oxigenadas (Oxigénio Dissolvido = 5,4 – 10,4 mg/L) e pouco mineralizadas (TDS=18 - 72 mg/L). A qualidade da água do rio Cateté apresenta um elevado grau de contaminação relativamente a elementos potencialmente tóxicos, como Fe (13,3 mg/L), Mn (1,78 mg/L), Ni (43 μg/L), Cu (130 μg/L), Cr (90 μg/L), Zn (500 μg/L), Al (39 μg/L) e Pb (5 μg/L). Consequentemente, algumas amostras de água estão contaminadas com Fe, Mn, Ni, Cr e Zn, e não devem ser utilizadas para consumo humano. A contaminação da água do rio Cateté está associada principalmente às atividades da mina desenvolvidas na área, no entanto, também se associa ao cenário geológico e às litologias locais. Os resultados obtidos na água superficial do rio após o empreendimento mineiro reforçam as evidências de riscos ambientais e de saúde humana associados às atividades das minas e a necessidade de aplicação de metodologias preventivas e de monitorização adequadas.